Após quase 30 anos acompanhando a mensagem adventista, costureira realiza sonho do batismo em São João da Barra
Influenciada pela Rádio Novo Tempo e por estudos bíblicos iniciados ainda na juventude, Cleide Azevedo Maciel decidiu entregar a vida a Cristo durante programação da Caravana do Ministério da Mulher

Foi em 1997 que Cleide Azevedo Maciel, costureira, fez seu primeiro estudo bíblico. Na época, ainda adolescente, ela ligava o radinho enquanto costurava e sintonizava a Rádio Novo Tempo de Campos, onde ouvia, todos os sábados, a mensagem do pastor às onze horas. Quase trinta anos depois, durante a Caravana do Ministério da Mulher, em Grussaí, distrito de São João da Barra, ela se batizou, realizando seu sonho de fazer parte da família adventista.
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Criada em uma igreja evangélica, Cleide já havia se batizado ainda jovem, com a consciência de que estava entregando sua vida a Cristo. Mas as mensagens que ouvia pelo rádio foram, ao longo dos anos, revelando contrastes entre o que ela lia na Bíblia e o que vivia na prática. “Os mandamentos são claros. Eu ia à igreja no domingo, sendo que o mandamento era guardar o sábado, e isso me incomodava”, contou.
Decidida a não se guiar pela opinião de quem já tinha uma posição formada, ela escolheu buscar diretamente a Deus. “Pensei: se eu buscar um pastor, ele vai dizer que a igreja dele está certa. Vou buscar aquele que não mente, que é Deus.” A resposta, segundo ela, veio aos poucos, primeiro com a decisão de parar de costurar no sábado, depois com a rotina de se sentar perto do rádio, sempre às onze horas, para ouvir o pastor Alejandro Bullon, a quem hoje considera seu pai na fé.


Anos de espera e um caminho interrompido
A caminhada de Cleide, no entanto, não foi linear. Um relacionamento com um rapaz católico a impediu de frequentar a igreja evangélica por anos. “Fiquei afastada o tempo todo da igreja, mas a fé continuou no meu coração.” Foi somente com o fim desse relacionamento que ela viu a oportunidade de retomar o caminho que sempre quis seguir. “Foi uma das primeiras coisas que eu fiz: buscar a igreja. Porque a Deus eu sempre busquei. Queria fazer parte desse lar cristão, que é a Igreja Adventista.”
O pastor Luiz Fernando de Souza, do distrito de São João da Barra, conheceu a história de Cleide por meio de um primo dela, já membro de uma de suas igrejas e que também havia sido influenciado por ela em sua decisão pelo batismo. Quanto mais conhecia a trajetória de Cleide, mais se encantava. “O que mais me impressiona é a resiliência da sua fé. Mesmo sob uma perseguição declarada, ela se manteve firme naquilo que estava aprendendo nas Escrituras. Nada calou sua fé”, afirmou.



O dia do batismo
Para o pastor, ver Cleide finalmente tomar a decisão, depois de tantos anos, foi um momento de pura alegria. “Ela extravasava alegria. A Cleide esperou por isso por muito tempo. O olhar dela era como de uma criança que finalmente estava ganhando um presente que havia pedido muito, isso fica muito nítido ao ver as fotos da cerimônia.”
A própria Cleide resumiu o que sentiu no grande dia. “Estou feliz por poder obedecer ao Senhor, por poder obedecer aos seus mandamentos completamente. Que ele me capacite cada dia mais a permanecer fiel.”
Para o pastor Luiz Fernando, a história de Cleide ilustra algo maior do que uma trajetória pessoal. “Não é possível medir o impacto que um folheto, uma música, ou um inofensivo programa de rádio pode causar na vida de uma pessoa. Que o Espírito Santo use todos os meios para revelar o amor de Cristo a todos os corações.”
Ele observa ainda que casos como o de Cleide revelam a existência de uma “igreja invisível”, pessoas que adoram a Deus discretamente, por vezes por medo, mas que, no tempo certo, decidem se revelar. “São pessoas que estão bebendo da água da Vida, mas ainda escondidas pelos mais variados motivos. No momento preparado por Deus, sairão a proclamar as virtudes dAquele que os chamou das trevas para Sua maravilhosa luz.”



Parte de um movimento maior
A decisão de Cleide aconteceu durante a Caravana do Ministério da Mulher, momento de maior intensidade do mês do evangelismo feminino, realizado em junho em igrejas de todo o território da Associação Rio Fluminense (ARF). Para Maria Eduarda Custódio, líder do ministério na ARF, histórias como essa traduzem o verdadeiro propósito do movimento. “Os resultados aparecem nas vidas transformadas: pessoas que voltaram para a igreja, decisões pelo batismo, mulheres que descobriram seu papel na missão”, afirmou.
O pastor Felipe Andrade, presidente da ARF, reforça que casos como o de Cleide mostram a missão da igreja em sua forma mais completa. “Os batismos celebram decisões ao lado de Cristo. Tudo isso demonstra que a igreja existe para servir e salvar”, disse.