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Pesquisador está desenvolvendo vacinas comestíveis à base de plantas e frutas

Em sua primeira contribuição com novo método, William Langridge quer prevenir o aparecimento e a progressão da diabetes tipo 1

2 de fevereiro de 2018

Por James Ponder, Universidade Loma Linda

Vacinas poderão ser sintetizadas em tomates e batatas, explica Langridge (Foto: Ansel Oliver, agência de notícias da Universidade Loma Linda)

William Langridge está trabalhando em uma nova maneira de lutar contra doenças autoimunes com vacinas comestíveis. O professor de bioquímica do Departamento de Saúde da Universidade Loma Linda, uma das instituições de ensino superior da Igreja Adventista no mundo, acredita que a maioria das pessoas prefere comer um tomate do que tomar uma injeção no braço.

Em um artigo publicado na edição de dezembro de 2006 da revista Scientific American, ele defendeu o uso de vacinas comestíveis para prevenir doenças infecciosas. Na última década, no entanto, mudou de foco para as doenças autoimunes.

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Langridge diz que os resultados de sua pesquisa anterior – tomates e batatas que sintetizam as vacinas – são igualmente importantes na batalha contra essas enfermidades. As vacinas comestíveis são baratas, fáceis de transportar e podem ser armazenadas em temperatura ambiente em comparação com as tradicionais, que requerem condições controladas difíceis de manter em localidades sem refrigeração.

Além disso, produzem menos efeitos colaterais e são amigáveis para as crianças, que preferem comer um tomate em vez de tomar uma agulhada no ombro.

O flagelo das doenças autoimunes

O número de doenças autoimunes reconhecidas floresceu nos últimos anos, de um punhado há uma década atrás para mais de 100 hoje, esclarece o pesquisador.

De acordo com a American Autoimmune Related Diseases Association (Associação Americana de Doenças Autoimunes), 50 milhões de americanos sofrem com enfermidades dessa natureza, e algumas são bem conhecidas, como artrite reumatoide, síndrome do intestino irritável, esclerose múltipla e diabetes tipo 1. Langridge reforça que as doenças autoimunes estão entre as 10 principais causas de morte de crianças, homens e mulheres em todas as faixas etárias do mundo em desenvolvimento.

Com o propósito de parar o crescimento delas, ele está indo em uma direção oposta às suas tentativas anteriores de prevenir doenças infecciosas. “Nossa abordagem mais antiga de fazer vacinas que estimulam o sistema imunológico para atacar os organismos que causam doenças infecciosas foi virada de cabeça para baixo pela construção do laboratório de vacinas recombinantes que suprimem, ao invés de estimular, o sistema imunológico para lutar contra um inimigo completamente novo”, explica.

O novo inimigo, é claro, é a doença autoimune. Ela faz com que o corpo use seu sistema imunológico para cometer suicídio. “Você consegue pensar em algo na biologia que é mais louco?”, pergunta.

Durante a última década, Langridge e sua equipe têm desenvolvido plantas comestíveis que produzem vacinas multicomponentes, chamadas proteínas de fusão de autoanticorpo de toxina B da Cólera, que inibem a ativação de células imunes e, assim, impedem o corpo de destruir seus próprios órgãos e tecidos.

Uma das primeiras doenças que o professor visou em sua pesquisa anterior foi o rotavírus, que causa uma infecção intestinal. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essa doença matou mais de 200 mil crianças apenas em 2013.

A vacina comestível de sua equipe foi eficaz na prevenção do rotavírus em filhotes de ratos, mas a ideia de comer alimentos modificados não era popular com o público. Muitos estavam nervosos sobre comer plantas contendo DNA recombinante.

No entanto, Langridge está otimista de que, à medida que as doenças autoimunes continuam a se expandir, a relutância popular pode ser vencida. “Não há provas de que alguém tenha sido prejudicado comendo plantas geneticamente alteradas, mas o medo persiste”, reconhece. “Se pudermos mostrar como isso ajudará, estou confiante de que as pessoas mudarão de ideia.”

Muito limpo para ser saudável

Langridge suspeita que a ênfase atual na limpeza desempenha um papel na explosão de doenças autoimunes sem precedentes nos dias de hoje.

Em gerações anteriores, quando a maioria dos americanos vivia em fazendas e tinha interações diárias com animais, as pessoas ficavam expostas a todos os tipos de germes no início da vida que raramente ou nunca encontram hoje. Como resultado, seus sistemas imunológicos desenvolveram respostas imunes robustas e células de memória que poderiam proliferar rapidamente e eliminar muitas doenças e germes na infância.

Mas com toda a cautela com limpeza atualmente, o sistema imunológico pode deixar de desenvolver uma resposta imune apropriada aos agentes patogênicos.

A atual pesquisa de Langridge é focada em vacinas para prevenir o aparecimento e a progressão da diabetes tipo 1. Uma vez que o mecanismo subjacente à resposta imune seja totalmente compreendido, será testado em pacientes com diabetes, e a estratégia será aplicada ao desenvolvimento de vacinas para outras formas semelhantes de doenças autoimunes.

“Estamos cerca de 70% do caminho para prevenir completamente o aparecimento dessa doença e cerca de meio caminho para aplicar a vacina de proteína de fusão para aqueles com inflamação de diabetes tipo 1 de início precoce”, adianta.

A US Food and Drug Administration (FDA), a agência governamental que aprova novos medicamentos nos Estados Unidos, quer ter certeza de que as vacinas são seguras e eficazes antes de autorizar seu uso em testes humanos.

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