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Ele me abraçou

Em meio ao pânico, quando a mente e o corpo queriam desistir e eu achava que não era capaz, Deus me abraçou


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Um sonho realizado, uma gravidez tranquila, um parto que marcou minha história e memória. (Foto: Carol Melo)

Era somente mais uma consulta de pré-natal, às 07h de uma quinta-feira pós feriado de carnaval. Era uma gravidez sem intercorrências e com muitos elogios pelo desenvolvimento gestacional. Mas algo não estava normal, e isso era perceptível. Quase dava para sentir a tensão no ar naquele dia.

A consulta virou uma corrida contra o tempo em busca de exames específicos. E, mesmo que ao longo da gestação eu afirmasse que estava tudo bem se fosse realmente necessário passar por uma cesárea, eu não estava pronta para ouvir que, naquele momento, o parto normal estava fora de cogitação.

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Na semana anterior, em vez de contrações de treinamento, senti dores tão fortes que pareciam me cortar por dentro. Eu e meu esposo fomos à emergência para uma avaliação e tivemos a confirmação de que quase tudo estava bem, mas eu precisava descansar e me hidratar.  

Havia tanta coisa para pensar. O medo, que antes parecia estar distante, começou a chegar devagarinho e ganhar um espaço que não pertencia a ele. Mas eu ainda tinha a certeza de que Deus estava cuidando da gente, ou eu esperava isso.

Será que chorei?

Os exames durante a consulta, que era para ser somente mais uma do calendário de pré-natal, confirmaram que eu passaria por uma cesárea de emergência. Diante disso, eu só sabia chorar. E um medo irracional começou a tomar conta de mim quando afirmaram que meu marido não poderia entrar na sala de cirurgia.

Enquanto aguardava, fui ligada a vários aparelhos e deveria apertar um botão a cada mexida que meu bebê desse. Sabe quantas vezes apertei? Nenhuma. O aparelho externo de batimentos cardíacos não registrou o som rápido e agitado do coraçãozinho do meu bem mais precioso.

E então, a hora chegou. As enfermeiras me colocaram em uma maca, meu marido só pôde me acompanhar até certo ponto de um corredor que parecia infinito e pequeno ao mesmo tempo. Fiquei sozinha com meu bebê.

Durante a gestação, registramos muito momentos e aproveitamos cada etapa. (Foto: Carol Melo)

Um abraço diferente

Naquela sala enorme, repleta de luzes brancas, dois incríveis cirurgiões cuidadosos e divertidos estavam à frente de uma grande equipe que me transmitia segurança. Entretanto, esse sentimento só durou até o anestesista chegar com aquela temida raquianestesia.

A partir dali, não conseguia me acalmar. Pedia ao meu corpo para relaxar e nada acontecia, até que alguém me abraçou. Foi um abraço leve e duradouro.

Quando dei por mim, já estavam me deitando, prendendo meus braços e eu lembro de perguntar para a enfermeira quem me abraçou. Ela me disse que ninguém tinha feito isso.

Eu não senti a anestesia, mas sim um abraço de calma, de fé, de segurança, de amor. Eu senti alguém me abraçando, mas não havia ninguém ali. A partir daquele momento, meu coração ficou em paz e eu pude ouvir um chorinho tão único e a voz do médico dizendo: “É uma princesa, e é um milagre.”

Aurora chegou perfeita, trazendo a realização de um sonho e muita gratidão a Deus. (Foto: Arquivo Pessoal)

Sim, Ele me abraçou

Não tenho a menor dúvida de que Deus me abraçou. Ele trouxe a calma e a paz que eu precisava para enfrentar um momento difícil, em que minha mente já havia desistido e meu corpo só tremia. Não havia mais controle humano. Mas o Senhor sabia o quanto eu necessitava dEle.

Ele nunca esquece da gente, mesmo quando não estamos 100% no caminho certo. Deus sempre dá um jeito de nos encontrar e essa é a parte mais incrível de ser Sua filha: saber que sempre teremos para onde voltar e um abraço para nos acalmar.

Inclusive, uma das primeiras visitas que recebemos foi a de irmãs da Igreja Adventista Central de Brasília, que estavam fazendo uma ação social na maternidade. Elas oraram, conversaram e fortaleceram meu desejo de nunca mais soltar a mão desse Pai misericordioso.

E a cada ano, no dia 2 de março, me lembro desse inesquecível abraço.


Maita Torres é jornalista, nasceu e vive até hoje em Brasília, no Distrito Federal. É casada e mãe da Aurora, de nove anos.