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130 anos: As raízes da Escola Sabatina em solo brasileiro

Documentos reforçam a importância de Santa Catarina como marco da fundação da Escola Sabatina no país


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Edição de janeiro de 1952 da Revista Adventista traz reportagem sobre a origem da Escola Sabatina no Brasil (Foto: Acervo CPB)

No dia 31 de maio, a igreja do bairro Itinga, em Joinville (SC), viveu uma celebração marcada pela história, memórias e gratidão, comemorando os 130 anos da Escola Sabatina no Brasil. O evento reuniu líderes da Associação Norte Catarinense da Igreja Adventista do Sétimo Dia (ANC), membros de diversas gerações, representantes de famílias pioneiras e convidados de outras igrejas da região.

A origem sólida de um ministério global

Criada oficialmente em 1852, nos Estados Unidos, a Escola Sabatina surgiu com o objetivo de promover o estudo da Bíblia, inicialmente voltado às crianças. Com o tempo, tornou-se uma das principais frentes de formação espiritual da Igreja Adventista, envolvendo todos os públicos em atividades de ensino, missão, comunhão e fidelidade.

A trajetória até o Sul do Brasil

A presença adventista no Brasil começou com a chegada de colportores e missionários estrangeiros no final do século XIX. Em fevereiro de 1895, o missionário Frederick H. Westphal chegou ao país e, em março daquele ano, batizou os primeiros conversos em Piracicaba e Indaiatuba (SP). Na sequência, viajou para a região Sul, chegando a Joinville em maio.

De acordo com a edição de janeiro de 1952 da Revista Adventista, foi em Joinville que Westphal organizou uma Escola Sabatina com cerca de 30 membros, sendo a primeira Escola Sabatina organizada em território brasileiro, de acordo com a publicação.

A Revista Adventista de janeiro de 1952 cita, na página 3, o roteiro feito pelo pastor Westphal no Brasil (Foto: Acervo CPB)

O livro Vida e Obra de Guilherme Stein Jr., de Ruy Carlos de Camargo Vieira, também reforça essa narrativa, mencionando que, ao chegar à cidade, Westphal encontrou um grupo de guardadores do sábado já ativo, com pessoas que haviam adotado a fé adventista por meio de publicações estrangeiras e contatos com líderes europeus. Entre esses pioneiros, destaca-se o nome de Johannes Fritz Kinder, pastor luterano convertido, que se tornou o primeiro ancião local da comunidade do Itinga.

Explorando as raízes do Itinga

O capítulo histórico sobre o Itinga foi esmiuçado com mais clareza graças a curiosidade do dentista Dênio Kuntze, descendente direto de pioneiros de Gaspar Alto (SC), onde foi organizada a primeira Igreja Adventista do Brasil.

“Quando cheguei em Joinville, ouvi falar dessa história, mas confesso que me soou estranha. Ao acessar documentos antigos da igreja, além de ler obras como a de Ruy Vieira, percebi que havia fundamento. Descobrimos registros que indicam claramente a existência de um grupo guardador do sábado aqui, antes mesmo da organização formal da igreja”, relatou Dênio.

Dênio Kuntze falou sobre seu hobby de pesquisar a história da Igreja, ao lado dos pastores Gerson Santos (à esq.) e Maurício de Sales (à dir.) (Foto: Miquéas Almeida)

Foi ele quem localizou, nos arquivos digitais da Casa Publicadora Brasileira, a edição da Revista Adventista de 1952 com o relato da vinda de Westphal. A informação também se alinha a documentos da própria igreja do Itinga, como a ata de sua organização.

Primeira página da ata de organização da igreja do Itinga (Foto: Acervo IASD Itinga)

Um registro memorial, redigido como parte da ata de organização da igreja do Itinga em 1987, resgata a história da congregação e confirma a informação de que, já em 1894, havia na região um grupo de guardadores do sábado, liderado pelo pastor Johannes Kinder. Embora ainda não pertencessem formalmente à Igreja Adventista, esses primeiros crentes viviam princípios de fé alinhados à mensagem adventista, o que reforça a conexão com a visita do pastor Frederick Westphal em 1895. O documento preserva a memória oral e escrita que identifica a comunidade mencionada nas fontes históricas como sendo a que se desenvolveu no atual bairro Itinga. Décadas mais tarde, em 1984, foi lançada a pedra fundamental do templo atual, que seria inaugurado em 1988.

Igreja do Itinga, em Joinville, em 2025, em contraste com sua estrutura na década de 1980 (Foto: Acervo IASD Itinga)

Celebração dos 130 anos

Durante o culto comemorativo, os membros da igreja e os visitantes participaram de momentos especiais de gratidão, louvor e reconhecimento. Integrantes de algumas famílias pioneiras, como as famílias Milbratz, Oliveira e Pereira, foram homenageados pela contribuição à história da Igreja e da Escola Sabatina na região. Os sobrenomes Milbratz e Pereira, inclusive, estão entre os registrados na ata de organização da igreja, evidenciando a continuidade entre os pioneiros da época e os descendentes que hoje mantêm viva a missão iniciada naquela comunidade.

Representantes das famílias Milbratz, Oliveira e Pereira foram homenageados (Foto: Miquéas Almeida)

“Celebrar os 130 anos da Escola Sabatina aqui no Itinga é reconhecer que a fé que nos une hoje foi cultivada com coragem por famílias que ensinaram a Palavra com dedicação. Homenageá-las é um ato de gratidão por um legado que permanece vivo”, afirmou o pastor Clovis Prates, líder da Escola Sabatina na região norte de Santa Catarina.

Outra visita ilustre foi a do pastor Eloy Simões de Miranda, que pastoreou a comunidade do Itinga na década de 1970. “Naquela época, o templo era simples, mas sempre cheio da presença de Deus. Fiquei impressionado ao ver hoje a beleza da igreja e a força que ela representa, além de poder reencontrar amigos muito queridos”, destacou.

Pastor Eloy de Miranda atuou na igreja do Itinga nos anos 1970 (Foto: Miquéas Almeida)

Legado e futuro

O pastor Gerson Santos, presidente da ANC, mostrou, durante a celebração, uma lição da Escola Sabatina do ano de 1988, intitulada Rumo à Terra Prometida. A lição pertencia a seu pai, que faleceu naquele mesmo ano; no entanto, no dia de sua morte, ela estava devidamente preenchida. O exemplar é guardado com carinho como um legado geracional.

O presidente também comentou sobre o significado histórico da celebração: “Acredito que não foi por acaso que a Escola Sabatina tenha sido organizada antes mesmo da Igreja. Deus estava estabelecendo um meio de sustento espiritual para o Seu povo. Gaspar Alto é reconhecida por ter a primeira igreja, e podemos destacar Joinville, com a comunidade do Itinga, como a primeira Escola Sabatina na região Sul e, pelos registros e relatos, provavelmente a primeira no Brasil.”

Pastor Gerson Santos com lição de 1988 que pertenceu a seu pai (Foto: Miquéas Almeida)

Além disso, os pastores Gerson Santos, Clovis Prates e o pastor Rogério Gurniak, secretário-executivo da Associação Norte Catarinense, presentearam a igreja do Itinga com duas placas comemorativas. Uma delas celebra o legado histórico da congregação na região e a outra reproduz a publicação da Revista Adventista de janeiro de 1952, que cita Joinville como o local onde foi organizada a primeira Escola Sabatina do Brasil. Esses itens são os primeiros que irão compor o acervo do futuro museu a ser instalado no templo, que deve receber o nome do pioneiro Johannes Fritz Kinder.

Os pastores Clovis Prates, Rogério Gurniak e Gerson Santos entregam ao pastor Maurício de Sales as placas que integrarão o futuro museu da igreja do Itinga (Foto: Miquéas Almeida)

O movimento da Escola Sabatina na região começou com cerca de 30 pessoas reunidas de forma simples e dedicada. Com o passar dos anos, essa semente deu frutos: hoje, o município de Joinville reúne 27 igrejas e grupos organizados, com mais de 3.500 membros adventistas. O que começou pequeno se tornou uma comunidade vibrante, marcada pelo compromisso com a fé, o serviço e a missão.

Bolos decorados para o aniversário de 130 ano da Escola Sabatina (Foto: Miquéas Almeida)

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