Jovens criam grupo de estudos para aprofundar conhecimento bíblico
Testemunho apresentado no Maranata São Paulo evidencia como encontros nas casas fortaleceram a comunhão de jovens adventistas.

O corpo precisa de alimento para sobreviver. Mas, para Wesley Jaguszewsky, ancião jovem da Igreja Adventista Central de Osasco, em São Paulo, a nutrição vai além daquilo que se come. Ela também envolve o que alimenta a mente, o coração e a vida espiritual.
Foi a partir dessa percepção que nasceu, entre os jovens da igreja, um grupo voltado ao estudo da Bíblia e ao aprofundamento das crenças fundamentais adventistas. O testemunho foi compartilhado durante o Maranata São Paulo, encontro que reúne 8,5 mil jovens adventistas no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), campus Engenheiro Coelho, nos dias 9 a 12 de julho, para momentos de adoração, comunhão, aprendizado e compromisso com a missão.
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Wesley sempre esteve envolvido nas atividades da igreja, especialmente na área audiovisual. No entanto, no fim de 2025, decidiu dar um novo passo e começou a ajudar também na liderança do Ministério Jovem.
Na Igreja Adventista Central de Osasco, os jovens já participavam ativamente das atividades eclesiásticas. Eles frequentavam a Escola Sabatina, os cultos e promoviam projetos sociais e ações missionárias. Ainda assim, ao participar de treinamentos de liderança do Ministério Jovem, Wesley percebeu que havia uma necessidade mais profunda de conexão e fortalecimento espiritual. Faltava, segundo ele, uma atenção maior à nutrição espiritual.
Necessidade e estudo
Para explicar a percepção, Wesley faz uma comparação simples. Assim como arroz e feijão sustentam o corpo, mas não oferecem todos os nutrientes de que uma pessoa necessita, a vida espiritual também exige mais do que uma rotina básica de participação. “O jovem que lê a lição da Escola Sabatina e frequenta os cultos regularmente, de certa forma, está sendo sustentado. Mas precisamos de outros nutrientes que fortaleçam de fato a nossa fé”, diz.
A partir dessa conclusão, o grupo decidiu reunir jovens para estudar a Bíblia com mais profundidade.

O pequeno grupo, como são conhecidos, na Igreja Adventista, os cultos nos lares, começou em dezembro de 2025. Os encontros acontecem semanalmente ou, quando não é possível, a cada 15 dias. A proposta nasceu em um contexto em que muitos jovens tinham dúvidas sobre temas bíblicos, doutrinas e crenças fundamentais da Igreja Adventista.
Para guiar os encontros, o grupo passou a utilizar o estudo bíblico Maranata, material voltado ao aprofundamento e compreensão bíblica entre jovens adventistas.
A iniciativa não foi pensada apenas para quem estava começando a caminhada cristã. Para Bruna Dantas, amiga de Wesley, os encontros ajudaram a despertar uma busca mais intencional pelas razões da fé. “Eu cresci na igreja, mas não tinha essa vontade de ir atrás, de saber por que a gente crê nisso ou naquilo. Quando começamos a estudar com intenção, percebemos como é difícil viver sem isso. Agora entendemos que é o pão de cada dia mesmo”, ressalta.
Sede da Palavra
À medida que os estudos avançaram, os participantes passaram a perceber que ainda havia muito a aprender. O que começou, por exemplo, como uma resposta a dúvidas pontuais de Marcone Almeida, se tornou uma experiência de crescimento espiritual contínuo. “Eu não sabia que precisava saber tanto. E quanto mais a gente se aprofundava nos temas, mais sede de conhecimento eu tinha. Essa experiência tem sido incrível para mim”, comenta o jovem.

Para Wesley, esse processo confirmou que esse assunto não pode ser tratado como algo secundário na vida cristã. “Hoje eu percebo que o estudo da Bíblia não é opcional. É, de fato, nutrição”, acrescenta.
Em meio à rotina corrida e intensa de São Paulo, o grupo decidiu adotar um formato itinerante. A cada encontro, os jovens se reúnem na casa de uma pessoa diferente. No início, Wesley imaginou que alguns poderiam se sentir incomodados ou invadidos pela proposta, mas a experiência revelou o contrário. Segundo ele, as famílias passaram a receber o grupo com alegria, pois, ao abrirem as portas de casa, também abrem espaço para a comunhão com Deus.
Comunhão
A dinâmica de ir de casa em casa aproximou os jovens e fortaleceu o vínculo entre eles. “Hoje está todo mundo tão isolado, e esse acolhimento tem sido incrível na minha vida. A gente vai fazendo parte da vida um do outro e, juntos, trazendo Jesus para o centro das nossas vidas”, lembra Marcone.
Para Bruna, a experiência mostra que o crescimento espiritual não precisa acontecer de forma solitária. “Estamos nos nutrindo juntos. É como se fosse um grande banquete espiritual. O céu é logo ali e nós estamos caminhando unidos”, emociona-se.
Embora tenha surgido para atender a uma necessidade dos jovens da igreja, o pequeno grupo também transformou a vida de quem ajudou a iniciar o projeto. Para Wesley, liderar esse movimento ampliou sua compreensão sobre discipulado, comunhão e compromisso com a Palavra de Deus. “Esse despertar que houve na minha igreja com os jovens não mudou só a vida deles. Mudou a minha vida também”, conclui Wesley.
