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Pesquisa revela fé sólida e convicções acima de 99% entre novos conversos no Sudeste

Em 2025, quase 17 mil pessoas foram batizadas pela Igreja Adventista nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo


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O secretário executivo da Igreja no Sudeste, pastor Fernando Júnior, apresentou a pesquisa neste domingo, 24 de maio, durante a Comissão Diretiva Plenária. (Foto: Jonny Lucas)

O batismo é apenas o começo. A pergunta que fica é o que acontece depois, quando a fé ainda está aprendendo a conviver com a rotina, as pressões e os relacionamentos do dia a dia. Estudos globais sobre crescimento de igrejas mostram que a maioria das saídas acontece nos primeiros 12 a 24 meses após o batismo. Quem não é acolhido, integrado e acompanhado nessa janela tende a se afastar silenciosamente.

Conhecer a realidade dos novos conversos permite à Igreja agir no momento certo e saber o tipo de suporte que precisa oferecer. Nesse contexto, a Secretaria Executiva da sede da Igreja Adventista no Sudeste conduziu uma pesquisa com 591 membros com até 12 meses de batismo. Os dados foram apresentados neste domingo, 24 de maio, durante a Comissão Diretiva Plenária da União Sudeste Brasileira.

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Dividida em seis grandes áreas, além de constatar como esse grupo se relaciona com as bases teológicas da denominação, a pesquisa apontou desafios na adaptação de temas como estilo de vida e comportamento. Só em 2025, a Igreja Adventista no Sudeste recebeu 16.690 pessoas como novos membros.

Convicções em alta

O número mais expressivo do relatório está no bloco chamado "Minhas Crenças". Quando perguntados sobre os fundamentos doutrinários da Igreja Adventista, os novos membros responderam com consistência.

Praticamente a totalidade acredita que Deus criou o universo e que haverá uma nova terra eterna, ambos com 99,8%. Quase o mesmo percentual afirma que Cristo morreu em nosso lugar (99,7%) e que temos a missão de falar de Jesus (99,7%). O sábado como dia bíblico de descanso é reconhecido por 98,5%, e a Bíblia como Palavra inspirada de Deus, por igual porcentagem.

Em relação às convicções doutrinárias, os índices apresentaram resultados elevados: 93,4% afirmam que Ellen G. White é uma profetisa de Deus. “O que esses números revelam é que o processo de preparo para o batismo tem cumprido seu papel. Os novos membros chegam à Igreja não apenas com um desejo de pertencer, mas com uma compreensão genuína do que acreditam”, destacou o Secretário Executivo da USeB, pastor Fernando Júnior, responsável pela apresentação do relatório.

Mãe e filha batizadas durante a Comissão Diretiva Plenária. Elas já participam de classe bíblica e ajudam em programas da Igreja Adventista de Araruama, região fluminense do Rio de Janeiro. (Foto: Jonny Lucas)

A rotina espiritual

Outro ponto de destaque é a incorporação de práticas espirituais ao cotidiano. A oração pessoal já faz parte da rotina de 92,6% dos entrevistados, sendo o hábito mais consolidado entre todos os avaliados. Em seguida, aparecem o consumo de conteúdos religiosos (81,4%) e a leitura da Bíblia (78,3%).

Isso significa que, para a grande maioria, a prática fé não ficou restrita ao sábado. Ela entrou em casa, nos momentos silenciosos do dia, nas escolhas de entretenimento e leitura. “A fé se fortalece de verdade quando deixa de ser só uma crença e passa a formar parte da rotina, dos hábitos e das decisões de cada dia”, destacou Júnior.

O que mantém os novos membros conectados

A pesquisa também investigou o que exerce influência positiva sobre esses novos adventistas. Os resultados apontam que as pessoas e a comunidade são o coração da retenção.

A música da Igreja aparece em primeiro lugar, com 89% de influência positiva. Logo atrás, as amizades formadas dentro da comunidade (83,8%) e a Escola Sabatina (82,4%), seguida dos professores da Escola Sabatina (80,4%) e do pastor (79,9%).

Veja história de um coral do Espírito Santo que valoriza a música adventista e integra membros antigos, novos, adultos, jovens e adolescentes.

“Esses números contam uma história clara. Quando um novo membro encontra amigos, se envolve no culto e é acolhido pelos programas da Igreja, as chances de ele permanecer aumentam significativamente. A fé floresce onde encontra rosto, voz e convivência”, explicou o pastor Fernando Júnior.

Os desafios para a Igreja

A pesquisa também identifica que as maiores dificuldades dos novos membros não estão nas crenças, que são sólidas, mas na adaptação prática ao estilo de vida adventista.

Estudar diariamente a Lição da Escola Sabatina (59,2%), desenvolver o hábito de estudo bíblico diário (58,5%) e fazer mudanças alimentares (44,8%) figuram entre os itens de adaptação mais desafiadores.

O pastor Fernando Júnior explica que as dificuldades são compreensíveis e que revelam uma jornada real de transformação que precisa de acompanhamento. Para ele, reter não é apenas manter alguém na lista de membros, mas caminhar ao lado dessa pessoa, especialmente nos primeiros meses, quando a fé ainda está aprendendo a respirar no cotidiano.

“A comunhão, o sentido de pertencimento e o envolvimento faz diferença. E isso acontece quando a igreja decide ser, de fato, uma família. Que cada pastor, cada líder, cada membro mais antigo olhe para os novos irmãos e perceba: eles chegaram. Agora é nossa vez de ficar ao lado deles”, concluiu o pastor.

Conheça a história de um casal, recém batizado, que foi acolhido pelos membros adventistas e, hoje, já está estudando a Bíblia com outras pessoas e trabalhando em departamentos da Igreja Adventista de Teófilo Otoni, interior de Minas Gerais.

Comissão Diretiva Plenária

A Comissão Diretiva Plenária, realizada no primeiro semestre, é composta por delegados (pastores, líderes de instituições e membros) da Igreja Adventista do Sétimo Dia dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Ela aprova projetos que impactam diretamente os templos locais. Na edição deste ano, também se apresentam relatórios de diferentes áreas que contribuem com a missão da Igreja. Para conhecer a estrutura administrativa da denominação, clique aqui.