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Adolescentes em missão: o testemunho de Duda

Discipulada na igreja e movida por amor a Jesus, Maria Eduarda compartilhou a fé com as amigas, fortaleceu a própria caminhada e viu o pai descer às águas no dia do seu batismo


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Cerimônia batismal. Foto: Arquivos APlaC

Maria Eduarda de Melo Vasconcelos, a Duda, tem 11 anos e é membro da Igreja Adventista de Ponte Alta Norte. Entre estudos bíblicos, amizades no condomínio e um desejo crescente de falar sobre Jesus, ela viveu uma experiência que jamais vai esquecer: no dia do seu batismo, em 17 de janeiro, o pai, Erivaldo, entrou no tanque para um batismo surpresa.

Para Duda, a missão começou a se tornar uma realidade, quando sua curiosidade pela Bíblia se transformou em experiência pessoal com Deus: “Estudar Apocalipse deixou de ser só um interesse e passou a ser um tempo de intimidade com Ele”, resume.

Uma igreja que forma missionários

Duda faz parte de uma geração que está sendo discipulada, por meio da classe de adolescentes da Escola Sabatina, do Clube de Desbravadores e de projetos como Supermissionários e um.oito. Mais do que ensinar conteúdos, essas iniciativas têm dado aos pré-adolescentes e adolescentes oportunidade de viver a fé e participar da missão.

Na Associação Planalto Central, crianças e adolescentes são incentivados a ser discípulos e missionários desde cedo. Projetos, classes e clubes ajudam a formar uma geração que aprende a Bíblia e vive a fé com ações concretas em casa, na escola, na igreja e na comunidade.

Para tia Josy, professora que acompanhou de perto essa jornada, o ponto central nunca foi apenas ensinar lições, mas conduzir adolescentes a uma experiência verdadeira com Cristo. Ela afirma que nunca os enxergou apenas como alunos, mas como discípulos. Seu desejo sempre foi que eles conhecessem Jesus de forma prática, porque, quando isso acontece, o coração passa a arder para que outros também O conheçam.

A mãe de Duda, Poliana, percebeu essa mudança de maneira muito clara. Segundo ela, depois dos estudos com a tia Josy, especialmente a partir do estudo de Apocalipse, a filha começou a falar mais de Jesus, demonstrar maior compromisso com o devocional e assumir uma postura mais intencional na vivência da fé.

“Conhecer e prosseguir em conhecer”

Adolescentes em missão
Aprofundando o estudo da bíblia e compartilhando com outras pessoas. Foto: Arquivos APlaC

A vontade de se batizar já existia, mas veio acompanhada de orientação. Antes de tomar a decisão, Duda foi incentivada a aprofundar a fé, compreender melhor a Bíblia e firmar convicções. Nesse processo, nasceu um interesse pouco comum para alguém tão nova: estudar o livro de Apocalipse.

Duda e a prima Belinha, junto com outras meninas, insistiam que queriam estudar mais. Diante disso, tia Josy percebeu que não havia apenas curiosidade infantil, mas sede espiritual. Sem material pronto que atendesse exatamente à necessidade delas, decidiu orar e preparar os estudos. O que parecia desafio virou ponto de virada.

Duda lembra que chegava a cada encontro com ansiedade e expectativa. Depois, saía com o coração cheio e com ainda mais vontade de aprender. Em um desses momentos, ela entendeu que Deus estava fazendo algo maior: “Comecei a sentir Deus mais perto de mim”.

A professora também viu mudanças concretas ao longo do caminho. Houve mais sede espiritual, mais disposição para aprender e mais naturalidade em compartilhar o que estava sendo vivido. Segundo tia Josy, não era apenas o estudo em si, mas todo um conjunto: a classe trabalhava os mesmos princípios, havia incentivo à pregação, momentos a sós com Cristo e espaço para que elas falassem de Jesus com a própria voz. “A gente não dava sermão pronto”, recorda. As adolescentes eram estimuladas a buscar em Jesus a mensagem que transmitiriam.

O fogo missionário

O discipulado transbordou para a vida prática. Duda começou a falar de Jesus onde ela realmente vive: no condomínio, com as amigas, em conversas simples, convites e estudos bíblicos. Nem sempre foi fácil. Ela conta que o mais difícil era conseguir fazer as pessoas irem. Às vezes convidava, elas não demonstravam interesse, e isso a deixava triste. Ainda assim, aprendeu a continuar insistindo com amor.

Uma conversa, em especial, marcou sua caminhada. Uma amiga confessou que queria muito conhecer Jesus, mas não conseguia estudar sozinha. Aquilo tocou Duda profundamente, porque ela percebeu que Deus podia usá-la para ajudar outras pessoas a se aproximarem dEle.

Os projetos Supermissionários e um.oito fortaleceram essa visão. Para ela, a missão deixou de parecer algo distante. Tornou-se prática diária, vivida em cada atitude e em qualquer lugar.

Poliana também viu esse transbordamento no cotidiano. Passou a notar a filha mais interessada em estudar a Bíblia sozinha, conversando com as amigas sobre Jesus e preocupada em se comportar como filha de Deus na escola. Em um momento que a marcou profundamente, Duda compartilhou com um amigo a experiência que estava vivendo com Cristo, e ele respondeu que queria ter aquela mesma fé.

Quando o testemunho alcança a casa

Enquanto Duda falava, orava e se envolvia na missão, algo acontecia silenciosamente dentro de casa. O pai observava. Não interrompia, não se colocava no centro, mas acompanhava tudo com atenção.

Erivaldo define esse período como um conflito interior, “entre o certo e o errado”. O que mais o impactava na filha não eram apenas as palavras, mas “as orações intercedendo pelas pessoas e o seu comportamento no dia a dia”. Ver Duda estudando Apocalipse e falando de Jesus com as amigas era, ao mesmo tempo, motivo de alegria e confronto pessoal. Ele diz que era gratificante saber que a filha estava levando a Palavra aos amigos, mas também vergonhoso perceber que ele mesmo deveria estar ali, fazendo a obra de Cristo ao lado dela.

A mudança na família ficou ainda mais clara quando Poliana procurou a professora para contar o que estava acontecendo em casa. Foi aí que tia Josy entendeu que o discipulado já tinha ultrapassado a sala e alcançado o lar. A mãe relatou que o marido estava estudando a Bíblia com a família e que todos estavam sendo impactados pela transformação visível na vida de Duda.

Quando o testemunho virou batismo

Adolescentes em missão
A cerimônia batismal. Foto Arquivos APlaC

O batismo de Duda já seria um marco espiritual. Mas naquele culto, Deus escreveu uma história ainda maior. Depois que Duda desceu às águas, veio o apelo e o anúncio de que haveria um batismo surpresa. Ela não imaginava do que se tratava. Até que viu o pai entrar.

“Foi uma emoção tão grande que só tive vontade de chorar”, relembra. Para ela, aquele instante foi a confirmação de que Deus havia escutado suas orações.

Erivaldo decidiu fazer do próprio batismo um presente para a filha. Queria marcar aquele momento e dar a ela a certeza de que Deus havia ouvido cada clamor feito em silêncio. Ao entrar no tanque logo depois da filha, sentiu um misto de emoções: alegria, felicidade e gratidão por viver com ela um momento que, segundo ele, jamais será esquecido. A expressão de surpresa e felicidade no rosto de Duda ficou gravada em sua memória.

Poliana descreve a própria reação como difícil de traduzir em palavras. Ficou anestesiada, emocionada e profundamente agradecida a Deus. O que a família via como acompanhamento silencioso já era, na verdade, o Espírito Santo conduzindo um processo.

Ali, o testemunho de uma adolescente discipulada e ativa ganhou forma diante de todos. Não por pressão. Não por discurso. Mas por constância, oração e exemplo.

Frutos duradouros

Depois daquele dia, a casa mudou. Segundo Duda, a família passou a conversar mais sobre Jesus, a orar, a viver um clima muito mais leve e cheio de paz. Poliana confirma que a maior mudança foi o fortalecimento das conversas espirituais e da confiança de que Deus está atento aos desejos sinceros do coração.

Duda seguiu com o propósito de continuar dando estudos bíblicos, convidando pessoas e sendo missionária no dia a dia. Para adolescentes que pensam que são novos demais para servir, ela deixa um recado: “Você nunca é novo demais para servir a Deus”.

Para Erivaldo, a principal lição que fica é: “Nunca deixe de ouvir a voz do Espírito Santo”. E, aos pais que acreditam que missão é coisa de adulto, ele responde com convicção que Deus usa qualquer pessoa que se coloca à disposição e que o poder de influência de crianças e adolescentes é maior do que muitos imaginam.

Esse é o objetivo que a Associação Planalto Central busca fortalecer: uma geração que entende que a missão faz parte de sua vida. Na Escola Sabatina, nos Clubes de Aventureiros e Desbravadores, nos projetos missionários, em casa, na rua e onde quer que estejam, crianças e adolescentes podem ser instrumentos nas mãos de Deus. Que Missão menos sobre idade e mais sobre disponibilidade para servir.

Veja o Testemunho de Duda

Duda compartilhando a sua experiência