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Pesquisa brasileira confirma eficácia das dietas vegetarianas

Estudo Advento, pioneiro no Brasil, mostra com dados conclusivos que dietas vegetarianas efetivamente são melhores para a saúde

2 de janeiro de 2018

Por Felipe Lemos

 

Alimentação vegetariana é destaque em estudo científico. Foto: Reprodução Youtube

Cientistas estão atentos aos chamados bolsões de vida saudável no mundo. Chamadas de Blue Zones, essas regiões apresentam pessoas com impressionante longevidade e um estilo de vida mais saudável. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma dessas áreas é a região de Loma Linda, no sul da Califórnia. Os mais de 20 mil habitantes da região têm uma expectativa de vida maior (acima de 90 anos de idade). Pesquisas mostraram que os habitantes de Loma Linda (maioria fieis da Igreja Adventista do Sétimo Dia) vivem até dez anos a mais do que a média dos americanos (79 anos) e chegam à idade avançada com uma saúde melhor.

Um estudo inédito, na mesma linha, já tem os primeiros resultados e foi realizado em São Paulo e Espírito Santo.  O Projeto Advento (Análise da Dieta e Hábitos de Vida na Prevenção de Eventos Cardiovasculares em Adventistas do sétimo dia) investigou 1400 membros dessa igreja em São Paulo e cerca de 300 no estado do Espírito Santo divididos de acordo com o regime dietético (não vegetarianos, lacto-ovo-vegetarianos, e vegetarianos estritos) entre 35 e 74 anos de idade.

O estudo analisa a relação entre o estilo de vida adventista e a prevalência de fatores que podem levar a doenças crônicas, especialmente cardiovasculares. Os resultados da população adventista também serão comparados com os de uma população não-adventista. Mais da metade das pessoas analisadas pertenciam a famílias que recebem menos de quatro salários mínimos mensais.

O vegetariano estrito é aquele que come frutas, verduras, cereais, legumes sem o uso de ovos ou leite na sua dieta. Ovo-lacto vegetariano é o que utiliza ovos e leite, mas não utiliza nenhum tipo de carne (vermelha ou branca).

Resultados

Os resultados são fruto dessa avaliação. O estudo analisa a relação entre o estilo de vida adventista e a prevalência de fatores que podem levar a doenças crônicas, especialmente cardiovasculares. Os resultados da população adventista também serão comparados com pessoas dos grupos da população em geral.

Segundo o cardiologista Everton Padilha Gomes, coordenador geral do Projeto e médico assistente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, os resultados sugerem uma melhor performance dos que mantém a dieta vegetariana estrita e a dieta ovo-lacto-vegetariana em relação a uma dieta não vegetariana em diferentes indicadores. “Esses bons resultados se dão em relação ao índice de massa corpórea, medida de cintura abdominal, indicadores de colesterol total, colesterol HDL, colesterol LDL, glicemia de jejum e hemoglobina glicosilada)”, afirma.

Nos pacientes com dietas vegetarianas, foi constatado um menor percentual de gordura corporal, gordura no tronco abdominal, gordura nos membros, menor índice de massa corpórea, ou seja, melhores índices compatíveis com a estrutura corporal.

Em relação a exames clínicos, na parte inflamatória, houve uma constatação interessante. Há vários dados que sugerem que as dietas vegetarianas dão ao organismo um melhor estado geral com menor estado inflamatório. Entre os pacientes com dietas vegetarianas, constataram-se marcadores de inflamação com melhor performance (exemplo: número total de leucócitos relativamente menor, proteína C reativa menor, etc).

No aspecto relacionado à microbiota intestinal, cujos resultados inclusive foram publicados em importantes revistas científicas mundiais, foi sugerido, a partir dos resultados, que os pacientes adeptos das dietas vegetarianas apresentaram uma menor incidência de marcadores de inflamação corporal e uma composição de microbiota mais favorável a uma redução inflamatória.

Em palavras mais simples, se você se alimenta de uma forma mais saudável e mais equilibrada, você terá uma composição de bactérias intestinais que provocação menos irritação e menos inflamações, reduzindo, na prática, reações alérgicas. Vai colaborar, também, para que o organismo melhore até sua autoimunidade.

Veja reportagem sobre a pesquisa no programa Globo Repórter:

Dados comprovam

Os dados mostram inicialmente uma redução em torno de 19% para IMC e medida da cintura.  O colesterol total foi 12% menor no grupo de vegetarianos estritos em relação a não vegetarianos, e os triglicerídeos foram 22% menores no grupo vegetariano.

Os índices que preveem uma maior predisposição a diabetes e alterações prejudiciais nos vasos sanguíneos foi até 23% menor nos vegetarianos.  Impressionante, também, são os achados iniciais de marcadores ligados à função renal, que foram quase 34% melhores entre os vegetarianos se comparados com os dos não vegetarianos.  Esse tipo de dieta esteve associado em 62% de redução em substâncias inflamatórias no organismo.  Outro dado importante: até agora se percebeu que os índices HOMA-IR, que medem o grau de resistência à insulina e função prejudicada das células beta pancreáticas (células beta são as responsáveis por sintetizar e eliminar o hormônio insulina, que regula os níveis de glicose no sangue), são piores nos indivíduos não vegetarianos na amostra estudada (46% de redução de risco para os vegetarianos).

Falta de nutrientes?

Sobre deficiência de nutrientes, duas questões que são constantemente levantadas em respeito às dietas vegetarianas são sobre o conteúdo de vitamina D, por muitos evitarem o consumo de alimentos lácteos, e a dosagem de vitamina B12.

Para a vitamina D, houve uma diferença positiva, favorável aos grupos vegetarianos, em relação à vitamina D, comparados com não vegetarianos.  E não houve diferença entre o grupo ovo-lacto vegetariano e o vegetariano estrito.  Para a vitamina B12, houve uma diferença, com índices maiores de vitamina B12 no grupo não vegetariano.  O médico Everton Gomes frisa que o grupo vegetariano esteve com seus níveis dentro do que se considera adequado para esta vitamina.

O coordenador da pesquisa comenta, ainda, que este estudo é o panorama de uma população de vegetarianos, especificamente os adventistas do sétimo dia e não pode ser extrapolada para todas as populações vegetarianas.  Especificamente, no grupo adventista estudado, mesmo entre não vegetarianos, há um consumo de 2 a 3 vezes maior de FLV (frutas, legumes e verduras) dos adventistas em relação a média populacional brasileira. Isto destaca também a importância de uma alimentação equilibrada.

Mais detalhes em http://estudoadvento.adventistas.org 

 

 

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