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Igreja oferece curso de Língua Portuguesa para haitianos

Imigrantes têm dificuldade em conseguir emprego. Curso deve ajudar os haitianos a se comunicar com os brasileiros

 

Martine fala sobre situação no Brasil [Wallcley Rêner]

São Paulo, SP … [ASN] A haitiana Martine Jean, de 38 anos, migrou do seu país de origem para o Brasil há seis anos. Como bagagem, apenas uma mala de roupas. Na época, grávida do terceiro filho, morou em Itapedinga (Bahia), porém um ano depois, mudou para Grande São Paulo em busca de emprego.

Mas na metrópole a vida se tornou complicada, com o dinheiro prestes a acabar e com o filho já nascido, ela se viu obrigada a pedir ajuda. Orou para encontrar uma Igreja Adventista. No sábado pela manhã, veio a resposta da prece. “Eu vi um homem passando com a Bíblia na mão, eu não sabia falar quase nada, chamei ele de amigo e perguntei de uma Igreja Adventista”, lembra a haitiana.

O homem era um adventista e a levou para o templo, local que ela pode ser auxiliada pelos membros do centro de refugiados da sede da Igreja conhecida como Associação Paulistana. Essa não foi a primeira vez que encontrou ajuda em uma congregação adventista para sobreviver no país. Pois a vida tem sido mais difícil no Brasil em comparação com o Haiti, afirma a imigrante, já que antes possuía casa própria e emprego. “Acho que todo o haitiano vem para o Brasil para ter uma vida melhor”, conta Martine.

Apesar da situação de vulnerabilidade vivenciada pelos imigrantes, o Brasil ainda é a melhor opção. “O Brasil é melhor, no Haiti tem que pagar hospital e escola”, fala sobre sua escolha por migrar. O país abriu as portas para os refugiados após o terremoto que devastou parte do Haiti em 2010. Porém os haitianos sofrem com a falta de comprovação das habilidades profissionais e a dificuldade na comunicação.

Atualmente, Martine ajuda outros haitianos na Igreja Adventista do Jardim Aurora, extremo leste da cidade São Paulo. Ela também é aluna do curso de Língua Portuguesa.

Veja a matéria transmitida na TV Novo Tempo

Curso para haitianos

O pastor José Luis de Souza, idealizador do curso, afirma que existem muitos haitianos na região do Jardim Aurora, que não sabem falar o idioma local e estão desempregados. De acordo com o pastor, o Centro para Imigrantes na Barra Funda oferece o curso de Língua Portuguesa, mas é distante, e os haitianos não possuem o dinheiro para adquirir o bilhete do transporte público. “Então pensamos em fazer o curso aqui na igreja. Ganhamos as apostilas do Centro de Refugiados e conseguimos a doação dos materiais escolares”, conta sobre como conseguem manter as aulas gratuitas.

O curso está sendo ministrado pela voluntária Denise Batista, estudante de pedagogia, que deseja que ao final do aprendizado, os mais de 30 alunos conquistem um espaço no mercado de trabalho.

Apostilas são adaptadas para haitianos

Mercado de trabalho para os imigrantes

Com a desvalorização da mão-de-obra haitiana no mercado de trabalho brasileiro e a necessidade de revalidar os diplomas de graduação, muitos acabam vendendo mercadorias nas ruas do Brás (conhecido ponto comercial da capital paulista) para sobreviver. É o caso de Martine, que se transformou em uma vendedora ambulante depois de vários empregos mal remunerados. “Eu era cozinheira, estava ganhando como auxiliar de cozinha, e ganhava menos que o cozinheiro, e fazia a mesma função”, lamenta a desvalorização.

Para sustentar os dois filhos no Brasil e conseguir ajudar a família no Haiti, no Brás, ela chega às 4 horas da manhã para comprar mercadoria com os hispanos, coloca tudo sob uma lona preta e tenta vender para quem passa no local.  Ela afirma que, há dias, não consegue nem o dinheiro da passagem para voltar para casa. A venda é constantemente interrompida pela apreensão de mercadorias da Polícia Militar.

Ela afirma, porém, que no Haiti a situação é pior. “Tem gente que nasce e passa a vida toda sem ter um emprego”, ainda lembra. “Aqui a gente tem o que comer, tem comida na geladeira, no Haiti, tinha gente que não tinha o que comer, quando eu tinha comida, eu dava para quem não tinha nada. É o que eu lembro de lá”. [Equipe ASN, Michelle Martins]

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