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“Quebrando o Silêncio” orienta mulheres de Juiz de Fora sobre abuso e violência

Ações realizadas na região central do município ofereceram assistência social e atendimento físico, psicológico, jurídico e de apoio espiritual

As ações aconteceram no Parque Halfeld, no centro de Juiz de Fora. Foto: Pablo Melo

Juiz de Fora, MG (ASN) … De acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), em 2017, até o mês de junho, foram registrados 13 estupros consumados em Juiz de Fora. Já em relação aos estupros consumados de vulneráveis, foram 27 registros neste ano. Analisando estes e outros dados de violência contra a mulher no município, voluntários do projeto “Quebrando o Silêncio” realizaram no último sábado, 26, um trabalho de conscientização sobre o abuso e violência doméstica. As ações foram realizadas na região central de Juiz de Fora e ofereceram atendimento físico, psicológico, jurídico e de apoio espiritual. Materiais educativos também foram distribuídos.

Conheça o projeto

“Não podemos fechar os olhos para a situação de violência contra a mulher nesta região de Minas Gerais. Ao nos depararmos com esses dados, Juiz de Fora precisa ser mobilizada e alertada para não se conformar com a realidade apresentada. Precisamos literalmente quebrar o silêncio com o intuito de prevenir tais violências, neste ano com foco na violência sexual, tanto de mulheres como crianças”, pontua Giselli Belinassi de Sá, coordenadora do projeto Quebrando o Silêncio na zona da mata e sul de Minas Gerais.

De acordo com Sara Lima, responsável pelo Ministério da Mulher da Igreja Adventista nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, o projeto Quebrando o Silêncio está há 15 anos trabalhando para ajudar pessoas que estão sofrendo diversos tipos de violência. “Nós precisamos levar avante este projeto. Eu fico feliz em ver este movimento tão grande aqui, em Juiz de Fora. E é válido lembrar que a violência doméstica infelizmente é uma realidade dentro de lares de pessoas que frequentam a igreja também. Por isso nós não podemos parar. Precisamos incentivar todas as pessoas a quebrar o silêncio”, pontua.

A sociedade apoiou o projeto, bem como representantes de órgãos públicos. As mídias locais, como TV Alterosa (afiliada do SBT), TV Integração (afiliada da Globo), portal de notícias G1, Tribuna de Minas e Diário Regional divulgaram as ações realizadas pelo Quebrando o Silêncio, levando ao conhecimento da população essas informações de conscientização e combate à violência física e/ou sexual.

Na Câmara Municipal de Juiz de Fora existe um projeto de lei, apresentado pelo vereador Antônio Aguiar, também nomeado de “Quebrando o Silêncio”, com a finalidade de auxiliar no combate e prevenção à violência, especificamente contra crianças, mulheres e pessoas idosas do município. Esse projeto de lei busca instituir no calendário de Juiz de Fora o Dia Municipal de Ênfase Contra o Abuso e a Violência, sendo realizado anualmente no quarto sábado do mês de agosto. “Reitero meu apoio e minha admiração pela seriedade cristã da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seguimos com nosso projeto de lei inspirado neste trabalho. Em breve comemoraremos a sua aprovação na Câmara”, diz Antônio Aguiar.

Combate à violência física 

Orientação dada pelas voluntárias é que as mulheres não encobram a verdade. Foto: Pablo

Além das ações realizadas no sábado, durante alguns dias da última semana, voluntárias do projeto Quebrando o Silêncio estiveram no calçadão da Rua Halfeld, uma das ruas mais movimentas, localizada no centro do município, com sinais de hematomas no rosto e partes do braço e a boca vedada com uma fita, simulando sinais de violência que as mulheres carregam pelo corpo. Em suas mãos, cartazes com frases justificativas de mulheres que ainda têm medo de denunciar o agressor, como “eu caí da escada”, “eu bati na maçaneta”, “eu escorreguei no banheiro”. As pessoas que passavam por essas mulheres na rua, dentre homens e mulheres, crianças e idosos, “quebravam o silêncio” tirando a fita da boca delas, que explicavam o real motivo dessa ação: a conscientização contra a violência doméstica. “Às vezes, muitas mulheres aceitam tal situação porque amam ou porque têm filhos. Por isso atos como esse, que retratam as vítimas, são importantes para dizer que elas não precisam continuar sofrendo”, pontua Giselli.

Durante a ação, algumas mulheres que tiraram a fita da boca das voluntárias para ouvir palavras de conscientização revelaram que já enfrentaram algum tipo de violência dentro de seus lares, porém decidiram quebrar o silêncio, denunciando o agressor. “Denunciei duas vezes, e tenho orgulho disso, porque isso não pode ficar impune. Nós sofremos muito. Isso não é fácil. O que eu desejo a todas as mulheres é coragem e força de tomar essa atitude”, diz Érica Bernardo, que já sofreu violência doméstica por mais de 10 anos. A pedagoga Loisy Vieira também enfrentou essa situação dentro de casa. “Não foi fácil denunciar. Eu passei por situação de violência várias vezes. Depois que eu casei, a situação evidenciou-se, até o dia em que não deu mais”, lembra Loisy. “Meu ex-marido chegou a fraturar minha costela, mas eu consegui dar uma basta na situação”, revela.

Como denunciar

Por meio do telefone 100, é possível denunciar violência de qualquer tipo. O serviço funciona das 8 às 22 horas, inclusive finais de semana e feriados. É possível enviar e-mail pelo disquedenuncia@sdh.gov.br. (Equipe ASN, Mayra Marques)

 

 

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