120 anos por Salvador: uma história de fé e missão
Desde 1905, a Igreja Adventista na capital baiana cresce e continua o legado de salvação e serviço.
Era uma manhã qualquer de 1905 quando, nas ruas ainda de paralelepípedos da capital baiana, um novo som começou a ecoar. Não era apenas o tilintar dos bondes ou o burburinho do comércio. Era uma canção diferente, entoada em outro idioma por um casal que carregava uma mensagem diferente, ousada para o seu tempo. Nascia ali a semente adventista em Salvador.
Desde então, 120 anos se passaram. O que começou com cultos em casas e reuniões silenciosas, hoje se manifesta em 457 templos, 7 unidades escolares com mais de 4 mil alunos, 10 missionários em campo fora do Brasil, além de diversos projetos sociais e solidários que tocam a vida de milhares na cidade.

Quando a fé chega antes da estrutura
Antes mesmo de um templo existir, a mensagem já circulava entre famílias que se dedicavam ao estudo da Palavra e à convicção de guardar o sábado, graças a Bíblias distribuídas e vendidas por missionários presbiterianos e batistas. O livro Contando Nossa História, de Nesias Joaquim e Natan Fernandes (2019), narra um dos primeiros episódios dessa chegada:
“Em 1904, veio morar em Salvador, no alto do Bairro Lobato, um casal adventista que era de nacionalidade alemã. Todos os dias, pela manhã bem cedo, cantavam hinos. Seu vizinho, senhor Luís, escutava e gostava dos hinos, mesmo sendo cantados em alemão. Fizeram amizade, e este começou a interrogar sobre as músicas e a fé. O estrangeiro contou que era adventista do sétimo dia e passou a explicar sobre a fé adventista para o senhor Luís, seu vizinho. Luís aceitou a mensagem [...] e se tornou o primeiro guardador do sábado em Salvador.” (págs. 48-49)
Missão que se espalha
Nas décadas seguintes, a mensagem adventista encontrou solo fértil em Salvador. Grupos organizados ganharam forma e, em 1926, surgiu a Igreja Adventista de Itapagipe, o primeiro templo oficial da cidade. A capital também recebeu nomes que marcaram a época, como o pastor Leo B. Halliwell, que presidiu a Missão Baiana em 1922, enquanto sua esposa Jessie oferecia atendimento de saúde às famílias, aproximando a igreja da comunidade. Mais tarde, o casal foi pioneiro na criação do primeiro Barco Luzeiro, no Pará. Essa embarcação navegava pelos rios da Amazônia levando atendimento médico, odontológico e a mensagem adventista às comunidades ribeirinhas.

Já no interior da Bahia, surgiram batismos históricos como os de 1907 e 1908, em Santo Antônio de Jesus, e décadas depois novas frentes se consolidaram em cidades do Recôncavo, do sertão e do sul da Bahia. A educação foi outro pilar: o adventismo estruturou escolas na capital e, em 1979, lançou em Cachoeira a pedra fundamental do que hoje conhecemos como Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste (UNIAENE).
O avanço foi tão expressivo que, em 1985, a criação da Associação Bahia tornou-se um marco na organização da Igreja, fortalecendo a missão na capital e em todo o estado. A partir dela, outros campos nasceram, ampliando o alcance e a regionalização do trabalho:
- Associação Bahia Central (ABaC), em Feira de Santana;
- Associação Bahia Sul (ABS), em Itabuna;
- Asociação Bahia Norte (ABN), em Juazeiro;
- Missão Bahia Sudoeste (MBSo), em Vitória da Conquista;
- Missão Bahia Extremo Sul (MiBES), em Eunápolis;
- Missão Sergipe (MSe), em Aracaju.
O legado continua
Hoje, a presença da Igreja Adventista na capital baiana é sólida e abrangente. São mais de 41 mil membros reunidos em mais de 450 igrejas e grupos, organizados em 63 distritos pastorais. Somente no último ano, mais de 2.500 pessoas foram batizadas, e esse movimento avança cada vez mais.

Em 2025, essa presença ganhou ainda mais visibilidade por meio de ações e projetos que impactam a comunidade, como o projeto Missão Celebe, que mobilizou mais de 5 mil jovens em evangelismos, visitas missionárias e reformas de casas; a Rádio Novo Tempo, em Salvador, também conquistou um novo marco com a migração da frequência do AM para o FM, alcançando 3 milhões de ouvintes; além de ações sociais como a Feira das Emoções, com atendimentos psicológicos e odontológicos gratuitos no Farol da Barra, e o projeto Raízes do Futuro, que reuniu mais de 450 voluntários entre crianças e adolescentes para o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica.
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Esse é o legado que será celebrado dia 6 de setembro, no Estádio de Pituaçu, com mais de 32 mil pessoas de todo o estado. "120 Anos por Salvador" reflete uma igreja relevante para a comunidade e que cresce cada vez mais.
