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Igreja Adventista batiza 15 estrangeiras neste sábado no Carandiru, SP

Em 20 anos de Ministério Carcerário, mais de 100 mulheres foram batizadas dentro da Penitenciária Feminina da Capital, Carandiru.

19 de dezembro de 2017

Imagem Ilustrativa

São Paulo, SP… [ASN] A vida de uma estrangeira na Penitenciaria Feminina da Capital em São Paulo pode ser solitária.  A carência pela família é uma característica unânime nos pavilhões com estrangeiras no Carandiru, SP. Isso é o que afirma José Eduardo Sousa, 59 anos, que há 18 anos visita o presídio para dar Estudos Bíblicos.

“As estrangeiras não recebem visitas. Quando chegamos, passamos a ser a família delas, para conversar, desabafar e fazer uma oração”, conta.

O projeto existe há mais de 20 anos e faz parte do Ministério Carcerário das regiões Leste e Norte da capital paulista. Eduardo é da Igreja Adventista da Penha e coordena o grupo composto por 13 pessoas, com participantes de Engenheiro Goulart e São Miguel Paulista.

De acordo com Souza, há falta de voluntários para falar em outros idiomas já que as presidiárias são de diversos países. Mas isso não impede a comunicação nos estudos. “Temos detentas que ajudam a traduzir. São pessoas que já sabem um pouco de português. Falamos para ela e ela repassa para as outras, assim é feito também quando se tem dúvidas. Isso é bom, ajuda a criar um laço de confiança”.

Uma prova disso é o batismo de 15 mulheres neste sábado, 16. O diretor do Ministério Carcerário, pr. Jair Miranda, ministrou os batismos dentro da penitenciária. Segundo o diretor, o ministério está presente também na Penitenciária de Santana e Franco da Rocha.

Visitas inesquecíveis

Ao longo dos anos mais de 100 mulheres foram levadas ao batismo. O coordenador conta que a visitação começa às 14h30 do sábado. Os estudos acontecem no refeitório até às 16h30. O convite para as detentas participarem do grupo religioso vai desde folhetos missionários entregues nos corredores ao “boca a boca”. “As que já são participantes do grupo convidam as outras”, conta.

No Carandiru, as estrangeiras esperam as sentenças junto com as brasileiras. Elas podem buscar conforto nos grupos religiosos que visitam o local aos finais de semana. “Muitas perdemos o contato, nunca mais a vimos, pois acabam voltando para o país de origem”, comenta. Outras não chegam a ter um veredito, é o caso da história da brasileira que marcou a vida de Eduardo.

“Entramos no Pavilhão I e logo fomos avisados que estavam em rebelião. Decidimos entrar. Logo uma moça pediu oração, elas estavam arrumando a decoração porque no dia seguinte era o domingo de Dia das Mães. Nesse domingo, ela levou um tiro de um policial e faleceu. No sábado que retornei, perguntei dela, me avisaram que ela tinha falecido. Naquele dia, fomos a única Igreja que aceitou entrar por causa da rebelião. Essa história me marcou”.

Para Eduardo a gratificação nestes 18 anos é grande. “Estamos levando a Palavra de Deus para essas moças e temos o prazer de estar contemplando a Palavra. Também somos abençoados por isso. Ao final, quem entra não quer mais sair do projeto”, conclui. [Equipe ASN, Michelle Martins]

 

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