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Igrejas locais poderão ter centros com escritos de Ellen White

Iniciativas de minicentros de pesquisa e estímulo ao estudo das obras podem ajudar a igreja a não perder sua identidade profética

Por Mairon Hothon

Minicentros White poderão ser assessorados pelos principais centros independentes do continente, ou orientados por manual. Foto: Cesar Puma Cahua

Cerca de três anos antes de morrer, Ellen White expressou por meio de um testamento o desejo de que seu patrimônio literário fosse confiado a um grupo de depositários que seriam responsáveis por gerenciar e promover as mais de 100 mil páginas que ela escreveu ao longo de 70 anos de ministério.

Com esse propósito, a igreja estabeleceu o Ellen G. White Estate, que hoje funciona no prédio da sede mundial adventista em Silver Spring, Maryland (EUA). Além disso, foram criados os Centros de Pesquisa Ellen G. White, distribuídos em mais de 20 campi universitários ao redor do mundo.

O primeiro centro de pesquisas brasileiro completa trinta anos de existência em 2017. Embora seu embrião tenha sido o centro de estudos fundado em 1979 no antigo Instituto Adventista de Ensino (atual Unasp, campus São Paulo), ele só passou a ter oficialmente o status de centro de pesquisa em 1987. Aberto de domingo a sexta, a unidade que hoje funciona no campus Engenheiro Coelho, conta com mais de 5 mil volumes, entre livros, teses e dissertações acerca da doutrina adventista, além de três manuscritos originais da profetisa. O centro, que dispõe de ambiente para estudos, também abriga o Centro da Memória Adventista no Brasil. “Hoje temos sites, aplicativos, audiolivros e livros digitais à disposição dos leitores. No entanto, somos desafiados continuamente a encontrar novas estratégias que possam tornar os escritos inspirados relevantes para a igreja”, observa o pastor Renato Stencel, que coordena a unidade há uma década.

Ele afirma que seu objetivo para os próximos anos é atender não somente a comunidade acadêmica, mas apoiar as congregações locais que desejam estabelecer minicentros. “Também estamos abertos para participar da organização de simpósios, para receber caravanas, bem como para responder dúvidas sobre os escritos da pioneira e o dom de profecia”, acrescenta.

MINICENTROS

Atualmente, existem 217 minicentros espalhados pelo país, segundo o Centro de Pesquisas Ellen G. White do Unasp, que gerencia esses dados. Um deles fica na Igreja Central de Sobral, no Ceará. Implantado há seis meses, o espaço da biblioteca pode ser usado pelos fiéis para leitura e pesquisa. “Trabalhamos para que jovens, adultos e idosos se familiarizem com esse espaço e passem a usá-lo com frequência. A presença de um minicentro na igreja local certamente pode contribuir para o fortalecimento da identidade adventista”, afirma Gilberto Theiss, pastor local.

O objetivo da igreja na América do Sul para os próximos anos é que as congregações que ainda não possuem iniciativas similares formem uma biblioteca com os livros de Ellen White. No entanto, a liderança da denominação está ciente de que é preciso investir em estratégias para dinamizar o uso dos minicentros, como programas, seminários e grupos de estudo.

Tendo isso em vista, no início de setembro, durante um evento que reuniu coordenadores da área de Espírito de Profecia de oito países sul-americanos, foi apresentado um plano que será levado à votação na próxima Comissão Diretiva, em novembro. Uma das sugestões é que os principais centros White do continente, que hoje atuam de modo independente, formem uma rede de assessoramento às demais iniciativas existentes no meio universitário e aos minicentros das igrejas.

A segunda proposta é a criação de um manual que oriente os coordenadores da área de Espírito de Profecia das congregações como promover estudos dirigidos e outras atividades que envolvam os membros.

Como acredita o pastor Hélio Carnassale, coordenador do departamento na sede sul-americana, estudar os escritos de Ellen White faz com que a igreja não perca sua identidade profética. Porém, o desafio daqueles que buscam manter o legado da pioneira não tem sido apenas o de lidar com as objeções aos seus escritos, mas com a indiferença que, em nível mais profundo, é reflexo do desinteresse pela Bíblia.

 

(Matéria publicada originalmente na edição de outubro de 2017 da Revista Adventista)

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