Com becas batismais em mãos, pastores saem em busca de quem se afastou da igreja
Projeto Reencontro 2026 no sudoeste baiano desafia cada pastor a procurar individualmente alguém afastado da igreja e fazer um apelo direto pelo retorno
O Projeto Reencontro chega este ano com uma proposta diferente de tudo o que já foi feito nas edições anteriores. Lançada durante o Concílio Pastoral e reforçada nos Pequenos Grupos de Pastores (PGPs), a iniciativa tem o propósito de reconectar pessoas que se afastaram da igreja ou que vivem um período de desânimo espiritual.
O objetivo é restaurar a comunhão daqueles que, por motivos pessoais, familiares ou em decorrência de crises na fé, interromperam sua participação na vida da igreja, oferecendo-lhes uma nova oportunidade de reencontro com Deus.
De acordo com o pastor Geovanio Melros, secretário executivo da Missão Bahia Sudoeste, o grande diferencial desta edição está em três frentes de apoio entregues pessoalmente a cada pastor: um kit com 50 dicas práticas para fortalecer as ações evangelísticas do Projeto Reencontro, um catálogo com mais de 15 propostas de decoração para as igrejas e duas becas de batismo, como incentivo à preparação para as cerimônias.






Além de contar com as ações do projeto já conhecidas e programações coletivas nos templos, a liderança do campo propôs uma nova estratégia, centrada no relacionamento pessoal. Cada pastor recebeu a missão de visitar uma pessoa que deixou de frequentar a igreja. Durante esse encontro, o convite para retornar à comunhão seria feito de forma direta, acolhedora e pessoal, reforçando que cada vida continua sendo importante para a igreja.
O Reencontro de Jamilly
O pastor Emerson Oliveira colocou o desafio em prática em Luís Eduardo Magalhães. Ele escolheu visitar Jamilly, jovem que havia se afastado da igreja durante um período de crise pessoal, e fez o apelo pessoalmente, com beca em mãos.

O resultado confirmou o potencial da estratégia. Jamilly, que havia sido batizada aos 10 anos de idade, relata que, na juventude, um relacionamento a afastou progressivamente da fé. Período que ela descreve como de intenso sofrimento:
"Conheci um lado da vida que eu não conhecia, de dores e sofrimento, ansiedade, traição e decepção. Foi quando eu comecei a pedir socorro para Deus."
Mesmo distante da igreja, Jamilly conta que nunca deixou de orar, sustentada por uma certeza que carregava desde a infância:
"Eu sempre tive Deus como Pai."
A mudança de Arapiraca (AL) para Luís Eduardo Magalhães tornou-se o ponto de virada em sua trajetória:
"Eu sentia como se Deus estivesse programado tudo aqui para mim, como se Deus estivesse só me esperando chegar."
Na nova cidade, Jamilly reconstruiu a vida profissional, formou uma nova família e conheceu uma Igreja Adventista no bairro Jardim Paraíso: a Comunidade Viva, que a acolheu sem julgamentos: experiência que descreve como decisiva para sua decisão de se rebatizar:
"Me deram a liberdade de fazer parte dos ensaios do ministério de louvor isso resgatou a minha essência."

O rebatismo, que aconteceu após a visita e apelo pastoral, selou o que ela descreve como um reencontro com Deus e consigo mesma:
"Me encontrei, me tornei a Jamilly de antes. Foi uma cerimônia linda e emocionante. Hoje o desejo do meu coração é ter uma família que serve ao Senhor. É oferecer aos meus filhos o mesmo que meus pais me ofereceram: o verdadeiro evangelho.
Intencionalidade e continuidade
Embora o dia 25 de julho, último dia da Semana de Oração Jovem, concentre a programação oficial do Reencontro, o trabalho de resgate de membros afastados não se encerra nessa data. De acordo com o pastor Geovanio Melros, a proposta é que as visitas, os contatos pessoais e os apelos continuem ao longo de todo o ano, em cada distrito do território.

Em edições anteriores, o Evangelismo Reencontro já registrou, em nível nacional, batismos e o retorno de famílias inteiras à comunhão da igreja em diferentes regiões do país. Para a liderança da Missão Bahia Sudoeste, o desafio agora é manter esse movimento vivo para além da data-base de julho.
A expectativa é que cada pastor, dentro da realidade do seu distrito, siga levando adiante esse convite ao reencontro. Visita após visita, conversa após conversa, apelo após apelo, a igreja é chamada a procurar, acolher e lembrar a cada pessoa afastada que ela ainda tem um lugar importante em sua comunidade de fé.