Violência Digital: Movimento em Itamaraju motiva duas jovens a “quebrarem o silêncio”
Passeata deu visibilidade ao tema e motivou jovens a refletirem sobre os riscos da violência online.
Durante o Dia D do projeto “Quebrando o Silêncio”, realizado em Itamaraju neste sábado (23), duas adolescentes revelaram ter sofrido violência digital recentemente. A mobilização, que incluiu passeata, trio elétrico, carro alegórico e rodas de conversa, trouxe à tona a necessidade urgente de conscientização sobre o tema, reforçada por dados preocupantes da SaferNet Brasil.

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Relatos que revelam insegurança digital
Após um mês intenso de aprendizado sobre violência digital, as adolescentes contaram para seus líderes casos separados de violência digital. A primeira relatou que um garoto desconhecido a seguiu em uma rede social e passou a enviar palavrões depreciativos. “Bloqueei o contato e não tive mais contato com ele. Nunca tinha visto ele antes. Me senti constrangida, fiquei com medo e triste, até chorei um pouco.”, relata.
A outra adolescente revelou que um rapaz enviou fotos inapropriadas para ela. “Ele disse que eu era obrigada a ficar com ele e pediu fotos minhas também. Quando o bloqueei, ele hackeou meu Instagram e bloqueou minhas amigas. Depois consegui trocar a senha e nunca mais tive contato. Foi constrangedor e senti minha privacidade invadida, uma falta de respeito.”, afirma.
Embora as jovens não possam mais denunciar formalmente os casos, elas destacaram que o conhecimento adquirido durante o projeto as deixou mais preparadas para lidar com situações semelhantes no futuro. “É importante as pessoas não se permitirem receber esse bullying. Eu teria agido diferente, muitas vezes a pessoa manipula, fala pra não contar, e aí fica com aquilo na cabeça: conto ou não conto? Mas se fosse hoje, eu contaria.”, revela uma das adolescentes.
Dados reforçam a urgência da prevenção a violência digital
Entre janeiro e julho de 2025, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil em 2025, um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024. Esse cenário evidencia a importância de ações de prevenção, como o Dia D do projeto “Quebrando o Silêncio”, promovido pela Igreja Adventista.
O evento em Itamaraju contou com trio elétrico, cartazes, banners e um carro alegórico com encenação feita por membros da igreja, representando os perigos do uso inadequado do celular. Participantes também distribuíram panfletos e livros informativos, enquanto rodas de conversa foram realizadas durante o percurso para esclarecer dúvidas da população e orientar sobre como agir em casos de violência digital.

A líder do projeto no Extremo Sul da Bahia, Mônica Noya, comentou a importância da ação. “Nosso objetivo é mostrar para os jovens e suas famílias que é possível se proteger e buscar ajuda. Quando uma pessoa se vê em situação de violência digital, não precisa enfrentar sozinha, denunciar é um passo fundamental para se resguardar e ajudar a prevenir novos casos.”, orienta.
Passeatas levam alerta de violência digital às ruas
Em Eunápolis, outra mobilização ocorreu simultaneamente, com carro de som, banda do Clube de Desbravadores e grande participação da população, reforçando o compromisso da comunidade em conscientizar sobre o tema.

A iniciativa mostra que ações comunitárias e educativas podem ir além da conscientização: elas têm o poder de inspirar jovens a se protegerem e a denunciar situações de violência, contribuindo para uma sociedade mais segura no mundo digital.