Missão Araguaia: Fé, propósito e Transformação
Voluntários da APlaC levam esperança e serviço para comunidades indígenas na Ilha do Bananal

De 24 de agosto a 1º de setembro, um grupo de voluntários da Associação Planalto Central (APlaC) uniu forças com a equipe da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) Araguaia para realizar uma missão transformadora nas aldeias Santa Isabel e JK, localizadas na Ilha do Bananal, no estado do Tocantins.
Partindo de Brasília, os missionários percorreram aproximadamente 1.200 Km, numa jornada de 17 horas de carro que incluiu um longo trecho de estrada de terra até o destino.
Diferente de muitas missões focadas exclusivo em projetos evangelísticos ou ação missionária, esta iniciativa, em parceria com a ADRA - agência de desenvolvimento, com ênfase no bem-estar integral das comunidades -, buscou não apenas atender necessidades imediatas, mas promover o desenvolvimento sustentável, incentivando a autonomia, autoestima e valorização da vida.
O pastor Regerson Molitor, líder do Serviço Voluntário Adventista (SVA) integrou a equipe e destacou o diferencial dessa iniciativa, afirmando: “Essa missão foi significativa porque mostrou aos moradores das aldeias que suas vidas têm valor, que eles podem sonhar mais alto, estudar, descobrir e desenvolver seus talentos. Foi um momento de fortalecimento da dignidade e de esperança - um lembrete de que cada pessoa tem potencial para crescer e transformar sua realidade”.
O dia a dia na Missão Araguaia

Durante os nove dias de missão, os voluntários ficaram hospedados no núcleo da ADRA Araguaia, situado em São Félix do Araguaia (MT). Diariamente, eles deixavam o núcleo rumo às aldeias utilizando uma “voadeira” – pequena embarcação fluvial a motor - atravessando o rio Araguaia para alcançar as comunidades do outro lado do rio.
O despertar acontecia às 6 horas da manhã. Após o desjejum e o culto, seguiam de “voadeira” para as aldeias. Por volta das 16 horas todos retornavam para o Núcleo da ADRA.
O pastor Regerson explica a estratégia utilizadas para proporcionar uma experiência completa e coletiva, promovendo o engajamento integral de todos os participantes: “Cada equipe foi organizada em grupos de forma estratégica, com sistema de rodízio, garantindo que todos os voluntários participassem de todas as atividades ao longo da missão. Por exemplo, as duas pessoas que em um dia ficaram na cozinha, no dia seguinte eram designadas para uma das aldeias, e assim sucessivamente”.
Ações realizadas
Aldeia JK
Na Aldeia JK os voluntários realizaram as seguintes ações:
- Início da horta comunitária - A estruturação inicial foi feita pela equipe, com o objetivo de promover autonomia alimentar e desenvolvimento sustentável na comunidade;
- Pintura da sala de reforço escolar - O espaço destinado às aulas de reforço recebeu nova pintura, tornando o ambiente mais agradável e motivador para as crianças.
Base da ADRA – São Félix do Araguaia (MT)
Diariamente, duas pessoas da equipe ficavam na base da ADRA, colaborando com:
- Preparo das refeições;
- Limpeza e organização do espaço coletivo;
Esse trabalho foi essencial para manter a base funcional e acolhedora para todos. Como o grupo era rotativo, todos tiveram a oportunidade de participar também dessa parte importante da missão.
Aldeia Santa Isabel
Os voluntários atuaram também na Aldeia Santa Isabel, desenvolvendo atividades com foco no desenvolvimento cultural e comunitário:
- Inscrições para o show de talentos;
- Ensaios com as crianças para suas apresentações;
- Limpeza do espaço comunitário;
- Pintura, ornamentação e produção artesanal da decoração.
As ações buscavam valorizar os talentos locais, incentivar a expressão artística das crianças e contribuir para um ambiente mais alegre e acolhedor.
Uma escolha divina
Desde a infância, um anseio profundo pela missão pulsava no coração de Shara Gabriella Almeida Santos, hoje com 27 anos e membro da Igreja Adventista do Núcleo Bandeirante. Apesar de já ter participado de outras missões de curto prazo, como a Missão Calebe, o sonho de servir a Deus em tempo integral em lugares como Angola sempre foi uma constante. Contudo, a correria da vida adulta, com suas responsabilidades e aspirações profissionais, acabou por desviar, temporariamente, esse olhar.
O ponto de virada veio de forma inesperada. Durante o Together, ao ser anunciado o sorteio para a Missão Araguaia, Shara se viu em oração, não apenas pedindo, mas entregando a Deus: "Senhor, você sabe o quanto eu desejo ser missionária em tempo integral... mas, por favor, que eu não seja sorteada se não for da Sua vontade." Foi naquele momento de entrega total que seu nome foi chamado. A resposta divina, clara e inegável, a fez chorar de gratidão. Não era uma decisão humana; era um "Ide!" vindo do Céu.
Participando da Missão Araguaia, Shara, uma professora de crianças naturalmente tímida com adultos, encontrou na linguagem universal do brincar com os pequenos uma conexão profunda, um vislumbre da eternidade. Essa experiência a reconectou com seu propósito de forma tão intensa que, hoje, ela e seu marido estão tentando se organizar para servir a Deus em tempo integral.
A Missão Araguaia reafirmou para Shara um chamado estendido a todos. Ela refletiu sobre como a missão e o serviço voluntário dão verdadeiro sentido à nossa existência e deixou um recado: “Que o seu coração pulse com tão intenso desejo de servir ao Senhor, que não consiga contê-lo em si. E então transborde em amor, bondade e fé, espalhando o evangelho”.
Compartilhando a experiência
“Esta missão foi muito especial, foi realizada em parceria com a ADRA, com ênfase está no desenvolvimento integral das comunidades. Passamos 9 dias entre os Karajás, e vimos de perto o impacto positivo desse trabalho que busca promover dignidade, autoestima e autonomia. Mais do que oferecer ajuda, mostramos que cada vida tem valor, que é possível sonhar mais alto, estudar e desenvolver talentos. Foi um momento de fortalecimento da esperança e da identidade cultural, lembrando que a missão cristã não é apenas proclamar, mas também servir e dignificar. O aprendizado que carregamos é que o evangelho se encarna também em gestos concretos de desenvolvimento e cuidado, que a missão deve sempre unir Palavra e ação em favor da vida”. Pastor Regerson Molitor - líder
“Esta é a segunda missão que participo. Me sinto 100% motivado quando percebo que sou útil. As atividades manuais que realizei durante a missão me distanciaram do trabalho pastoral que realizo diariamente e me mostrou outras formas para servir. Toda missão impacta a nossa vida porque nos possibilita contribuir na causa de Deus e auxiliar pessoas. Essa vontade de servir é implantada por Deus em nossos corações e nos impulsionou a levar o alívio e o refrigério do Espírito Santo”. Pastor Jonai Honório – voluntário
