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Igreja aprova documento sobre a relação de adventistas com a política

Material da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul sobre política traz orientações para membros, líderes e funcionários da denominação

Por Jefferson Paradello

Pastor Hélio Carnassale durante a leitura do documento, que foi proposto e aprovado pelos delegados (Foto: Naasom Azevedo)

Os membros do Concílio Anual da Igreja Adventista aprovaram um documento que estabelece diretrizes para o relacionamento da Igreja e de seus membros com a política. Dois dos principais pontos reforçados são o posicionamento apartidário e a não participação em manifestações políticas. O conteúdo foi apresentado aos participantes da reunião pelo pastor Hélio Carnassale, diretor para Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para oito países da América do Sul, que amplia o tema na entrevista abaixo.

A Igreja já tinha um documento sobre o assunto. Que questões foram acrescentadas nessa nova proposta?

Nós mantivemos os mesmos conceitos, postura e pensamento que apareciam no documento anterior, com o acréscimo de um tópico relacionado às manifestações. Um outro aspecto, que é um avanço, se adapta à nossa realidade atual e não contraria a essência do nosso pensamento: estamos declarando que, quando houver candidatos adventistas a cargos públicos, reconhecidos pela administração local da Igreja como bons membros, esses administradores poderão dar a conhecer aos líderes, pastores e anciãos que há um membro se candidatando. Isso não indica apoio, campanha política, nem pedido de voto. É simplesmente informativo.  

Por que foi necessário orientar os membros quanto ao não envolvimento em manifestações?

Porque essas manifestações cresceram de uma maneira bastante considerável no País, e nós não tínhamos uma orientação clara a respeito desse assunto.

Como as manifestações afetam a Igreja?

Manifestações públicas, ainda que pareçam ser pacíficas ou se proponham a isso, têm o histórico de terminarem em vandalismo e violência. Mas essa ainda não é a principal razão. A principal é que nossa postura não é de protesto, oposição, nem de combate a autoridades constituídas, e sim de orar por elas e respeitá-las. A Igreja não julga a qualidade de um governo ou sua justiça. Ela não se envolve nesse tipo de questão.

Isso também não quer dizer que a Igreja tem olhos cegos para a realidade. Ela tem sua própria maneira de reagir a isso, que é investindo em preparo e recursos para servir às pessoas. Se há injustiça social, agimos para que as pessoas afetadas por ela tenham seu sofrimento e dores amenizados. Desenvolvemos ministérios de serviço que levam amor, bondade e carinho para as comunidades onde nossas igrejas estão inseridas. É aí que vamos fazer a diferença, e não participando de atos ou militância política.

Isso tem base bíblica. Jesus, e depois os apóstolos, especialmente Paulo e Pedro, que escreveram e deixaram conselhos sobre o relacionamento com autoridades, viveram durante o Império Romano, considerado um dos mais cruéis e avassaladores de todos os tempos. Em nenhum momento, qualquer um deles deu uma indicação sequer de que a posição dos cristãos deveria ser diferente desta: de reconhecimento e respeito às autoridades. O próprio Cristo disse: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” Ele nunca se envolveu em nenhum tipo de manifestação ou protesto público. Pelo contrário. Todo o Seu ministério foi para servir as pessoas.

Por outro lado, a Igreja reconhece o papel que todos têm de exercer como cidadãos. Não devemos ter uma postura de alienação e desprezo. Muitos dizem que a Igreja é apolítica. Não é bem assim! A Igreja é apartidária; ela não milita partidariamente, não se filia a um partido ou levanta uma bandeira. Ela participa do processo político, porque isso envolve responsabilidades de cidadania. E a Igreja, como instituição, tem responsabilidade com o local onde está inserida.

Qual é o risco ou o dano para a Igreja e para o membro quando se levanta uma bandeira política?

A principal função da Igreja é pregar o evangelho. No momento em que você levanta a bandeira de um partido ou governo, cria uma barreira com um determinado grupo de pessoas. O nosso papel é pregar a todos indistintamente. Amar e servir a todas as pessoas.

Quais pontos são fundamentais nesse documento?

Destacamos quatro pontos: primeiro, o relacionamento da Igreja Adventista com as eleições, reconhecendo os deveres que temos como cidadãos e incentivando os membros a cumpri-los, desde que não haja nenhum tipo de situação que contrarie os nossos princípios.

O segundo é sobre o relacionamento com candidatos que são membros da Igreja.

O terceiro diz respeito à militância político-partidária. A Igreja assume a posição clara de que não faz esse tipo de militância.

E, finalmente, das manifestações públicas. Declaramos que as nossas editoras não se envolverão na produção de propaganda impressa nem cederão espaço. Que os comunicadores, assessores de imprensa e jornalistas que são funcionários das instituições adventistas não devem falar sobre esse assunto. Já aconteceu de alguns colegas que têm influência nas mídias sociais fazerem um pronunciamento com uma opinião pessoal, que é recebido como sendo o pensamento oficial da Igreja. Quando for necessário falar sobre esse assunto, a Igreja vai designar alguém.

Para ler o documento na íntegra, clique aqui.

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