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Votuporanga promove 1º Simpósio de Liberdade Religiosa

Evento foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos

Várias autoridades civis e eclesiásticas participaram do simpósio. Foto: colaborador local

Várias autoridades civis e eclesiásticas participaram do simpósio. Foto: colaborador local

Votuporanga, SP… [ASN] Mais de 300 pessoas prestigiaram o 1.º Simpósio de Liberdade Religiosa de Votuporanga no último sábado, dia 18 de junho, na Câmara Municipal. O evento foi realizado pela sede administrativa da Igreja Adventista para o Oeste de São Paulo, sediada em São José do Rio Preto, em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos.

Um dos momentos mais emocionantes do 1.º Simpósio de Liberdade Religiosa foi quando o presidente da sede administrativa da Igreja na região, pastor Acílio Alves, pediu para que todos os presentes se abraçassem e dissessem um para o outro: “eu aceito você do jeito que você é”. O momento foi de partilha e de muito respeito.

Em seguida, pediu para que os líderes religiosos e representantes de classe fossem até à frente para que juntos fosse feita uma foto para registrar. “Nada justifica matar. Temos que viver em liberdade. Todos temos o direito de crer e descrer e isso deve ser respeitado. A liberdade religiosa não prega teologia, mas compreensão e convivência pacifica de amor”, disse.

Fechando o simpósio, o pastor pediu ainda um minuto de silêncio para lembrar das vítimas que foram mortas devido confessarem sua fé e não serem aceitas por determinados grupos. Relatou ainda que recebeu um e-mail vindo da África, onde uma pessoa pede ajuda. Para escapar de grupos extremistas, muitos tentam fugir pelo mar, mas acabam morrendo afogados. “Muitos corpos desaparecem nas águas, outros o próprio mar devolve. Quando chegam na praia, ficam expostos e não podem ser enterrados porque os extremistas alegam ser ‘diferente’ deles. Esta pessoa que me escreveu pede para que seja comprado um terreno onde os corpos possam ser enterrados com dignidade, independente da sua opção religiosa”, encerrou.

As lideranças foram presenteadas com o livro Liberdade Religiosa, do escritor Aldir Guedes. Também receberam uma medalha para que se comprometam a ser defensores da liberdade religiosa em Votuporanga. O simpósio contou com a participação dos quartetos Adventus, de Catanduva, e Spirituals, de Votuporanga.

Ablirc

O presidente da Ablirc (Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania), professor Samuel Luz, elogiou a iniciativa de se realizar um evento para discutir a liberdade religiosa. “Todos ousaram em acreditar que a defesa pela liberdade religiosa é possível. Eventos como esse devem ser valorizados, multiplicados e consolidados, para que a sociedade seja educada. Cada um de nos será multiplicador do verdadeiro conceito de liberdade religiosa. Reunimos na Câmara mais de 300 pessoas de Votuporanga e região, de diferentes crédulos, pensamentos e atitudes, todas com um bem comum: de buscar a paz e o consenso. Um tema quando começa a ser decorrente na sociedade, vai direcionando as coisas para que as decisões estejam sensíveis ao fato. E hoje a liberdade religiosa é realidade na sociedade brasileira. Estamos reunidos no simpósio porque queremos fazer o que é certo. Eu posso não concordar com o que você diz, mas é seu direito achar o que é certo ou não”, falou. 

Criada em 28 de junho de 2004 na Câmara de Diadema, a Ablirc nasceu da necessidade de se organizar a sociedade civil no sentido de defender o Direito Fundamental da Liberdade Religiosa. Como estratégia de mobilização para destacar a importância do tema a Ablirc desenvolve eventos com a participação de autoridades civis, religiosas, acadêmicas e representantes da sociedade civil. Também tem um programa de visitas às autoridades constituídas, visando dar destaque a essa causa que se constitui num dos maiores desafios do Século XXI.

“A liberdade religiosa não está vinculada à religião. Isso não é o mais importante. Cada um tem o direito que declarar a crença que escolheu. É o que nos une nesse momento. A Ablirc defende o direito de todos, desde os cristãos aos ateus. Quando alguém tem seu direito violado, poderá entrar em contato com a associação”, disse.

Devido ao sucesso do simpósio, ele sugeriu que Votuporanga estivesse representada com dois conselheiros na Ablirc. Integrarão em breve a associação, Fabiana Lopes de Almeida, diretora do departamento de Liberdade Religiosa da IASD Bom Clima, e seu esposo, Anderson Almeida. 

Palestrantes 

O simpósio reuniu representantes de várias entidades para abordar a liberdade religiosa. De maneira rápida e dinâmica, passaram suas ideias a favor de que cada ser humano possui direito de declarar sua fé, como também respeitar o próximo com suas respectivas convicções religiosas.

O professor Amarildo Martins, diretor do departamento de Liberdade Religiosa da sede da Igreja Adventista na região oeste paulista, falou que o objetivo do simpósio era propor uma reflexão à sociedade para aprender a conviver com as diferenças religiosas. “Temos que respeitar todos os credos e principalmente os que não creem. Tolerância é quando você ouve com paciência as ideias opostas a sua. É o que se opõe ao ódio, violência, fanatismo e discriminação. É uma virtude que aceita e respeita o outro, mesmo sem concordar”, destacou. 

Amarildo aproveitou para agradecer a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, administrada por Flávio Liévana. Contou que a proposta de realizar eventos em parceria com o poder público tinha um único objetivo: o bem comum e a propagação de ideias para melhorar a vida de todos. “Este evento não teve dono. Que juntos possamos respeitar a diversidade”, encerrou.

Vídeo

Foi passado aos presentes um vídeo da presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, Damares Moura Kuo. Ela gostaria de ter participado do simpósio – uma vez que já esteve em Votuporanga em 2014, durante evento realizado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos, mas tinha outro compromisso inadiável já marcado anteriormente. Opinou que o evento tinha como missão despertar na sociedade o direito de respeito a fé (ou não) do próximo.

Intolerância religiosa no mundo

Em seguida, o professor Milton Panetto Junior discorreu sobre o panorama da liberdade religiosa no mundo. 

Ele disse que no Brasil a liberdade religiosa é concedida, mas orienta que todos tenham cuidado para que não seja retirada. “O Brasil está bem, porém, temos que pensar um pouco mais. A liberdade de religião é uma das peças fundamentais dos direitos humanos, que nos faz ser racionais, defender a bandeira e ajudar as pessoas que estão sendo perseguidas e que precisam do nosso apoio”.

Junior também fez uma crítica à mídia. “Muitas vezes determinadas religiões não são bem vistas, pois são retratadas de maneira equivocada no cinema, em séries, na TV. Aquilo que é sagrado para os grupos deve ser respeitada e a mídia talvez não passa de maneira correta”, opinou. 

O professor apresentou dados sobre a atual situação da liberdade religiosa no mundo. Hoje, 70% da população mundial sofre algum tipo de limitação; os países com mais restrições à liberdade religiosa atualmente são Arábia Saudita, Paquistão e Líbia. Essa tensão é produzida sem violência física em 23% dos casos; já 42% dos países relataram agressões físicas; os convertidos também são perseguidos em 29% do mundo.

O Iraque lidera o ranking da hostilidade social e nem mesmo a presença militar diminuiu as tensões entre sunitas e xiitas, facções radicais islâmicas. Afeganistão, Sudão, Paquistão, Índia, Bangladesh, Somália, Siri Lanka e a Arábia Saudita aparecem entre os dez mais extremos. Israel também integra a lista dos países em que a falta de liberdade religiosa é marcante.

Outro a fazer o uso da palavra foi o advogado Tiago Alencar, da UCB (União Central Brasileira). Ele discorreu sobre a constituição brasileira e a liberdade religiosa. 

“Existem artigos que são de extrema importância para todos nós. Todos somos iguais perante a lei, não deve haver desigualdade”, frisou.

Durante o simpósio, foi lida a lei que institui em Votuporanga o Dia da Liberdade Religiosa, lembrada em 25 de maio. A Lei é a de número 5.391, de 19 de fevereiro de 2014, criada pelo vereador Douglas Lisboa. [Colaborador local, Karoline Bianconi]

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