Reverbere: formação de professores da Educação Adventista em Brasília e Entorno
Evento reúne educadores para troca de experiências e reflexões sobre ensino com propósito

Nos dias 21 e 22 de janeiro, educadores da Rede de Educação Adventista em Brasília e Entorno se reuniram para vivenciar o Reverbere: um encontro formativo com o objetivo de fazer ecoar boas práticas pedagógicas por todo o ano letivo.
Mais do que uma simples capacitação, o evento foi pensado como um espaço de troca, escuta e compartilhamento de experiências, onde ideias, reflexões e práticas pedagógicas pudessem se espalhar e gerar novos olhares no coletivo.
Dia 21 de janeiro - Formação por segmento

A formação teve início no dia 21 de janeiro com atividades segmentadas por níveis de ensino. Os professores dos Anos Iniciais (Fundamental I) reuniram-se na Unidade Águas Claras, sob supervisão da Coordenadora Pedagógica da Educação Adventista em Brasília e Entorno, Elisângela Abreu.
Para promover uma formação mais efetiva, os temas foram organizados em categorias que facilitam a troca entre pares e a retenção de conteúdos:
- Desenvolvimento Pessoal e Emocional: Oficina de escrita criativa, momento com a psicóloga sobre gratidão e psicomotricidade.
- Habilidades Acadêmicas: Matemática concreta, projetos novos para 2026, revisão e criação de atividades, e planejamentos.
- Práticas Pedagógicas: Comunicação e imagem do professor, rotinas e adaptação na Educação Infantil, e processos na Educação Infantil.
Elisângela explicou a relevância da estratégia de uma preparação específica por segmento antes do encontro geral: "Intencionalidade para a formação dos professores atendendo à demanda específica de sua atuação, oportunizando ambientes de troca entre os pares e maior retenção dos conteúdos trabalhados. Além de proporcionar ambientes de planejamento, análise e validação do projeto 2026".

Os educadores do Fundamental II e Ensino Médio concentraram-se na Unidade Taguatinga, com a supervisão da coordenadora pedagógica dos Anos Finais e Ensino Médio da Educação Adventista em Brasília e Entorno, Vandira Pinheiro. Este momento preparatório permitiu discussões específicas por segmento antes do grande encontro coletivo. Resumo das ações realizadas:
Manhã:
- Palestra da advogada Mayara Miranda sobre bullying, cyberbullying e racismo, abordando legislação, prevenção e procedimentos adequados.
- Reflexão sobre inovação pedagógica com o Dr. Jonas Nikolay, focando no uso de inteligência artificial (IA) para planejamento de aulas, organização de atividades, acompanhamento da aprendizagem e otimização do tempo docente.
Tarde:
- Distribuição dos professores por área de formação para oficinas práticas conduzidas por facilitadores da APlaC, com foco em orientações pedagógicas, revisão de diretrizes e alinhamentos para 2026.
Vandira resume a importância deste momento: "A formação reforçou o compromisso da instituição com a capacitação contínua de seus profissionais, promovendo discussões pertinentes e alinhadas às demandas atuais da educação. Ao integrar temas legais, tecnológicos e pedagógicos específicos, o encontro ofereceu aos professores um conjunto de conhecimentos essencial para fortalecer sua atuação e aprimorar o trabalho desenvolvido nas escolas em 2026".
Dia 22 de janeiro - O grande encontro

O ápice do Reverbere aconteceu no dia 22 de janeiro no Auditório da Igreja Central de Brasília, com início às 8h.
Palestrantes e conteúdos
O evento contou com a participação de especialistas que abordaram:
- A IA como facilitadora da prática docente inovadora - Dr. Jonas Nikolay
- Afinal, filosofia para quê? - Dra. Thalita Regina Garcia da Silva
- Apropriação da linguagem como elemento organizador da atividade humana - Dra. Stella de Mello Silva

Pastor Jean Abreu, presidente da Igreja Adventista para Brasília e Entorno, realizou um momento de reflexão bíblica baseado em Atos 5:42. Com uma visão espiritual e de liderança, ele reforçou que a espiritualidade é o alicerce de todo o processo educativo, visando a formação de um caráter semelhante ao de Cristo: "Para nós, a espiritualidade não é um componente adicional, é alicerce de todo o processo. Por meio dela oferecemos uma educação que vai além do conhecimento acadêmico, promovendo o desenvolvimento completo do ser humano, em todos os aspectos: físico, mental, social e espiritual. Além disso, a espiritualidade também reverbera na formação de um caráter semelhante ao de Cristo, capacitando os estudantes para um serviço altruísta à comunidade". Ao final, ele fez um convite inspirador aos educadores: "Em 2026, reverbere, em nome de Jesus".

Jonas Nikolay, Pró-Reitor da Educação Adventista a Distância para o Brasil, trouxe reflexões sobre a integração de tecnologias digitais no ensino. Com mestrado e doutorado em Educação e Novas Tecnologias, Nikolay destacou a IA como uma facilitadora da prática docente inovadora. Ao ser questionado sobre como a IA pode facilitar inovações na prática docente adventista, ele explicou: "A IA é uma ferramenta de inteligência artificial com um embasamento de informações muito grande e atualizado constantemente. O professor trabalha com ela como se fosse uma auxiliar, uma secretária. Quando ele consegue personalizar, consegue trazer para o dia a dia do aluno utilizando a ferramenta. Um exemplo: quando ele demora muito tempo para fazer uma prova, um resumo, uma atividade personalizada para um aluno de educação especial, a IA faz em segundos".
Sobre como os professores podem integrar a IA mantendo os princípios da Educação Adventista, ele acrescentou: "A IA vai aprendendo de acordo com o que o professor vai utilizando. Se ele já começa a utilizar a IA colocando a filosofia da educação adventista, com o tempo ela não vai nem precisar mais pedir para colocar a filosofia adventista, porque já vai inserindo os textos de Ellen White, projetos de integração fé-ensino. Ela pode dar várias opções de integrar geografia, história, matemática e religião em minutos, algo que talvez passaríamos horas planejando".

Stella de Mello Silva, pós-doutora em Educação pela UNICAMP e professora do UNASP, trouxe a perspectiva acadêmica para a prática docente, focando na linguagem como elemento organizador da atividade humana. Ao abordar como a apropriação da linguagem pode organizar as atividades de aprendizagem, ela afirmou: "A linguagem é constitutiva de todo ser humano, não só do aluno, mas acima de tudo do professor. Como o aluno vê no professor uma pessoa inspiradora, é fundamental que o professor tenha consciência da importância da própria linguagem corporal, visual, oral. Na Educação Adventista isso é muito importante porque o professor, tendo como modelo o próprio Cristo, reproduz por sua vez a linguagem de Cristo, que é empática e intuitivamente divina".
Sobre como a linguagem contribui para a organização das interações humanas no ambiente escolar, ela destacou: "Quando a gente fala de linguagem no ambiente acadêmico, a gente tem muito a questão da produção. Eu propus aqui hoje o inverso: parar para escutar. Porque se não há escuta, não há produção de texto, de fala, interação social. A interação social pressupõe a escuta antes. Se a gente parar para escutar, para analisar, para observar, vai julgar menos e, quando for necessário o julgamento, vai julgar com mais equidade, com mais justiça".

Thalita Regina Garcia da Silva, pedagoga com 45 anos de experiência, compartilhou sabedoria acumulada em décadas de atuação educacional. Atualmente assessora pedagógica na produção de livros para o Ministério da Educação, ela enfatizou: "Sem dúvida, a filosofia que garante a nossa identidade. Então, só existe educação adventista se for essencialmente vivenciada a filosofia. E a filosofia ela não existe nos livros ela existe quando ela é vivida e praticada. Então é fundamental revisitar constantemente a filosofia adventista de educação para que a gente não perca a identidade. É muito fácil a gente se perder no meio de tantas informações, de tantas teorias, de tantas visões educacionais, de tantas novidades, modismos. E a filosofia garante que a gente vai cumprir o propósito original, que a gente vai cumprir a missão e não vai perder a identidade".
Sobre como a filosofia pode guiar os educadores a questionar e aprimorar suas abordagens didáticas, ela acrescentou: "Na verdade, Ellen White foi além de uma filosofia, ela consegue descer as especificidades de uma teoria educacional. Então, tanto é que a gente tem hoje a pedagogia adventista. Então eu diria assim que a filosofia ao ser transformada em prática educacional, ela garante que de fato nós vamos preservar essa identidade. Então, resumindo, a filosofia só se constitui quando ela se torna prática. Então não existe dissonância entre filosofia e prática filosofia só existe quando ela é vivida. Quando a gente fala em reverberar é que aquilo que está escrito reverbere de fato na prática do dia a dia de cada sala de aula".

Luciana Souza, líder da Educação Adventista para Brasília e Entorno, destacou: "A formação de professores deve ser sempre nossa prioridade, pois um educador bem-preparado exerce sua função com excelência. Iniciar o ano letivo com foco nessa formação é fundamental, pois, além de ampliar conhecimentos, fortalece o senso de pertencimento a uma rede que possui um propósito único e bem definido. A interação entre os colegas e a partilha de experiências e informações contribuem para que todos iniciem o ano letivo mais motivados, seguros e preparados para os desafios que virão".
Ela também reforçou: "Nosso foco nesta formação foi mostrar que tudo o que o professor faz, palavras, ações e gestos, reverbera por toda a vida. Que os professores se lembrem de que cada atitude impacta diretamente o aluno e pode reverberar para a eternidade. Mesmo diante dos inúmeros desafios, o educador tem o poder de ajudar o aluno a sonhar e a buscar um propósito para a sua vida".
Depoimentos dos participantes

Professores de diferentes unidades compartilharam suas impressões sobre a formação, confira:
Nicolás Aramayo, professor do Ensino Fundamental II e Ensino Médio na Unidade do Gama: "Nós nos reciclamos na formação e a gente aproveita para trocarmos ideias com outros professores de outras unidades, aprendermos com os palestrantes que muitas vezes trazem novas ideias. A professora Stella me marcou bastante com a apresentação dela com relação à linguagem à comunicação que isso implica não somente entre nós professores, mas também diretamente no foi o momento que me trouxe mais reflexão".
Edma Ferreira de Castro, professora do Ensino Fundamental I nas Unidades do Gama e Valparaíso: "Há bastante tempo participo de formações. Me chamou mais a atenção foi a palestra da professora Stella exatamente pelo o conhecimento dela a bagagem e também da Talita eu estou aprendendo muito referente a nossa filosofia então isso é que enriquece o nosso conhecimento referente à educação: onde nós estamos pra onde queremos ir".
Ana Paula Almeida, professora regente na Unidade de Águas Claras: "Eu sempre venho com a expectativa de aprender para poder aplicar em sala de aula e o que tem me impactado nessa capacitação é a gente entender a nossa identidade. Nosso objetivo que é levar a criança ao seu criador. E saber que eu não estou sozinha eu carrego uma identidade e isso fez toda a diferença hoje no meu fazer pedagógico".
Pedro Ulisses, professor de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental e Literatura no Ensino Médio: "As palestras com temas específicos passou a ideia de reverberar, falou sobre a inteligência artificial que a gente pode aplicar as ferramentas para utilizar dentro da sala de aula, falou sobre os aspectos do letramento que pode ser aplicado não somente na disciplina de língua portuguesa, mas nas demais disciplinas e também sobre a produção textual que cada alunos precisa aprender a desenvolver. Por fim, falamos sobre a filosofia que engloba todos os ideais que nos tornam educadores da escola adventista. A partir de formações como essa e tantas outras vivências que a gente tem, esperamos um ano muito abençoado, que nós possamos realizar projetos e fazer atividades e que possam realmente transformar a vida dos alunos".

