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Colégio Adventista de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, promove projeto de combate ao bullying

Iniciativa envolveu alunos, pais e especialistas para alertar sobre as consequências legais da intimidação sistemática e a importância do acolhimento


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Em alusão ao dia 7 de abril, Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, o Colégio Adventista de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, promoveu uma semana inteira de atividades voltadas à conscientização e prevenção contra a intimidação sistemática. O projeto, ocorrido entre os dias 6 e 10 de abril e que envolveu diversos setores da escola, buscou ir além de abordagens mais corriqueiras sobre o tema, trazendo um viés prático e jurídico para estudantes e suas famílias.

De acordo com Juliana Roxo, coordenadora pedagógica, a instituição se baseou na Lei 14.811, que determina a obrigatoriedade de trabalhar o combate ao bullying nas escolas. "Nós entendemos que a data é bem importante e pensamos em fazer algo mais visível, chamando especialistas e envolvendo os alunos de forma prática", explica.

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Ações integradas e empatia na prática

Durante a semana, os alunos participaram de uma série de dinâmicas projetadas para reforçar o respeito mútuo. A programação incluiu momentos de reflexão e histórias diárias envolvendo a temática, além da hora do conto com uma bibliotecária e rodas de conversa. Para fixar a mensagem na mente das crianças, o colégio utilizou um tema musical - a canção Vamos nos amar, lançada por Débora Teen - ao longo de todos os dias.

A empatia também foi exercitada por meio de atividades de escrita, nas quais os estudantes enviavam bilhetes com elogios para colegas escolhidos de forma aleatória, estimulando uma visão positiva sobre o outro. Outro ponto alto foi o "Tribunal do respeito", uma dinâmica em que a turma foi dividida entre acusação e defesa para debater atitudes erradas e o impacto emocional das ações.

A orientação escolar lidou diretamente com a necessidade do projeto. Segundo a orientadora educacional do terceiro ao quinto ano do Ensino Fundamental, Cleris Brizolla, o cenário atual de interações presenciais e digitais exige atenção constante. "Tanto por situações do ambiente presencial, quanto ao que acontece no virtual (por meio de chats e grupos de WhatsApp, por exemplo), pensamos em trabalhar o tema com estudantes, famílias e com o colégio, trazendo todo mundo junto no mesmo objetivo", relata Cleris.

O peso da lei e o impacto financeiro

A iniciativa ganhou ainda mais profundidade com a palestra ministrada pela advogada Fernanda Romualdo, mãe de dois alunos que estudam na unidade. A especialista trouxe um choque de realidade ao explicar que o bullying, reconhecido pela Lei 13.185/2015, pode incorrer em sérias consequências jurídicas e financeiras para quem pratica essas agressões. "Os pais, até as crianças completarem 18 anos, são os responsáveis legais por eles. Uma das formas de auxiliar a família da vítima a recomeçar — cobrindo terapias, acompanhamento psicológico ou medicação — é a indenização em dinheiro", detalha Fernanda. Segundo a advogada, a responsabilização financeira também tem caráter educativo, pois, quando atinge o bolso, as famílias costumam, de fato, repensar o que estão fazendo.

A advogada esclareceu que a legislação diferencia as penalidades de acordo com a idade. Menores de 12 anos cometem ato infracional e a responsabilidade de arcar com as consequências é totalmente dos pais. A partir dos 12 anos, o adolescente responde diretamente no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), podendo sofrer medidas socioeducativas impostas por um juiz, como prestação de serviços ou internação.

Ela também reforçou que a nova legislação tornou o cyberbullying um crime mais grave, desmistificando a ideia de que a tela do celular ou do computador esconde as agressões.

Prevenção e base familiar

Para evitar que os casos ocorram, a principal orientação dada aos alunos é quebrar o silêncio. Fernanda Romualdo aconselha que as testemunhas não se omitam. "Se você está vendo a situação acontecer, não precisa resolver, mas chame o adulto responsável por aquele ambiente, seja um professor, a coordenação ou os pais, para que ele intervenha e a situação não se repita", orienta.

O projeto também se estendeu aos lares com uma tarefa conjunta, na qual pais e filhos construíram uma história em quadrinhos relatando um caso de bullying e sua solução. Fernanda concorda que a base da prevenção está no comportamento familiar. "A família é a base mais sólida que a criança tem. É onde ela se espelha e confia. Ela enxerga os comportamentos dos pais como a referência que deve ter. Se, dentro de casa, os comportamentos não são adequados, isso reflete na escola e no convívio; a criança normaliza atitudes erradas e reproduz", alerta Fernanda.

Juliana Roxo complementa destacando a importância do ensino de valores contra a pressão social. "Embora o grupo de amigos tenha grande influência, se a família é bem estruturada e mostra os princípios, a criança não vai fazer o mal, nem se omitir. Pelo menos, buscar ajuda em alguém que possa ajudar na situação. Por mais que a escola trabalhe aspectos de conscientização, a maior parte das boas atitudes vem de casa", conclui.