Acampamentos de verão fortalecem laços entre adventistas de Brasília e Entorno
Durante o feriado de Carnaval, eventos uniram gerações, renovaram a espiritualidade e transformaram convivência em pertencimento.

Durante o feriado de Carnaval, muitas igrejas adventistas em Brasília e no Entorno escolheram reunir famílias, jovens e idosos em acampamentos de verão. Mais do que “alguns dias fora de casa”, esses encontros se tornam uma oportunidade prática de integrar pessoas, fortalecer o senso de pertencimento e renovar a fé, criando memórias que seguem influenciando a vida quando todos voltam ao ritmo do cotidiano.
A proposta dos acampamentos foi de pausar a rotina para ouvir a voz de Deus com mais clareza, em um ambiente que favorece reflexão, comunhão e crescimento. De maneira geral, a programação combinou oração, estudo da Bíblia, louvor e mensagens, com atividades de integração e descanso.
Uma pausa intencional para lembrar do Criador
O acampamento de verão, também chamado de retiro espiritual, é um tempo intencional de busca por Deus. Há espaço para oração, leitura e silêncio. Além da oportunidade de fortalece vínculos, desenvolve empatia e cria uma convivência que dificilmente acontece apenas nos encontros semanais da igreja.
É nesse tipo de ambiente que o pertencimento deixa de ser um conceito e se torna uma experiência: ser chamado pelo nome, sentar-se junto, comer junto, conversar sem pressa e perceber que existem pessoas para caminhar juntas, dentro e fora do templo.
Administradores e pastores departamentais da Associação Planalto Central (APlaC) visitaram e apoiaram diversos acampamentos. O pastor Rubens Mandeli, líder de Mordomia, Saúde e Ação Solidária Adventista, por exemplo, visitou o acampamento promovido pelo distrito do Guará, realizado na Chácara Recanto Monjolinho, em Planaltina (DF), no dia 14 de fevereiro. O tema geral do acampamento foi “Alcateia”, com ênfase na vida em comunidade e em como viver em grupo ajudando uns aos outros. Na ocasião, o pastor Mandeli apresentou o tema “Causas da Ruína”, uma reflexão sobre como a desunião e as lutas internas contribuíram para a queda de Jerusalém, no ano 70 d.C.

No dia 16 de fevereiro, o pastor Rubens esteve no acampamento organizado pelo distrito de Planaltina (DF). O tema geral foi “Meu lugar no mundo” e destacou que a missão deve fazer parte do cotidiano do cristão, como estilo de vida. Na ocasião, Mandeli apresentou o tema “Tenho muito povo nesta cidade”, baseado em Atos 18:5-11, quando Cristo se apresentou a Paulo pedindo que continuasse em Corinto pregando o evangelho, apesar dos desafios, pois havia muitas pessoas a serem alcançadas ali. Ele ressaltou que, da mesma forma, Deus ainda tem muito povo ao nosso redor e nos chama a ser intencionais na pregação do evangelho.
Retiro do Sudoeste: uma igreja mais próxima

No Distrito do Sudoeste, o retiro trouxe como tema “Meu lugar no mundo” e foi pensado como um tempo para promover a união. De acordo com o pastor Paulo Prazeres, a proposta nasceu de uma necessidade: “O retiro espiritual é um momento muito forte para a igreja, um momento de união, em que nós estamos juntos”, afirma.
Ele explica que, na rotina, muitos acabam se encontrando apenas aos sábados e, mesmo assim, com pouco espaço para conversas profundas: “Os membros da igreja, geralmente, só se veem em dias de culto… A gente não tem aquele momento de estar junto, de bater papo, de sentar, comer junto, de ouvir as lutas, as dificuldades, as alegrias, sorrir juntos”, comentou o pastor Paulo.
No retiro, a espiritualidade é o centro, mas caminha junto com convivência, descanso e alegria saudável. A programação incluiu desde momentos de culto até atividades planejadas para aproximar pessoas de diferentes idades. “A gente ouviu a voz de Deus: culto de madrugada, culto pela manhã, gincanas, brincadeiras… As gincanas não tiveram o objetivo de alguma equipe ser campeã, mas de todos participarem juntos e rirem muito”, declarou.
Além das dinâmicas, o retiro também teve noites temáticas, como “Festa das Nações”, “Tempo Bíblico” e um momento descontraído de reconhecimento entre os participantes: “É um momento de muita interação, porque os mais idosos podem brincar com as crianças, os jovens se aproximam mais da igreja; proporciona essa proximidade uns com os outros”, completou.
Ainda de acordo com o pastor Prazeres, o retiro no Sudoeste já faz parte do calendário anual, mas sempre chega com expectativa renovada. A expectativa é que os dias vividos juntos se transformem em algo concreto quando a igreja volta para casa: mais proximidade, mais amizade e uma comunidade mais acolhedora: “Às vezes, nós nos chamamos na igreja de irmãos, mas não estamos realmente próximos como irmãos”, destacou.
O retiro do Sudoeste aconteceu de sexta-feira (13) até terça-feira (17), com almoço, e contou com participação especial do pastor Ivan Goes, que contribuiu com mensagens e reflexões bíblicas e compartilhou um pouco de sua experiência como pastor jubilado.

A participação foi marcada por experiências pessoais e fortalecimento de vínculos. Thayanne Braga conta que sempre gostou de acampamentos e viu no convite a chance de viver algo especial em família. Para ela, as mensagens do pastor Ivan Góes foram um marco: “Cada testemunho e cada mensagem me tocaram profundamente. Fiz questão de anotar tudo para não esquecer.” Thayanne também destacou a alegria de criar uma memória afetiva para a filha, além do louvor, da comida e da gincana, que “incluiu todo mundo” e reforçou a união: “Foi muito bom perceber que somos uma comunidade e que estamos realmente unidos como uma só família em Cristo.”
Sarah Queiroz afirma que o retiro foi um lembrete prático de que a igreja é mais do que encontros semanais: “Nos momentos de convívio, percebi que estava criando vínculos mais profundos com os irmãos… um lembrete de que a gente é uma comunidade que vai muito além das quatro paredes da igreja.” Ela conta que as gincanas foram o ponto alto, porque as equipes bem misturadas ajudaram as pessoas a se conhecerem melhor e até a aprofundarem conhecimentos bíblicos “em um momento de muita descontração”. Para Sarah, também foi um tempo de renovação emocional: uma pausa na rotina para “fortalecer laços, renovar as energias físicas e emocionais” e se sentir parte de uma comunidade que cresce.
Para Débora Raquel Pires o incentivo do pastor e dos membros foi decisivo para participar. Ela descreve o culto das 6h da manhã como um dos momentos mais marcantes: “Um momento muito especial com Deus e proximidade com os irmãos da igreja.” O que mais a impactou foi a convivência, por permitir conhecer melhor as pessoas e criar vínculos. Morando há pouco tempo em Brasília, Raquel percebeu o retiro como um espaço essencial para fortalecer laços e sentir-se em casa na comunidade.
André Alencar explica que entrou no retiro com um objetivo claro: começar o ano com uma nova experiência com Deus e renovar o relacionamento espiritual. Como integrante da equipe de organização, também viu no encontro uma oportunidade de se aproximar da igreja do Sudoeste. Em um dos cultos, ele conta ter recebido uma mensagem que interpretou como confirmação de Deus: “Confirmando que meus esforços para servir a Deus não estão passando despercebidos.” André voltou fortalecido e animado para servir ainda mais. Ele também se divertiu com as gincanas: “As brincadeiras eram super simples, mas todo mundo participou com tanto empenho que parecia uma olimpíada.” Sobre pertencimento, resume: “No retiro, isso foi de outro nível… Parecíamos família.”
Vanessa Sedenho descreve o retiro como um desejo que vinha sendo cultivado há algum tempo e que, finalmente, se tornou realidade. Ela destaca louvores, conversas, conexões e novas amizades como marcas do encontro, que reforçaram seu senso de pertencimento: “Dá aquele sentimento de pertencimento à família cristã, à família do céu.” Para Vanessa, um dos momentos mais impactantes foi a presença e o acolhimento expresso em abraços, além do sermão do pastor Ivan Góes, que ela define como marcante.

Retiro de Campos Belos: tradição, natureza e comunidade que abraça
No Distrito de Campos Belos, o retiro também destacou a experiência de comunidade em um ambiente simples e igual para todos. O pastor Felipe Lima resume a essência do encontro como um retorno ao campo, não apenas como cenário, mas como ferramenta espiritual: “O principal objetivo de um retiro é proporcionar uma experiência de vida em comunidade, longe das cidades, buscando a paz do campo e da natureza como potencializadores da voz de Deus.”
Ele ressalta que o retiro tem uma força especial por “nivelar” todos como acampantes; mesma rotina, mesma dieta, mesmas condições e um senso de unidade que nasce naturalmente. “O retiro tem essa capacidade de nos igualar na necessidade de Deus, pois estamos todos em grau de igualdade como acampantes”, afirma.
Em Campos Belos, o retiro faz parte da identidade da igreja local desde 1995. Esse encontro anual é vivido como uma convivência rica, em que gerações se complementam e aprendem umas com as outras: “É a hora dos mais experientes mostrarem todo o seu potencial aos jovens… e é a hora dos jovens extravasarem toda a sua potencialidade de força e vigor… O retiro é uma ode aos cabelos brancos e ao colágeno da juventude em convivência harmoniosa.”
A programação uniu espiritualidade e atividades ao ar livre, com intencionalidade espiritual mesmo nos momentos de descontração: “Tivemos cultos matutinos e vespertinos, momentos de oração ao soar um sinal no acampamento e, mesmo dentro da gincana, houve momento de aprender sobre a Bíblia.”
Entre as experiências, também houve festas temáticas, gincanas e lazer em contato com a natureza, especialmente no rio Palmas. O retiro teve quatro dias (13 a 17/02) e aconteceu no Sítio Harmonia, na região do Parque Serra Gerais, em Aurora (TO), reunindo participantes do Setor Buritis e de outras cidades. Ao todo, foram 50 pessoas, vindas de Combinado, Aurora e Dianópolis (TO) e de Alto Paraíso (GO).
Entre os participantes, as motivações se conectam em pontos em comum: natureza, comunhão e o desejo de fortalecer a fé.
Lucas Silva, diácono do Setor Buritis, descreve a experiência como especial: “Eu amo acampamentos. É um momento único de contato com a natureza, com os irmãos.” Algumas cenas ficam guardadas como lembretes do porquê vale a pena parar: “Quando olho de longe as pessoas sorrindo e participando juntas como numa família, num só propósito, dá aquele quentinho no coração.” Lucas destacou a resenha pós-culto, o futebol e o rio como pontos altos do retiro e reforça: “Não dá mesmo para viver sozinho. E pertencer é se sentir parte fundamental. E o retiro propicia isso.”
A anfitriã do espaço, Marilene Almeida, conta que o retiro já faz parte do coração e do planejamento para o futuro: “Recebo os irmãos todos os anos no meu sítio com o coração aberto e já pensando no próximo, pois não há nada mais prazeroso que os irmãos vivendo em união.” Ela destaca a gratidão no fim, quando tudo dá certo e o retiro cumpre seu propósito: “Quando deitamos a cabeça no travesseiro na última noite e tudo correu bem, podemos dizer: ‘até aqui nos ajudou o Senhor’.” Marilene também ressaltou como foi importante participar: “O contato com irmãos que eu não conhecia, que estão chegando… essa é a beleza da vida em comunidade.”
Já para Esther Oliveira, líder jovem, o retiro também é cuidado emocional e descanso mental, com foco na certeza do cuidado de Deus: “O que me motiva é a saúde mental e a oportunidade de viver dias em que a certeza do cuidado de Deus, e em comunidade, é o único dever a cumprir.” Ela traduz em imagem o tipo de experiência que só a natureza e a quietude conseguem provocar: “Quando estou dentro daquele rio, contemplando aquela montanha gigantesca… o Céu vem à mente e tudo valeu a pena.” Esther destacou o cardápio do acampamento: “Ah, eu amei o cardápio. Noite de pizza, noite de massas, noite do milho.” E reforçou como esse período fortalece o senso de pertencimento: “Ajuda demais… dá vontade de morar junto.”
O que fica depois do feriado

O valor de um retiro está no que permanece: o efeito da convivência. Amizades que começam, reconciliações que acontecem, decisões espirituais que se firmam e um desejo real de manter viva a comunhão construída ali.
Em Brasília e no Entorno, retiros como os do Sudoeste e de Campos Belos mostram que, quando a igreja se une para orar, conversar e servir, volta mais forte. E, muitas vezes, volta diferente: mais acolhedora e com a fé renovada para anunciar as boas novas de salvação, o ano inteiro.
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