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Servidores da Igreja Adventista no Sul do Brasil realizam voluntariado no Egito

Iniciativa pioneira pretende envolver mais pessoas em projetos missionários no Oriente Médio

Os voluntários dedicaram seus esforços no Nile Union Academy (NUA),  internato de ensino médio, fundado em 1954 (Fotos: Mauro Jacoby)

Cairo, Egito…[ASN] Por 20 dias, o local de trabalho dos servidores da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Sul do Brasil foi transferido para milhares de quilômetros de distância da capital paranaense. O grupo de 54 pessoas, representado pelas diferentes funções desenvolvidas no escritório, além de seus familiares, embarcou, entre os dias 12 de fevereiro e 3 de março, para uma experiência de voluntariado na cidade do Cairo, no Egito.

A igreja do internato foi reformada e ganhou novos bancos.

“Nós entendemos que havia uma necessidade embutida neles, que já têm um envolvimento com a igreja, mas que talvez faltava neles, e a pedido deles, um impacto maior no sentido de missão. Com essa razão, eles mesmos se ofereceram para doar parte das férias, a pagar a passagem, então nós montamos um projeto para que se unissem numa necessidade da igreja, e acabamos escolhendo esse local”, explica o líder da União Sul Brasileira (USB), pastor Marlinton Lopes, sobre o projeto intitulado 20 Dias em Missão.

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Grande parte dos esforços se concentrou no Nile Union Academy (NUA), o único internato adventista de ensino médio de todo o Oriente Médio. Fundado em 1954, o local atende atualmente 120 estudantes entre egípcios e sudaneses. Os brasileiros contribuíram com trabalhos de reformas em diferentes partes do colégio, entre outros serviços gerais. Além disso, organizaram programações com as crianças de uma pequena escola de ensino infantil dentro do NUA, e também em uma escola sudanesa localizada mais ao centro da cidade.

Um campo de futebol foi entregue, como forma de atrair novas pessoas para Jesus por meio do relacionamento.

Para Carlise Antal, dedicar suas férias a uma iniciativa como essa tem sido algo marcante. No ano passado, a secretária participou de um projeto missionário na Mongólia, e neste também abraçou o desafio de contribuir no Egito. Segundo ela, o voluntariado ajusta as prioridades. “Esse esforço de vir para outro país faz todo o sentido se a gente quer que Jesus volte logo. Quais são os tesouros do seu coração? Não deveriam ser bem materiais, porque uma vez que você perde tudo isso, perde o sentido também. O foco de cada pessoa que crê em Deus é pregar do Seu amor”, opina.

Mesmo não sendo áreas de domínio dos servidores, o diretor financeiro da USB, pastor Edson Medeiros, acredita que o trabalho envolveu grande dedicação de cada um, e que pode ser considerado como uma maneira diferente de adoração a Deus. “Dentro da nossa visão, aparentemente a gente só adora a Deus quando coloca a sua roupa bonita, senta na igreja, canta, prega e ora. Aqui, sentimos no coração que quando estamos passando massa na parede ou lixando, nós estamos adorando também. Tudo o que fizemos foi uma oferta de gratidão a Deus”, comenta o líder, que também cita a colaboração do grupo na aquisição de um campo de futebol para proporcionar relacionamentos e de um trator para facilitar o trabalho de reciclagem realizado por Ronylson Freitas, voluntário brasileiro que está no Egito há um ano e meio.

Realidade

Uma programação especial foi realizada para as crianças da escola sudanesa. O tema principal foi Happy Train.

A sede da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Oriente Médio abrange 20 países, somando 520 milhões de pessoas. Diante deste cenário de maioria muçulmana, em todo o território, apenas 3.700 pessoas são adventistas, o que corresponde a um adventista para cada 146 mil habitantes.

Campanhas de evangelismo público, por exemplo, não são permitidas na localidade. Desta maneira, é necessário desenvolver outros métodos de aproximação e compartilhamento da Bíblia. No Egito, o relacionamento e a oração são as principais ferramentas. “Não temos liberdade para entregar panfletos, pendurar cartazes ou convidar as pessoas para que venham aos nossos cultos. Então aqui nós precisamos depender ainda mais das estratégias que vêm de Deus. Nós oramos para que as pessoas tenham acesso a alguém da igreja. [Ao todo,] 99% dos nossos membros são nativos, frequentam os mesmos lugares, trabalham ou estudam com pessoas de outras denominações. Fica o desafio de eles mostrarem através do exemplo o Deus a quem eles servem”, conta o líder da Igreja Adventista no Egito e Sudão, pastor Kleyton Feitosa.

Relacionamento era uma prioridade para os voluntários.

E o relacionamento também foi uma metodologia usada pelos servidores da USB em solo egípcio. Muito mais do que construções ou revitalizações, a ideia do grupo foi de motivar e inspirar os alunos internos a servirem a Deus com sua futura capacitação profissional.

Segundo Marlinton, a intenção é que em uma localidade necessitada de pessoas voluntárias como esta, consiga-se nativos para dar continuidade ao trabalho. “Neste internato, jovens decidem ser obreiros, pastores. E daqui eles vão para Beirute, no Líbano, onde fazem faculdade. Então há jovens que se nós pudermos inspirar, preparando uma estrutura melhor para eles se sentirem atraídos ao colégio e motivados à missão, isso ajudaria muito”, analisa.

Primeiro passo

Cada voluntário doou suas férias e arcou com as despesas do projeto.

A iniciativa de envolver exclusivamente funcionários de uma instituição adventista para o serviço voluntário é pioneira. Porém, o projeto é um embrião de uma intenção maior. Nos próximos 18 meses, as nove sedes administrativas da Igreja que compõem a União Sul Brasileira – e estão localizadas nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – também irão impactar algum país do Oriente Médio por meio do voluntariado. Esta é uma parceria com o Serviço Voluntário Adventista (SVA).

“O sonho é que todos possam ter a oportunidade de servir com o seu dom e fazer dele um ministério. Aí entra o departamento do Serviço Voluntário Adventista. Essa é uma ponte que liga a necessidade do mundo com os talentos. Todos os dons hoje são necessários em várias partes do mundo. E junto com a USB, que tem um sonho de missão focado, nós vemos outras Uniões colocando pessoas para que sejam pontes ligando projetos e o mundo todo”, comemora o líder do SVA, pastor Elbert Kuhn. [Equipe ASN, Jéssica Guidolin]

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