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Fundador da Sociedade Criacionista Brasileira morre aos 96 anos

Engenheiro, professor da USP e ex-diretor científico da Fapesp, Ruy Carlos de Camargo Vieira dedicou mais de cinco décadas à divulgação do criacionismo no País


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Durante décadas, o doutor Ruy Vieira ajudou a expandir a visão criacionista e moldou uma geração de pessoas interessadas pela visão bíblica e científica do assunto (Foto: Reprodução/YouTube)

O fundador da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), doutor Ruy Carlos de Camargo Vieira, veio a óbito na tarde desta sexta-feira, 17 de julho, em Brasília, onde residia. Aos 96 anos, permanecia ativo como presidente histórico da instituição, que teve início em 1972 para difundir o criacionismo bíblico sob a perspectiva científica.

Nascido em 1930 na cidade de São Carlos, no interior paulista, cresceu em um lar sem prática religiosa. Considerou-se ateu até o fim da graduação, na década de 1950, quando conheceu a Bíblia, teve contato com o criacionismo e compreendeu a importância da observância do sábado, vindo a tornar-se adventista do sétimo dia.

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Sua história à frente da Sociedade Criacionista Brasileira teve início em 1971, após descobrir que havia uma sociedade de pesquisa criacionista nos Estados Unidos e constatar a escassez de literatura sobre o assunto em língua portuguesa. Assim, no final daquele ano, começou a traduzir conteúdos diretamente do inglês, em casa. A partir disso, em 1972 funda a SCB e publica o primeiro número da Folha Criacionista, hoje Revista Criacionista.

Ele presidiu a entidade durante 45 anos após traduzir, editar e preparar inúmeros livros e artigos que integram o catálogo da SCB, além de expandir a presença da instituição para diversos polos espalhados pelo Brasil. Também foi responsável por mentorear profissionais e ampliar o debate sobre o criacionismo em escolas, universidades, comunidades religiosas e no meio científico. Uma de suas marcas foi resgatar a história de Guilherme Stein Jr, o primeiro adventista batizado no Brasil, primeiro editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB) e pioneiro no estudo do criacionismo no País.

Além da produção de artigos e livros, ele também recebia e guiava quem visitava o centro cultural da SCB (Foto: Mauren Fernandes)

Como escritor, Vieira produziu Vida e Obra de Guilherme Stein Jr.: Raízes da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil e A Época e a Obra Pioneira de Guilherme Stein Jr., além de títulos de divulgação como A Semana da Criação e Perguntas e Respostas sobre Criacionismo e Evolucionismo.

Criou em Brasília a sede e centro cultural da SCB, que anualmente recebe centenas de pessoas para conhecer objetos e evidências criacionistas encontradas ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Uma formação baseada na ciência

A trajetória de Ruy Vieira vai muito além do criacionismo, principal assunto pelo qual se tornou amplamente conhecido. Engenheiro mecânico e eletricista formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1953, no ano seguinte tornou-se professor no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em julho de 1956 começou a lecionar na USP de São Carlos, vindo a tornar-se livre docente e catedrático. No ano de 1970 passou a dirigir o Departamento de Hidráulica e Saneamento, onde fundou um programa de pós-graduação que hoje é considerado referência nacional na área, além de participar da criação do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada da Escola de Engenharia de São Carlos.

Ao longo da carreira também integrou a Comissão de Especialistas de Ensino de Engenharia do Ministério da Educação (MEC); foi diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de 1979 a 1985; ainda representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira e foi membro do Conselho Federal de Educação.

Reconhecimento

“O doutor Ruy deixa um enorme legado para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ele dedicou a vida a estudar e mostrar a coerência entre a narrativa bíblica e as evidências científicas. Seu trabalho tem uma relevância enorme para aqueles que buscam compreender a Deus como criador do universo e regente das leis naturais. Ele foi um homem incansável, um grande estudioso e formador de uma geração de pesquisadores criacionistas comprometidos em dar continuidade àquilo que ele começou”, sublinha o pastor Stanley Arco, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia para oito países da América do Sul. “Mesmo diante da dor do luto vivida por aqueles que aqui permanecem, a promessa de Cristo em João 11:25 logo se cumprirá.”

O doutor Francislê Neri de Souza, diretor do Geoscience Research Institute (GRI) para a América do Sul, lamentou a perda e destacou que Ruy foi um “exemplo de que o rigor acadêmico e a fé na Palavra de Deus não são excludentes, mas complementares quando conduzidos com ética e excelência. Ele foi o modelo do cientista que compreendeu que a verdadeira investigação da natureza aponta, inevitavelmente, para o seu Criador.”

O diretor da Educação Adventista para oito países da América do Sul, doutor Antônio Marcos Alves, ressaltou que a visão pioneira do cientista foi um dos pilares mais robustos no fortalecimento da identidade confessional e pedagógica da rede de ensino. “A vasta literatura produzida sob sua liderança — incluindo livros didáticos, revistas de divulgação e periódicos científicos de alto nível — forneceu aos nossos estudantes e professores o arcabouço intelectual necessário para harmonizar a excelência acadêmica com as verdades bíblicas. Seu legado continua vivo em cada estudante que hoje contempla a natureza e reconhece a assinatura do Criador”, pontuou.

Em seu blog, o pastor, jornalista e vice-presidente da SCB, Michelson Borges, fez uma publicação que ressalta o trabalho do pioneiro e relembra momentos significativos da influência exercida por ele.

“Conheci-o quando ainda era um jovem jornalista que havia acabado de abandonar o evolucionismo e abraçar a cosmovisão criacionista. Escrevi uma apostila reunindo os argumentos que me convenceram da confiabilidade do relato bíblico da criação e, sem muita expectativa, enviei aquele material ao Dr. Ruy. Algum tempo depois, o telefone tocou. Era ele!”, conta.

“Em vez de uma resposta protocolar, dedicou longos minutos para comentar o texto, apontar correções, oferecer sugestões e, acima de tudo, encorajar aquele jovem autor que mal imaginava os caminhos pelos quais Deus o conduziria. Aquele gesto simples jamais saiu da minha memória. Anos mais tarde, aquela apostila amadureceu e se transformou no livro A História da Vida, impresso pela Casa Publicadora Brasileira. Posso dizer, sem exagero, que o incentivo do Dr. Ruy fez parte dessa história.”

O sepultamento ocorrerá às 15h deste sábado, 18 de julho, no Campo da Esperança, capela 7, em Brasília.

Entenda mais sobre a Sociedade Criacionista Brasileira aqui.


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