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Simpósio discute Liberdade Religiosa, Mídia e Poder Público

Evento organizado pela sede sul-americana da Igreja Adventista reuniu estudantes, pesquisadores e líderes da denominação


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Evento contou com painéis temáticos ligados à liberdade religiosa, como política, comunicação e perspectiva internacional (Foto: AICOM)

O Simpósio de Liberdade Religiosa: Direito, Mídia e Poder Público, evento acadêmico e institucional, reuniu representantes de oito países sul-americanos, além de pesquisadores, estudantes e interessados no tema em um encontro realizado nos dias 7 e 8 de maio no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), campus Engenheiro Coelho.

A programação contou com seis painéis temáticos distribuídos ao longo dos dois dias de evento. No primeiro dia, os debates abordaram temas como educação, inteligência artificial e política, sob a perspectiva da liberdade religiosa. Já no segundo dia, as discussões se voltaram ao cenário internacional, com a participação do doutor Nelu Burcea, diretor mundial de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista. O programa também incluiu reflexões sobre a relação entre poder público e o direito à observância do sábado como dia de guarda.

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Para o reitor do UNASP, doutor Martin Kuhn, promover iniciativas como essa é fundamental para fortalecer a valorização da liberdade, estimular o pensamento crítico e ampliar o diálogo entre a academia e autoridades públicas e jurídicas. "A liberdade de expressão é fundamento de muitas constituições de países que respeitam o ser humano, respeitam a crença, respeitam a liberdade de escolha, e nós precisamos seguir protegendo essa liberdade, estudando para que ela se mantenha na sociedade", pontuou. 

Já a coordenadora do curso de Direito do UNASP, doutora Ivelise Fonseca, destaca que a instituição acolheu o projeto por considerar uma oportunidade importante de reunir especialistas e líderes adventistas ligados à área de liberdade religiosa. Segundo ela, "a aproximação entre a administração da Igreja, a academia e a produção científica fortalece o debate sobre um tema reconhecido como direito fundamental garantido pela Constituição Federal."

Entre os participantes estiveram 56 advogados de diferentes nacionalidades, incluindo uma delegação de 11 representantes do Chile, que atuam diretamente em instituições e sedes administrativas da Igreja Adventista em oito países sul-americanos.

Participantes acompanham visita ao MAB durante reuniões do congresso (Foto: AICOM)

Os inscritos também visitaram o Museu de Arqueologia Bíblica (MAB) do UNASP, que foi apresentado pelo doutor Rodrigo Silva. O doutor Nelu Burcea também acompanhou o evento e compartilhou uma mensagem direcionada aos jovens e à comunidade acadêmica do campus Engenheiro Coelho, incentivando os participantes a não se acomodarem diante dos desafios e seguirem firmes em seus propósitos.

Veja os detalhes no vídeo abaixo:

Por que a Igreja Adventista defende a liberdade religiosa?

O pastor Jorge Rampogna, diretor de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista do Sétimo Dia para oito países sul-americanos, explica ao apresentar a ideia do porquê a denominação defende fortemente a liberdade até das denominações que discordam de suas crenças. Ao acreditar que o ser humano foi o único ser criado com a capacidade do raciocínio lógico, a liberdade de crer ou não crer é um dom de Deus. "Não é só sobre mim e no que eu acredito como adventista do sétimo dia, é respeitar a liberdade religiosa daquele que pensa diferente de mim também. Quem somos nós para coagir essa liberdade da outra pessoa em acreditar? Liberdade religiosa não é apenas sobre os nossos direitos", acredita o organizador do evento.

Ele esclarece essa questão exemplificando com o dia de guarda. A Igreja Adventista não defende e fala somente sobre o direito de guardar o sábado, mas também fala sobre os muçulmanos, que enfrentam o mesmo problema com a guarda da sexta-feira, ou dos católicos, que podem estar sendo perseguidos em alguma parte do mundo por guardarem o domingo. Ele esclarece que "nesse aspecto, nós acreditamos que todo ser humano tem realmente a liberdade de escolha e liberdade de expressar a sua fé, porque foi Deus quem estabeleceu isso. Então, é por isso que nós defendemos a liberdade religiosa para todas as pessoas". 

Representantes de oito países da América do Sul se reuniram para debater a defesa da liberdade de crença (Foto: AICOM)

Os desafios contemporâneos

No contexto brasileiro, o pastor Rampogna explica que, por mais que o Brasil seja um país laico que respeita as crenças religiosas e a liberdade de expressão, existem desafios, principalmente ligados à guarda do sábado e à tecnologia. Ele relata que universitários que estudam em faculdades públicas enfrentam dificuldades por seus direitos fundamentais de crença não estarem sendo respeitados. E menciona a dificuldade de funcionários públicos quanto à guarda do sábado, tema que sempre é um dos principais desafios. 

"Nós precisamos parar para refletir e propor um caminho para que psicólogos cristãos e outros profissionais cristãos não tenham limitações para compartilhar sua fé, independente da sua função". Além disso, cita que em um mundo tecnológico regido por algoritmos, os algoritmos têm vieses. "E esses vieses, muitas vezes, fazem com que, em algum momento, certos conteúdos religiosos sejam afetados por uma censura. Então, nós realmente precisamos trabalhar para que isso não aconteça", defende.     

De acordo com o pastor Rampogna, a liberdade é um direito fundamental que precisa ser defendido por todos, principalmente pelas denominações religiosas (Foto: AICOM)

O reflexo do simpósio para a comunidade

O pastor Lanza, diretor de Comunicação, Liberdade Religiosa e da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) da Igreja Adventista para o oeste paulista, afirma que esse evento é benéfico para a sua atuação profissional porque confirma o que já é feito no dia a dia do seu trabalho.

"Um simpósio como esse nos ajuda no cumprimento da nossa missão. Nós sabemos que um dia vamos perder toda a nossa liberdade, mas enquanto nós pudermos tê-la e postergar todo o tipo de restrição, garantindo a liberdade para a pregação do Evangelho e para o cristão, nós temos que ter sempre esses simpósios, fóruns e congressos para fomentar esse tema", declara.   

A doutora Ivelise Fonseca destaca que é essencial ter essas discussões no cenário acadêmico para "tornar o tema mais acessível, mas amparado pela ciência para que cada um possa ser munido e agir de maneira ética, cristã, filosófica e jurídica também na proteção dos seus direitos e na atuação".  

Após a programação, líderes da Igreja Adventista para oito países da América do Sul participaram de reuniões administrativas em Guarulhos, no domingo (10) e na segunda-feira (11). Entre os temas discutidos esteve a parceria entre o curso de Direito do UNASP e a liderança sul-americana da Igreja, iniciativa voltada à formação acadêmica dos estudantes e ao fortalecimento de estratégias práticas relacionadas à promoção da liberdade religiosa no contexto adventista.


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