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Adventista frequenta Riachão há 70 anos

Aos 89 anos, participante preserva lembranças de uma campal marcada pela simplicidade, pela amizade e pela esperança


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Joaquim Alves de Oliveira é adventista desde a infância e participa da Campal Riachão há 70 anos. Foto: Leandro Oliveira.

Alguns lugares permanecem dentro da gente mesmo quando o tempo transforma a paisagem, encurta as distâncias e muda os caminhos. Para Joaquim Alves de Oliveira, o Riachão é assim. Mais do que um ponto no mapa, tornou-se o lugar para onde a fé sempre encontrou uma forma de voltar.

Nascido em 1936, em Jaraguá, cidade localizada na região central de Goiás, Joaquim cresceu em uma família adventista. O evangelho chegou à sua casa por meio de Domingos Costa, um dos pioneiros do adventismo no Riachão e em outras cidades de Goiás. “Meus pais eram adventistas e foi o senhor Domingos Costa que pregou para o meu pai e foi assim que a nossa família conheceu melhor a mensagem”, conta.

Joaquim Alves de Oliveira conversou com nossa equipe de reportagem durante comemorações dos 70 anos do Riachão. Foto: Leandro Oliveira.

Primeira vez no Riachão

A primeira viagem ao Riachão aconteceu em 1956, justamente para participar da primeira edição da Campal Riachão. Joaquim ainda era jovem e solteiro quando partiu com a família em um dos três caminhões que transportavam participantes de diferentes cidades. “Nós viemos de caminhão e, quando chegamos perto da serra, ainda gastamos quase um dia para alcançar o acampamento. Tinha que cortar os barrancos e passar o caminhão pelo córrego. Foi difícil, mas nós chegamos”, lembra.

A estrutura era simples, mas a recepção ficou guardada na memória. Não havia restaurantes nem alojamentos preparados para receber os visitantes. As refeições eram compartilhadas e os homens dormiam na própria igreja (atual museu), com o chão coberto por palha de arroz. “A recepção foi maravilhosa. Nós comíamos com o pessoal daqui. Eles preparavam o boião para todo mundo. Foi bom demais. Orávamos juntos e tínhamos muitos momentos de estudo da bíblia”, explica Oliveira.

As mensagens apresentadas naquela primeira campal também marcaram Joaquim. Ele se recorda especialmente da participação dos pastores Arnoldo Ruthes e Paulo Seidl. “A programação foi muito boa. O pessoal se emocionava e chorava durante os sermões, porque a mensagem tocava o coração.” Ao final do encontro, a edição seguinte já estava marcada. “Nós saímos de lá sabendo que no outro ano teria de novo. Desde então, quase nunca falhei”, recorda.

Joaquim Alves de Oliveira e uma de suas filhas durante a Campal Riachão. Foto: Leandro Oliveira.

Espaço de reencontros

Ao longo das décadas, o Riachão passou a representar mais do que uma programação religiosa. Tornou-se espaço de reencontro, amizade e renovação da esperança. “Aqui a gente ouve a Palavra de Deus, conhece pessoas e encontra irmãos que fazem parte da nossa caminhada. Eu sempre gostei muito da amizade e da convivência com o povo”, destaca.

Hoje, aos 89 anos e viúvo, Joaquim continua chegando ao Riachão com o desejo de aprender e fortalecer a fé. “Eu venho para ouvir coisa boa, crescer mais e conhecer novas pessoas. A mensagem de Jesus Cristo sempre me manteve firme.” O tema Rumo ao Lar resume a esperança que ele carrega há toda uma vida. “Nosso objetivo é alcançar o Céu. Lá não tem morte nem confusão. Nós vamos encontrar Jesus, que é o nosso Pai amado”, resume.

Joaquim Alves de Oliveira conheceu e conviveu com pioneiros adventistas. Foto: Leandro Oliveira.