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História

40 anos de oração: a perseverança que transformou uma história

Após quatro décadas de oração, Amália viu Deus responder ao maior pedido de seu coração: o batismo de seu esposo, Marcelino.


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Batismo de Marcelino após 40 anos de intercessão de sua esposa. (Foto: Arquivo Pessoal)

Amália Andrade sempre foi uma pessoa religiosa. Frequentou algumas igrejas evangélicas durante a vida, mas nenhuma delas parecia preencher o vazio que sentia em seu coração. Até que, certo dia, passou a buscar uma igreja que guardasse o sábado, algo que não havia encontrado nas denominações por onde já tinha passado.

Foi assim que ela conheceu a Igreja Adventista do Sétimo Dia no ano de 1986. Por meio de uma amiga já batizada, começou a frequentar uma tenda de evangelismo e, durante seis meses, estudou a Bíblia. Ao final desse período, Amália tomou a decisão de se batizar, dando início a uma vida de oração que transformaria sua caminhada dali em diante.

Conflitos familiares

Em contrapartida, nesse mesmo momento também se iniciava uma grande batalha dentro de seu próprio lar. Seu esposo, Marcelino Andrade não era cristão e consumia bebidas alcoólicas em excesso, o que gerava constantes conflitos familiares. Consequentemente, a decisão de Amália pelo batismo não foi bem aceita por Marcelino. “No dia que eu me batizei, ele brigou comigo a noite inteira. Nem conseguia dormir”, diz Amália. 

Segundo Amália, Marcelino ficava agressivo quando estava alcoolizado e, por diversas vezes, a impedia de ir para a igreja. “Ele era uma pessoa que bebia muito, né? E isso acabava me impedindo de ir para a igreja, porque às vezes eu queria ir, mas ele não deixava. Era terrível o negócio”, relembra Amália.

Início da intercessão

Pouco tempo depois de ter se batizado, Amália decidiu conversar com a irmã, sentindo que talvez tivesse tomado a decisão errada ao se tornar Adventista do Sétimo Dia, diante da situação que vivia com o esposo. Entretanto, a irmã lhe acalmou e disse uma frase que marcaria sua vida para sempre: “Se você quer que ele comece a ir para a igreja com você, então ore por ele”.

Naquele momento, Amália confessou ter ficado triste e se perguntou: “Como posso orar por uma pessoa que me faz tanto sofrer?”. No entanto, após a insistência da irmã, ela decidiu começar a orar para que o marido também conhecesse a Deus e, um dia, se batizasse. “Eu comecei a orar por ele todos os dias e fazia questão de dizer pra ele: ‘Eu estou orando por você’”, recorda ela. 

Aos poucos, algo começou a mudar e Marcelino passou a responder de forma inesperada. “Ele dizia: ‘Você vai vencer’. E eu respondia: ‘Deus vai vencer por mim’”, assegura. 

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Transformação gradual

Ao pensar no que a motivava a continuar, Amália lembra da declaração de Josué na Bíblia: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. E completa: “Se eu, como batizada, não ganhasse ao menos a minha casa, o meu esposo, para mim não teria muito sentido, sabe?”, afirma.

Em seu coração, o desejo de orar apenas crescia a cada dia. Ela confessa: “Eu achei que a resposta viria logo. Às vezes eu me perguntava: ‘Meu Deus, será que estou no caminho certo orando por ele? Acho que nunca vou conseguir’. Mas logo dizia para mim mesma: ‘Não, eu vou continuar orando, porque eu sei que vou receber essa vitória’”, confiava.

Os anos iam passando, mas, apesar disso, Amália conta que jamais pensou em desistir do marido, pois sua maior tristeza era imaginar que ele pudesse descer à sepultura sem antes ter o coração transformado. E, embora o mais comum ao ser humano seja desistir após anos de tentativas frustradas, ela permaneceu firme em oração.

Apesar de não ter sua oração atendida naquele momento, Amália percebia que, aos poucos, algo começava a mudar. Por meio das orações e dos estudos bíblicos, Marcelino vinha sendo transformado de maneira silenciosa.

Com o tempo, ele passou a se aproximar dos irmãos da igreja que frequentemente visitavam sua casa. “Deus foi transformando ele passo a passo, durante todo esse tempo. Acho que isso foi preenchendo o coração dele”, declara Amália.

O último apelo

Passaram-se 40 anos, e, mesmo após incessantes orações de intercessão pelo marido, diversos estudos bíblicos realizados e incontáveis apelos feitos a ele, Amália ainda não havia recebido a tão esperada resposta à sua oração.

Até que, em certa ocasião, foi realizada uma semana de oração em sua igreja, e Amália decidiu participar, levando Marcelino com ela em algumas noites. “Quando o pastor veio, já estava tudo preparado. Não foi como o meu batismo, que levou seis meses de estudo. O dele foi resultado de muitos anos de oração. E não só minhas, mas de muitas pessoas também”, comenta ela.

Durante uma visita à casa do casal, o pastor disse: “Irmã, eu vim buscar o seu esposo para o batismo. Hoje vou preencher a ficha dele”. Em seguida, passou a conversar com Marcelino sobre a salvação e a esperança do céu. Falou que o céu não seria o mesmo sem a sua presença, relembrou que Amália orava por ele há tantos anos e afirmou que aquele era o momento de entregar a vida a Deus, pois não havia outro caminho.

“Então o pastor mostrou o papel e disse: ‘Eu vim preencher a sua ficha. Este aqui é o formulário do seu batismo. O senhor aceita?’”, conta Amália. “Naquele momento eu disse: ‘Pastor, da minha parte, pode preencher a ficha dele’.”

Oração respondida

Amália abraçando seu esposo após seu batismo. (Foto: Arquivo Pessoal)

E foi então que, no dia 25 de outubro de 2025, Marcelino Andrade desceu às águas batismais, e Deus respondeu à oração de Amália, iniciada há 40 anos.

“Quando eu vi ele descendo às águas, eu chorei demais. Não sei nem sei explicar a emoção que eu senti! Fiquei pensando: graças a Deus ele não desceu à sepultura sem ter se batizado, porque eu sempre pedia a Ele”, relembra emocionada.

“Deus foi maravilhoso comigo, sabe? Eu falo para todo mundo que Deus está juntando os cacos. Essa foi uma grande vitória, em nome de Jesus. E eu tenho certeza de que Deus ainda vai levantar ele para fazer uma obra na igreja, para que todos vejam o quanto Deus é poderoso,” declara ela com fé. 

Com a esperança de que este seja apenas o começo, Amália continua sonhando, e suas orações por ele não cessam, apenas tomam um novo propósito: “Eu ainda vejo ele como diácono na igreja. Eu creio que Deus vai continuar preparando e transformando a vida dele. Deus vai completar essa obra pra mim.”

A história de Amália e Marcelino é a prova viva de que nem todo milagre acontece de repente. Alguns são construídos lentamente, ao longo dos anos, entre lágrimas e orações que parecem não encontrar resposta. Porque existem respostas que não chegam no nosso tempo, mas chegam no tempo certo. E quando finalmente acontecem, revelam que nenhuma oração foi esquecida por Deus e que Ele nunca deixou de agir.

10 Dias de Clamor e 10 horas de Jejum

Entre os dias 19 e 28 de fevereiro, a Igreja Adventista em toda a América do Sul participará do Projeto 10 Dias de Clamor e 10 horas de Jejum. O objetivo é convocar os fieis a orarem pelo recebimento do Espírito Santo. O projeto já acontece há 12 anos e propõe 10 dias de intensa comunhão com Deus e com a igreja ao se unirem para orar por um mesmo propósito. Em 2026, o nome do programa sugere que as ações não aconteçam apenas nesses 10 dias, mas sim durante todo o ano. Você pode participar do projeto em qualquer igreja adventista e receber os benefícios da oração.