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Alunos adventistas realizam ação de dia das mães em comunidade quilombola

Uma ação solidária da Educação Adventista levou alunos do Instituto Grão Pará até a Comunidade Quilombola às margens do Rio Moju, no Pará e o encontro transformou os dois lados.


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Alunos adventistas carregam doações em barco para ação solidária na comunidade quilombola Guadalupe -Moju (PA) | Foto: Daniele Nogueira

Uma ação solidária da Educação Adventista levou alunos do Instituto Grão Pará até a Comunidade Quilombola Guadalupe, em Moju (PA) e encontrou Neuza Lameira dos Santos, 71 anos, que cresceu às margens do Rio Moju.

Mãe de 20 filhos, trabalhou com o plantio de açaí, produção de farinha e pesca. Assim como muitas outras mulheres da região, essa é a realidade, em que a floresta é generosa, mas o isolamento cobra seu preço.

Hoje, aos 70 anos, Neuza vive na Comunidade São José, no município de Moju, uma entre tantas comunidades ribeirinhas espalhadas às margens dos rios do Pará.

Nessas localidades, o transporte pode exigir horas de viagem: por estrada de terra ou travessia de barco. Serviços básicos como saúde e assistência social chegam com dificuldade. Quando chegam.

Entre os filhos que ela criou, está Ana Maria, vice-líder da Associação da Comunidade Quilombola Guadalupe, local escolhido para uma ação solidária em alusão ao dia das mães.

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Grupo atravessa o Rio Moju em rabetas rumo à comunidade quilombola Guadalupe durante ação solidária adventista | Foto: John Santos

A ação solidária que começou antes de chegar ao rio

No dia 7 de maio de 2026, uma travessia pelo Rio Moju marcou a rotina de um grupo de alunos e colaboradores do Instituto Adventista Grão Pará.

O grupo viajou por cerca de 70 km, a partir da capital paraense até o Km 62 da Alça Viária, seguindo um percurso de aproximadamente 40 minutos em rabetas que conduziu os estudantes até a Comunidade Quilombola Guadalupe em Moju.

Ao longo da viagem, seguiram cestas básicas e kits de higiene pessoal arrecadados por alunos, professores, famílias e colaboradores da instituição. Mais do que os itens transportados, a visita carregava um propósito maior: proporcionar escuta, acolhimento e valorização a mães que enfrentam desafios diários longe dos grandes centros urbanos.

A ação foi desenvolvida pela Agência de Missões Luzeiro, com apoio da Educação Adventista do Norte do Pará. As necessidades ultrapassam os limites de uma única comunidade. Por isso, a própria Comunidade Quilombola Guadalupe ampliou o convite, e chamou famílias vizinhas, como a de dona Neuza.

Por essa razão, a travessia de dona Neuza também aconteceu naquele dia. Saindo da pequena ilha localizada em frente à comunidade Guadalupe, a viagem não representava apenas o recebimento de uma cesta básica, mas a oportunidade de ser percebida e acolhida.

Em meio à realidade amazônica, onde a distância frequentemente dificulta a chegada da assistência e do poder público, momentos como esse ajudam a devolver visibilidade a quem vive às margens dos rios.

Grupo de alunos do Instituto Adventista Grão Pará na Comunidade Quilombola Guadalupe, em Moju (PA) | Foto: Haonny Cordovil

O que a ação solidária encontrou na comunidade quilombola

Para muitos dos estudantes, aquela travessia mudou algo. Eles pensavam que sabiam o que era viver às margens dos rios da Amazônia mas não sabiam:

"Quando a gente vem para uma ação dessa, a gente não imagina o tamanho que ela tem. A gente não imagina que essa ação pode fazer a diferença na vida de alguém, tanto doando os alimentos e os kits de higiene, quanto trazendo um pouco mais de esperança para essas famílias."

Segundo a diretora Lígia Souza, o objetivo ao realizar a ação vai além de uma atividade pontual: "Gostaríamos que os nossos alunos levassem mais que lembranças de uma ação social, mas que eles levassem realmente o amor, a sensibilidade, o servir", afirmou ela.

Já o Pastor escolar Daniel Almeida, líder da Agência de Missões Luzeiro, reforça essa visão: segundo ele, experiências como essa fazem parte de um processo de formação integral: Desta forma nós buscamos desenvolver nos nossos alunos um crescimento integral, fazendo-os Levar para suas casas uma experiência junto à natureza, aos desafios dos rios da Amazônia e contato com pessoas de comunidades isoladas como a quilombola Guadalupe.

Enquanto que para Milva Garcia, líder da Educação Adventista para o Norte do Pará, destacou o impacto que observou nas mães da comunidade. "Nós acabamos de viver momentos especiais, e pudemos ver o sorriso, a satisfação que elas sentiram em perceber que elas são muito especiais."

Famílias da Comunidade Quilombola Guadalupe recebem cestas básicas e kits de higiene durante ação solidária promovida pelo Instituto Adventista Grão Pará no Dia das Mães. | Foto: Haonny Cordovil

A história de Neuza: o que a ação solidária encontrou no quilombo

Dona Ana Maria nasceu e cresceu às margens do Rio Moju. Assim como a mãe, Neuza, construiu sua vida a partir do que a terra e o rio oferecem: colhendo açaí, pescando, "se virando no mato", como ela mesma diz.

Além disso, exerce um papel de liderança na comunidade como vice-líder da associação local. E foi com esse olhar de quem conhece de perto as necessidades do lugar que ela recebeu os estudantes naquele dia.

É por isso que a história de Ana Maria é, ao mesmo tempo bem parecida com a história da mãe, ambas enfrentaram décadas de trabalho duro em condições adversas, criando os filhos sem ter com quem deixá-los, levando-os às costas para o trabalho na roça.

É por isso que ações como essa podem ser importantes para quem precisa. Pois segundo Ana Maria, é a primeira vez que está acontecendo esse tipo de ação na comunidade:

Como resultado, ela afirma: "Eu estou muito alegre, só tenho a agradecer a Deus e a vocês. E eu quero dizer para as mães que estão passando momentos difíceis: não desistam. Porque a luta é grande, mas com a ajuda de Deus a gente vence."

Dona Ana Maria mostra colheita de açaí a alunos adventistas na comunidade quilombola Guadalupe, Moju (PA) | Foto: Daniele Nogueira.

Uma semente plantada às margens do rio

A Comunidade Quilombola Guadalupe existe há 27 anos e reúne mais de 50 famílias que vivem da pesca e da venda de açaí.

Ao mesmo tempo, sendo geograficamente isolada, enfrenta dificuldades comuns às comunidades amazônicas, como distância dos serviços públicos, acesso limitado e pouca visibilidade diante da sociedade.

Neste cenário, a realidade local reflete a de muitas comunidades ribeirinhas e quilombolas espalhadas pelo Pará, onde a assistência pública raramente consegue chegar.

Como resultado, a ação do Instituto Adventista Grão Pará representou mais que doações: simbolizou presença, cuidado e valorização das mães da comunidade.

Portanto, para os alunos participantes, a experiência proporcionou aprendizados que ultrapassam os limites da sala de aula e aproximam diferentes realidades sociais.

Famílias recebem cestas básicas durante ação solidária do Instituto Adventista Grão Pará na comunidade quilombola no Dia das Mãe. | Foto: Haonny Cordovil.

O Instituto Adventista Grão Pará integra a rede de educação adventista e tem como missão formar cidadãos com valores cristãos e com amor ao próximo.


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