Pioneiros do Riachão fizeram a esperança atravessar gerações em Goiás
A história de Francisco e Leonor Nunes revela como a busca por segurança se transformou no início de um movimento missionário que alcançou toda a região

Antes de se tornar um lugar de encontros, celebrações e grandes decisões de fé, o Riachão foi o refúgio escolhido por uma família que procurava paz. A trajetória de Francisco Nunes e Leonor Fernandes Nunes mostra como uma decisão motivada pela proteção dos filhos se transformou no início de uma história que atravessou décadas e alcançou milhares de pessoas.
Essa história foi apresentada durante a edição comemorativa dos 70 anos da primeira Campal do Riachão, realizada originalmente em 1956. O encontro aconteceu em Uruaçu, no norte de Goiás, e reuniu cerca de 3 mil pessoas. O pastor Fernando Rios, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Goiás, conduziu o público por uma viagem às origens da presença adventista na região, dando voz aos pioneiros e mostrando como Deus transformou uma mudança familiar em um movimento missionário.

Coluna Prestes
A narrativa começou em um período de instabilidade provocado pelos conflitos relacionados à Coluna Prestes. Francisco vivia com Leonor e os filhos em uma casa confortável. Tinha trabalho, estabilidade e influência familiar. Mesmo assim, percebeu que permanecer naquele lugar poderia colocar todos em risco. “Nós não podemos continuar aqui. Nossos filhos correm perigo. Precisamos encontrar um lugar onde possamos viver com segurança”, relembrou Fernando Rios durante a apresentação.
Deixar tudo para trás não foi uma escolha simples. A família precisaria abandonar uma vida já construída e caminhar em direção ao desconhecido. Francisco começou então a percorrer as terras da região. Seguiu por caminhos difíceis, algumas vezes a cavalo e outras a pé. Subiu montanhas, atravessou vales e observou rios e pastagens até encontrar um lugar onde pudesse recomeçar a vida com a família.
Depois de dias de procura, ele chegou a um vale cercado por colinas, com água abundante, natureza preservada e espaço para criar animais. O local parecia reunir tudo o que a família necessitava. “Aqui eu tenho água, tenho pasto, posso construir uma casa e trazer a minha família”, declarou Fernando Rios ao representar o sentimento que teria tomado o coração de Francisco diante daquelas terras.

Família e novas terras
Francisco retornou para buscar Leonor, os filhos, os animais e os bens que possuíam. Na nova terra, iniciou a construção da casa e retomou o trabalho com a criação de animais. Aos poucos, aquele vale se tornou o lar dos Nunes. Para Francisco, o objetivo parecia alcançado. Ele havia encontrado tranquilidade para cuidar da família. A história, porém, estava apenas começando.
“Francisco buscava paz para a sua família, mas Deus queria oferecer paz para a sua alma. Ele procurava uma fazenda para recomeçar a vida, mas Deus estava preparando um lugar onde a esperança seria anunciada”, afirmou Fernando Rios. O espaço escolhido como refúgio se transformaria em uma comunidade e, mais tarde, em uma referência para a proclamação da mensagem adventista sobre a breve volta de Jesus.
Foi naquele lugar que Francisco Nunes teve contato com a Palavra de Deus e conheceu a mensagem adventista. Ele se tornou o primeiro batizado da comunidade do Riachão. A partir de sua decisão, outras pessoas também aceitaram o evangelho. A fé passou de casa em casa, alcançou novas famílias e ultrapassou os limites da fazenda. O testemunho dos primeiros conversos ajudou a formar uma rede de esperança que se multiplicou por toda a região.

Riachão e legado
Para Ana Amélia, de 56 anos, que frequenta a Campal do Riachão há 35 anos, conhecer essa história fortalece a fé das novas gerações. “Recordar como os pioneiros chegaram até aqui e como o Espírito de Deus os conduziu nesta jornada de fé nos ajuda e nos motiva a sermos ainda mais fiéis. Não é apenas o local, mas o exemplo deles neste lugar que nos fortalece a buscar Jesus e a viver mais próximos de Deus”, afirmou.
José Antunes dos Santos frequenta o Riachão há mais de 40 anos e mantém com o local uma ligação construída desde a infância. “Eu venho aqui desde criança com meus pais. Vir ao Riachão faz parte das nossas férias. Poder conhecer mais sobre os pioneiros e compreender como eles chegaram até aqui é gratificante. Só pode ter sido Deus guiando cada um deles. O local é privilegiado pela natureza e fica distante da cidade. Aqui, realmente encontramos Deus em meio à natureza”, declarou.

Homenagem aos pioneiros
Um dos momentos mais emocionantes da programação foi a homenagem à família Nunes. Osvair Nunes, neto de Francisco e Leonor, foi chamado ao palco para representar os descendentes dos pioneiros. Ele recebeu um certificado de reconhecimento pelo legado de fé, coragem e compromisso missionário deixado pela família. “Graças a Francisco Nunes, à sua família e a outros pioneiros, o evangelho eterno se espalhou por toda esta região”, afirmou Fernando Rios diante do público.
Setenta anos depois da primeira edição, a Campal do Riachão continua sendo um testemunho vivo daquela semente. O lugar procurado para proteger uma família tornou-se ponto de encontro para milhares de pessoas. A mensagem que chegou de forma simples às terras do Riachão multiplicou-se em igrejas, comunidades, projetos missionários e novas gerações. A história dos pioneiros permanece como um chamado para que cada pessoa também faça de sua vida um instrumento de esperança e anuncie que Jesus em breve voltará.