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Líder adventista destaca importância de mudar data do Enem

Prova do Enem pode ser alterada e sair do sábado. Consulta Pública foi aberta pelo governo para ouvir população sobre isso

Confinamento de jovens guardadores do sábado foi uma solução provisória para a prova. Foto: Notícias ao Minuto

O pastor Erton Köhler, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul, produziu um artigo sobre a importância da Consulta Pública que pode levar a uma alteração na data da prova do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). O artigo se chama Oportunidade para todos e a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) reproduz, na íntegra, abaixo:

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Oportunidades para todos

Há poucas semanas o Ministério da Educação tomou uma decisão importante, democrática e inclusiva ao abrir uma Consulta Pública sobre o dia da realização das provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Essa iniciativa poderá fortalecer a liberdade de expressão religiosa, um dos direitos fundamentais da nossa sociedade.

Entre as possíveis mudanças está a alteração no dia da realização da prova do Enem, que hoje acontece em um sábado e um domingo. A Consulta avalia a possibilidade de realizar a prova em dois domingos ou em um domingo e uma segunda-feira, ou mesmo em um único dia, como já são feitos muitos exames vestibulares. Neste caso poderia ser feita em apenas um domingo. Mas por que estas possibilidades estão sendo discutidas? Seria apenas para privilegiar um grupo que não quer fazer provas aos sábados, ou há razões mais amplas para essa mudança?

Creio que a principal razão para esta Consulta é oferecer oportunidades iguais para todos. Como o Enem é uma avaliação fundamental para admissão em dezenas de instituições de ensino superior do Brasil, e muito útil para medir a performance dos estudantes que concluem o Ensino Médio, todos precisam estar nas mesmas condições para que ele seja justo. Algumas razões mais para isso:

  1. O que está em discussão é a liberdade de expressão religiosa de cerca de 70 mil estudantes que anualmente prestam o exame e são guardadores do sábado por princípio de fé. Obedecem uma orientação bíblica expressa nos dez mandamentos dados por Deus e registrados no livro bíblico do Êxodo, capítulo 20, versos de 8 a11, ao mesmo tempo que seguem o exemplo de Jesus, enquanto esteve neste mundo. Esses mandamentos apresentam princípios de comportamento e ética que trazem apenas benefícios à sociedade. Ao realizar o exame em outros dias, que não o sábado, os estudantes têm o direito e a oportunidade de ser fiéis sem precisar enfrentar um confinamento desgastante, que os coloca em posição de grande desvantagem.
  2. Os adventistas, judeus e outros guardadores do sábado não se negam a realizar a prova, nem desejam ter privilégios que não sejam oferecidos a todos os demais participantes. Buscam apenas seu direito de ser respeitados em suas crenças religiosas, conforme prevê a própria Constituição Federal no seu artigo 5º.
  3. A colaboração de todos, guardadores do sábado ou simpatizantes, ao apoiar estas mudanças é uma chance muito interessante de aperfeiçoar este exame que tem sido fundamental para o ingresso de milhões de alunos nas universidades brasileiras e, inclusive, na obtenção de financiamentos e créditos estudantis.

Por isso, gostaria de convidá-lo a responder essa Consulta e apoiar as mudanças. O tempo que você vai gastar será pequeno, mas a contribuição será imensa. Não é uma força para um grupinho de estudantes, mas um gesto de respeito à liberdade de crença de milhares de jovens que, mesmo enfrentando dificuldades, sustentam um princípio religioso no qual acreditam e pelo qual vivem. Jovens que têm sonhos como todos os outros e que, amparados pela legislação do seu país, querem ter a mesma oportunidade realizar seus sonhos e se preparar para os futuros desafios acadêmicos.

Nós, adventistas guardadores do sábado, somos cidadãos como todos os demais. Estamos sujeitos às mesmas leis, regulamentos, regras, normas e compartilhamos com a sociedade o desejo de contribuir, com nossas habilidades e influência, para um país cada vez mais qualificado, justo e que respeite os direitos individuais. Fazemos isso não por conta de qualquer bandeira político-partidária, mas por amor e gratidão a um Deus maravilhoso que nos fortalece constantemente.

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