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Amazonas sedia primeiro fórum de liberdade religiosa da história

Causa da liberdade religiosa deve ser motivo de permanente trabalho, por isso evento inédito no Amazonas ocorreu nesse sentido.

22 de maio de 2015
John Graz, sendo traduzido durante palestra, e a pergunta na tela: liberdade religiosa vai sobreviver no século 21?

John Graz, sendo traduzido durante palestra, e a pergunta na tela: liberdade religiosa vai sobreviver no século 21?

Manaus, AM … [ASN] A defesa da liberdade religiosa é um processo constante e não algo pontual. É o que dizem os militantes dessa área que realizaram, pela primeira vez, um evento do gênero no Amazonas. Manaus sediou na noite desta quinta-feira, 21 de maio, a edição pioneira do Fórum Amazonense em Defesa da Liberdade Religiosa no Auditório Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa do Estado. Marcaram presença, também, alguns vereadores de Manaus e membros da comunidade convidados.

A maior parte dos que tiveram oportunidade de falar em público disse que, de certa forma, a garantia dos direitos à liberdade de expressão religiosa precisa ser constantemente lembrada. O Fórum ajudou nisso. Reuniu líderes de vários religiões para ouvir dados, histórias e compreender que o livre direito à crença ou mesmo a não crer é uma questão que depende de governos, sociedade civil e obviamente das próprias religiões. A organização foi da IRLA, a Associação Internacional de Liberdade Religiosa. O advogado da entidade na América do Sul, Luigi Braga, disse que há muitas ameaças legais à liberdade religiosa e que as pessoas costumam lembrar desse direito somente quando o perdem. Ele ressaltou que, no campo jurídico, tem atuado em diversos casos de pessoas que se sentem prejudicadas por motivos religiosos em concursos públicos ou provas, por exemplo. Para Braga, é muito importante, também, a conscientização no ambiente judicial.

O jornalista José Augusto de Souza, da TV A Crítica, afirmou aos presentes que o papel da imprensa é justamente o de garantir a todas as crenças a possibilidade de espaço e visibilidade. “Nós temos que respeitar e ser respeitados”, afirmou o representante dos meios de comunicação no Fórum. Rafael Rossi, secretário executivo da IRLA para oito países sul-americanos, destacou, ainda, a necessidade de respeito mútuo e frisou que o problema da discriminação religiosa no Brasil é, muitas vezes, camuflado, por isso iniciativas como o Fórum são necessárias para criar consciência a respeito do tema.

Representantes do Ministério Cristão Rema, que mantém o chamado Museu do Holocausto em uma de suas escolas, também tiveram seu espaço e lembraram da histórica perseguição e morte de judeus durante a Segunda Guerra Mundial e mesmo de grupos religiosos minoritários que sofreram durante o regime nazista. O advogado Samuel Luz, presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania, comentou que mais de 100 eventos desse tipo já foram feitos no Brasil e estava bastante satisfeito com o fato de Manaus agora oficialmente fazer parte desse circuito de sensibilização para a necessidade de luta permanente em favor da liberdade de crença.

Dignidade humana

Ganoune Diop, representante da IRLA junto à Organização das Nações Unidas (ONU), expôs a relação entre dignidade humana e respeito à liberdade religiosa. Para Diop, a dignidade é o princípio básico que justifica a convivência das diferentes crenças e mesmo entre os que não creem. “É a liberdade, inclusive, de ninguém ser forçado a crer de maneira diferente do outro”, salientou.

O encerramento do Fórum foi com um dos maiores especialistas do assunto no mundo. John Graz, o secretario executivo mundial da IRLA, está em sua última viagem na função depois de 20 anos de trabalho exclusivamente dedicado à causa da liberdade religiosa. Graz relembrou que os cristãos, por exemplo, são perseguidos em pelo menos 150 países do planeta e que 75% da população mundial reside em áreas onde há restrição ou intolerância religiosa. Há, ainda, locais em que as minorias religiosas simplesmente são maltratadas pela combinação entre uma religião predominante e o próprio Estado.

A longo prazo, Graz admite que o cerceamento poderá ser ainda maior e faz um prognóstico um tanto pessimista: em 20 anos, a tendência é de que maior dificuldade ainda para a livre expressão religiosa no mundo. Mesmo assim, ele acredita que é preciso continuar falando do tema, influenciando governos e levantando a bandeira de um mundo de mais respeito pelas diversas maneiras de crer ou não crer.

No próximo sábado, 23, a expectativa é que pelo menos 5 mil pessoas se reúnam no Auditório Canaã, em Manaus, para um grande evento chamado de Festival de Liberdade Religiosa com músicas e uma celebração de gratidão pelo direito respeitado no Brasil. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

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