Educação que deixa marcas: irmãs voltam 12 anos depois para contar os frutos deixados pela Escola Adventista
Maysa, hoje estudante de Direito, e Noemy, recém-formada no Ensino Médio, participaram de um reencontro emocionante durante concílio que reuniu mais de 180 educadores adventistas em Tatuí.

Maysa Silva, 21, é estudante de Direito em Araçatuba, no interior de São Paulo. Há 12 anos, quando morava em Ji-Paraná (RO), foi personagem de um vídeo gravado pela Educação Adventista na região Noroeste do Brasil. Na época, ela e a irmã, Noemy Silva, receberam uma bolsa para estudar na escola adventista local.

Vindas de uma família simples, com muita dificuldade, os pais se esforçavam para adquirir anualmente os livros e materiais necessários para o estudo e para levá-las todos os dias à escola, andando cerca de 4 km de bicicleta. “A primeira vez que eu levei elas à escola de bicicleta, eu fiquei pensando... 'será que eu tô fazendo o certo?!' Mas, com o passar dos dias, vendo o aprendizado delas, eu não fiquei mais nem um pouco intimidado”, relatou o pai, na entrevista concedida 12 anos atrás.
Agora, já adulta, a garota reconhece todo o esforço dos pais. O vídeo testemunho foi resgatado e exibido em um evento que reuniu diretores, coordenadores, orientadores e tesoureiros das escolas adventistas da região noroeste, na última semana. Para deixar a história ainda melhor, após a exibição do vídeo, as duas irmãs subiram ao palco para contar como estava sua vida nos dias de hoje. “Ficamos surpresas com o convite, afinal, já se passaram 12 anos, desde que o vídeo foi gravado. Mas poder contar sobre as marcas que a educação adventista deixou na nossa vida, foi muito gratificante”, conta Maysa que, atualmente cursa o segundo ano de Direito no Centro Universitário UniSaleziano (Araçatuba - SP). Noemy, 18, recém-formada no Ensino Médio, pretende cursar Contabilidade. Ambas seguem atuantes na liderança de sua igreja, bem como os irmãos mais novos e os pais.

Outro momento emocionante foi quando as irmãs tiveram a oportunidade de reencontrar uma das professoras que marcou sua vida na infância. “A professora Vera foi muito importante para nós. Como só tínhamos a bicicleta para ir e voltar da escola, quando estava chovendo, ela nos levava para a casa dela, e a gente esperava a chuva passar e minha mãe buscava a gente lá”, relembra a universitária, que era carinhosamente chamada de 'borboletinha' pela professora.
“Minhas borboletinhas voaram!”, comemorou a professora Vera Galvão, emocionada ao reencontrar com as ex-alunas e perceber como haviam crescido não só fisicamente, mas intelectual e espiritualmente. "Foi uma alegria muito grande. Como professora, é muito gratificante reencontrar duas alunas depois de tantos anos e ver que estão bem, seguindo bons caminhos e construindo suas vidas com valores. Isso nos mostra que, cada história bíblica dramatizada e cada ensinamento valeram a pena. Sou muito grata a Deus por ter sido instrumento nas mãos dEle e por ter feito parte da história delas", reflete.
Concílio de Educação “Marcas de Valor”
Para o líder de Educação na região Noroeste, pastor Marcos Antonio, a história de Maysa e Noemy é uma representação perfeita do tema do evento: “Cada profissional da educação deixa marcas que influenciam vidas para a eternidade. Esperamos que as reflexões e aprendizados deste encontro resultem em escolas ainda mais acolhedoras, missionais, inovadoras e comprometidas com a excelência”, refletiu.

Para alcançar esse objetivo o evento foi organizado com palestras, capacitação, e momentos espirituais. Mais de 180 educadores das 19 escolas dos estados do Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia, estiveram presentes entre os dias 25 e 27 de maio, na Casa Publicadora Brasileira, em Tatuí– SP. A escolha do local também teve um objetivo: aproximar os docentes do espaço e dos profissionais que produzem os materiais didáticos utilizados em sala de aula.
Um dos temas abordados foi sobre importância de incluir no dia a dia das escolas o costume de educar ao ar livre e proporcionar aos alunos momentos em meio à natureza. O professor Francislê Neris de Souza, tem pós-doutoramento em tecnologias aplicados ao ensino de ciências, e abordou o assunto com o objetivo de inspirar os profissionais.

“A ciência e a pedagogia convergem ao mostrar que o contato direto com o meio natural atua como um restaurador cognitivo profundo. Crianças que aprendem ao ar livre apresentam melhora significativa na capacidade de foco, redução drástica nos níveis de estresse e ansiedade, e maior engajamento com os estudos. Além disso, a alienação sensorial de uma sala de aula fechada é substituída por uma rica estimulação motora e afetiva, essencial para o desenvolvimento da criatividade, da autonomia e de uma saúde física robusta”, explica.
Segundo ele, a transição para esse tipo de educação não exige grandes empreendimentos ou reconstruções radicais das escolas. “As instituições podem adotar o que chamamos de 'abordagem Maker Natureza' estruturando hortas pedagógicas, jardins sensoriais e salas ao ar livre onde aulas tradicionais de Matemática, Ciências ou Língua Portuguesa acontecem sob o sol. O segredo está em reestruturar o currículo para que o tempo externo deixe de ser um intervalo ou uma exceção recreativa e passe a ser o próprio laboratório onde o aluno manipula, observa e experimenta o conteúdo de forma integrada e sistemática”, sugere.
Inspiração que gera resultado
Momentos espirituais como a santa ceia, louvores e cultos para meditação matutina e vespertina, marcaram os participantes. A música Marcas de Valor foi composta especialmente para o evento e resumiu a principal mensagem deixada durante os três dias. Confira:
Cristiane Oliveira é coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental 1 e 2, na Escola Adventista de São Jorge, em Manaus. Para ela, o evento foi inspirador: “Pretendo aplicar esses novos conhecimentos no meu dia a dia com um olhar ainda mais atento e sensível para cada aluno, entendendo que por trás de cada um existe uma história e um potencial que precisam ser valorizados. Também quero fortalecer ainda mais o apoio aos professores, para que juntos possamos trabalhar alinhados aos princípios e valores da escola. Esse momento me fez refletir que cumprir metas é importante, mas quando isso acontece com propósito, cuidado e intencionalidade, o impacto vai além da escola: alcança vidas e ajuda a construir futuros. Quero manter esse olhar para o todo, buscando que cada decisão e cada ação contribuam para o desenvolvimento integral dos nossos alunos”, refletiu a docente.

Segundo o pastor Marcos, organizador do evento, o envolvimento dos participantes foi extremamente positivo. Houve interesse genuíno pelos temas apresentados e compromisso em realizar as mudanças propostas. Para o líder, uma das maiores necessidades na Educação Adventista da região, é continuar fortalecendo a cultura de excelência alinhada à missão. Isso inclui o desenvolvimento contínuo das equipes, a inovação nos processos pedagógicos e administrativos, além do fortalecimento da identidade adventista em todas as áreas da escola. "Precisamos preparar nossas instituições para os desafios atuais sem perder de vista nosso propósito eterno", conclui.
