Notícias Adventistas

Voluntariado

Como a diversidade cultural transformou minha visão de mundo e do próximo

A missão em meio à diversidade cultural transforma a forma de ver o mundo, servir aos outros e compreender o amor de Deus.


  • Compartilhar:
diversidade cultural
Jovens de uma Igreja Adventista na Ásia Central, igreja onde tive a oportunidade de congregar durante o tempo em que estive ali. (Foto: Arquivo pessoal)

Desde muito jovem, sonhei em servir a Deus em alguma parte do mundo. Em meu coração, havia esse desejo de sair, conhecer novas realidades e dedicar minha vida à missão. No entanto, para ser sincera, eu não me sentia preparada. Eu só falava espanhol, meu inglês era limitado, e eu nunca havia tido contato próximo com outras culturas. Muitas vezes pensamos que, para servir, precisamos estar completamente prontos ou ter todas as ferramentas, mas aprendi que Deus trabalha de uma maneira diferente: Ele prepara o caminho enquanto caminhamos na fé.

Durante meus anos de faculdade, Deus começou a me preparar de maneiras que, naquele momento, eu não compreendia. Por meio da colportagem, uma iniciativa da Igreja Adventista que consiste em oferecer literatura sobre saúde, família, educação dos filhos e espiritualidade, conheci pessoas de diferentes lugares e contextos sociais.

Leia também:

Essa experiência abriu minha mente para novas realidades. Inclusive, tive a oportunidade de viajar para o exterior e melhorar meu inglês. O que parecia ser apenas mais uma experiência em minha vida, na verdade, fazia parte do plano de Deus para algo muito maior.

Algum tempo depois, trabalhei como professora de inglês, algo que jamais imaginei fazer. Eu não tinha experiência nem formação específica para ensinar idiomas, mas aceitei o desafio e aprendi muito no processo, até mesmo como preparar uma aula. Olhando para trás, entendo que Deus já estava desenvolvendo em mim habilidades que mais tarde seriam necessárias para a missão.

Uma cultura diferente

diversidade cultural
Uma família muçulmana do interior que me recebeu com carinho em sua casa. Em um contexto em que nem sempre é fácil ser convidada para uma casa, conseguimos construir uma amizade e nos comunicar em russo e quirguiz. Uma experiência que somente Deus poderia ter tornado possível. (Foto: Arquivo pessoal)

Quando surgiu a oportunidade de servir como voluntária na Ásia Central por meio do Serviço Voluntário Adventista (SVA), senti que Deus estava respondendo ao sonho que havia colocado em meu coração. Tomei uma decisão que mudou minha vida: renunciei ao meu conforto, despedi-me da minha família, dos meus amigos e embarquei em uma viagem de mais de 17 horas rumo a um lugar completamente desconhecido para mim.

Um dos princípios que aprendi dentro do SVA é que a missão não transforma apenas aqueles que recebem ajuda; ela transforma profundamente aqueles que servem. Muitas vezes pensamos que vamos ensinar, ajudar ou compartilhar algo com outros, mas descobri que Deus também nos envia para aprender.

Ao chegar à Ásia Central, deparei-me com uma cultura completamente diferente da minha. A maneira de pensar, os costumes, a forma de se relacionar e até mesmo o estilo de vida eram distintos. No início, as diferenças culturais podiam parecer barreiras. Houve momentos difíceis porque servir nessa região não era simples; havia restrições e muitas limitações para compartilhar a fé de forma aberta.

Mas foi justamente ali que minha visão de mundo começou a mudar.

O amor de Cristo não tem fronteiras

A diversidade cultural me ensinou a deixar de olhar as pessoas a partir dos meus próprios parâmetros. Aprendi que nem todos expressam amor da mesma maneira, nem todos pensam igual e nem todos cresceram sob as mesmas circunstâncias. Deus começou a me mostrar que Seu amor é muito maior do que as nossas diferenças culturais.

Aos poucos, entendi algo que transformou a minha forma de ver o próximo: as pessoas não são "eles"; são nossos irmãos. Por trás de cada idioma diferente, de cada costume e de cada cultura, existem pessoas com sonhos, lutas, necessidades e um profundo desejo de amor e esperança.

Durante cinco anos servi naquela região e encontrei algo que jamais esperava: uma família longe de casa. Vivi experiências que marcaram minha vida e fui testemunha de muitos milagres e da mão de Deus me guiando em cada etapa.

O próprio Jesus nos ensinou a romper barreiras. Durante o Seu ministério, Ele falou com pessoas de diferentes culturas, atendeu estrangeiros e mostrou que o Reino de Deus não tem fronteiras. Hoje acredito que o SVA continua esse mesmo chamado: construir pontes e refletir o amor de Cristo em qualquer lugar do mundo.

Nosso chamado

Atualmente, continuo servindo a partir do Brasil, na sede sul-americana da Igreja Adventista, na área do Serviço Voluntário Adventista, ajudando outros jovens a realizar o sonho que um dia também foi meu. Nunca imaginei que um dia Deus me chamaria para trabalhar no lugar onde me encontro agora, mas, se algo aprendi ao longo da minha trajetória de vida, é que os planos de Deus são perfeitos, mesmo que não possamos entendê-los.

A missão não apenas transforma lugares; transforma corações. Transformou a minha visão de mundo, transformou a minha maneira de amar ao próximo e transformou a minha própria vida.

Hoje posso dizer com certeza que, quando decidimos responder ao chamado de Deus e servir entre diferentes culturas, não apenas ajudamos a transformar o mundo; Deus também transforma o nosso próprio mundo.


Irene Strong é formada em Comunicação e Mídia pela Universidade de Montemorelos e possui um MBA em Comunicação Corporativa. Sua trajetória integra comunicação, educação e missão, com experiência em comunicação institucional, design estratégico e serviço missionário internacional na Ásia Central. Atualmente, atua como Assessora de Marketing e Comunicação do Serviço Voluntário Adventista na Sede Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Brasília, onde trabalha conectando pessoas a oportunidades de serviço por meio de uma comunicação com propósito.