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Adventistas na Bahia discutem prevenção do suicídio

Evento reuniu líderes e representantes de 200 mil adventistas para Bahia e Sergipe.

Lauro de Freitas, BA …[ASN] Os dados são da Organização Mundial da Saúde: Mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano, algo como uma ocorrência a cada 40 segundos. O suicídio é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. Mais de 75% dos casos ocorrem nos países pobres ou com renda média. No Brasil, são mais de 11 mil ocorrências por ano. Os indicadores do estudo internacional “Prevenindo Suicídios – Um imperativo global”, da agência da Organização das Nações Unidas, refletem o suicídio como um grave problema de saúde pública. E que exige a urgente mobilização da sociedade civil. Na sede da Igreja Adventista do Sétimo Dia para Bahia e Sergipe, um encontro, ocorrido nesta quarta-feira, dia 27 de setembro, reuniu representantes de mais de 200 mil adventistas desses dois estados do Nordeste para debater sobre meios pelos quais a Igreja pode ajudar a prevenir o aumento de casos de suicídio no país.

Os debates sucederam a apresentação da psicóloga Camila Leal, orientadora profissional e de carreira pelo Instituto do Ser e pós-graduanda (MBA) em Gestão de Pessoas pela Universidade de Salvador. A psicóloga discorreu sobre os dados da OMS, enfatizando a importância da campanha Setembro Amarelo, uma iniciativa mundial que ocorre no mês de setembro para prevenção de suicídio, e que no Brasil é coordenada pelo Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria.

A psicóloga Camila Leal iniciou sua apresentação refletindo sobre a gravidade da pesquisa realizada pela OMS para prevenção do suicídio.

“Suicídio pode ser prevenido; estima-se que nove em cada dez casos é possível evitar”, disse Camila, alertando para a necessidade de se quebrar o tabu de não se falar sobre esse tema abertamente na sociedade. “Falar sobre suicídio é importante. Sabemos que ter a oportunidade de desabafar pode não trazer solução imediata, mas só o fato de conversar a pessoa já se sente melhor”, disse. Para a palestrante, a mídia precisa assumir um papel de mais protagonismo nesse debate. “A mídia precisa informar mais sobre isso. Precisa mostrar abertamente onde as pessoas podem buscar ajuda e tratamento”, declarou.

Desconstruindo mitos – Para a psicóloga, existem alguns mitos que precisam ser desconstruídos para uma ação mais efetiva em favor de pessoas tomadas pelo sentimento do suicídio. Um desses mitos é o que define essa ação como uma espécie de direito pessoal de escolha sobre o que fazer com a própria vida. “Uma pessoa com essa ideia geralmente passa por transtorno mental, que pode ser uma depressão, transtorno bipolar, vício em drogas ou álcool, algo que distorce a percepção de realidade das pessoas e afeta seu livre-arbítrio”, disse Camila.

Outro mito abordado foi acerca da melhora repentina no humor e no cotidiano de uma pessoas que tenha dado indícios do desejo pelo suicídio. “A melhora repentina pode ser um indício de que a pessoa pode ter consolidado o desejo de se suicidar. Ela pode pensar que o suicídio resolve o problema dela”, afirmou. Camila trouxe o exemplo do vocalista da banda americana de rock Linkin Park, Chester Bennington. No dia 20 de julho de 2017, Bennington foi encontrado morto em sua residência em Palos Verdes, no sul da Califórnia. A causa da morte foi suicídio por enforcamento. A psicóloga lembrou de vídeos recentemente divulgados mostrando o vocalista brincando com familiares, sorrindo, fazendo brincadeiras, tudo isso apenas 36 horas de ter tirado a própria vida. “Uma melhora repentina de humor, um estado de felicidade, brincadeiras que até então não eram comuns, podem apontar para a consolidação desse desejo”, afirmou.

Para Camila Leal, é preciso estar atento a sinais, como a conversa, sutil ou escancarada, do desejo pelo suicídio. É preciso estar atento a outros sinais, como o isolamento social, o interesse em organizar documentos e papéis e mudanças repentinas de humor.

Profissionais e líderes trataram de ideias para uma ação preventiva contra o problema.

Para quem vivencia uma experiência com alguém nesse contexto, é preciso aguçar o tato, a empatia e a paciência, disse Camila. Ela pontuou que a ajuda profissional é imprescindível, vinda de psiquiatras, psicólogos e profissionais da área de saúde. Segundo ela, o apoio da família e de amigos também é fundamental.

Como ajudar?

Para a psicóloga, além da ajuda profissional, é possível tomar algumas atitudes que ajudam a colaborar com pessoas nesta situação:

  • Esteja disposto e paciente a ouvir. Converse com a pessoa, pergunte se está acontecendo alguma coisa. A paciência é virtude essencial. De repente a pessoa pode falar apenas no tempo dela. “O processo é cansativo, cuidador muitas vezes pode ficar em situação difícil, mas a paciência”, disse Myrna Dantas, formada em Psicologia, responsável pelo setor de Departamento Pessoal da sede da Igreja Adventista para Bahia e Sergipe.
  • Seja compreensivo, educado e empático. Incentive-o para que procure ajuda profisisonal, e acompanhe-o na primeira consulta.
  • Não deixe a pessoa sozinha. Estar sempre perto e oferecer ajuda, serviços de emergência .
  • Não condene, não julgue, não diga que é fraqueza.
  • Crianças também tem pensamentos suicidas. É preciso estar atento aos sinais.
  • Não banalize o sofrimento, dizendo coisas do tipo: “Já passei por isso”, “já passei por coisa pior”. Declarações como essas deixam a pessoa ainda mais fraca e debilitada pelo seu problema.
  • Não dê soluções simples. Isso vai fazer que a pessoa pense: A solução é simples, e nem isso consigo”. É a lógica da pessoa nesse dilema, segundo Camila. (Equipe ASN, Heron Santana)

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