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Ex-portadora de câncer organiza campanha para doação de cabelo

Após vencer doença, voluntária enfatiza benefícios para a autoestima de quem enfrenta a situação

Ezeni (no lado esquerdo da foto) observa a profissional cortar as mechas de cabelo de doadora

Ezeni (esquerda) observa a profissional cortar as mechas de cabelo de doadora

São Paulo, SP…. [ASN] Aos 42 anos, a professora Ezeni Miranda já viveu o drama de perder os cabelos com o tratamento para câncer de mama. “Eu não tenho dúvida que a queda dos cabelos é um dos sintomas mais temidos por quem faz quimioterapia. Eu sei. Passei por isso e não é fácil. Você se olha no espelho e não sabe mais quem você é. O cabelo faz parte de você”, relembra.

Curada de um tumor maligno agressivo no seio direito, ela compartilha o sentimento de solidariedade com pessoas que hoje passam pela mesma situação. Frequentemente procurada por interessadas em doar as “madeixas”, resolveu promover dois dias de programação em parceria com o grupo de apoio a pacientes com câncer do qual faz parte, o Somos Todas Uma, que reúne membros da Igreja Adventista no Leste da cidade de São Paulo.

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Ezeni ao lado de voluntárias do grupo Somos Todas Uma e a líder do Ministério da Mulher da Associação Paulista Leste, Marziani Guimarães, em evento beneficente

Ezeni ao lado de voluntárias do grupo Somos Todas Uma e a líder do Ministério da Mulher da sede adventista para o Leste paulista, Marziani Guimarães, em evento beneficente

No primeiro evento, realizado no final de agosto, foram cerca de 40 participantes que cortaram parte do cabelo para doar 15 cm de mechas. “Coisa mais linda porque você vê a emoção delas e isso está registrado nas fotos, o quanto elas ficaram felizes por doar parte do cabelo. O cabelo é muito importante para a mulher e você saber que aquele cabelo vai ajudar outras pessoas que nem tem é, realmente, muito bonito. Agora imagine para quem vai receber a peruca, para quem está sem o cabelo e está recebendo o tratamento”, comenta Ezeni.

No dia 5 de setembro, a professora contou com a parceria de um salão de beleza. Mais 30 mulheres, entre jovens e adultas, deram de espontânea vontade seus fios. Quem não pode comparecer fez um esforço e mandou entregar a “cabeleira” cortada. Os fios arrecadados serão transformados em perucas e distribuídas gratuitamente para as pacientes.

De acordo com a organizadora, a perda dos cabelos afeta diretamente a autoestima de quem perdeu seus fios pelo tratamento da doença. “A peruca sintética não tem aquele caimento que tem uma peruca de cabelo natural”, esclarece.

Suspeita e primeiros exames

Ezeni morava na cidade de Tupã, interior do Estado de São Paulo, quando percebeu um nódulo na mama direita. “No começo eu não fiquei muito preocupada. Eu achei que era um nódulo normal, mas eu percebi que era um nódulo diferente”, lembra.

Depois dos primeiros exames de imagem, foi encaminhada para um mastologista oncológico. O médico pediu uma cirurgia para retirada do nódulo e não descartou a possibilidade de câncer. No entanto, visitou outro profissional, na cidade de Marília, e este lhe orientou a fazer uma biópsia. “Foi muito complicado decidir. A gente levou uma semana orando, pedindo para que Deus mostrasse o caminho certo. Poderíamos estar tomando uma decisão errada”, analisa.

 

Na foto, Ezeni se recupera de cirurgia (Foto de reprodução Facebook)

Na foto, Ezeni se recupera de cirurgia (Reprodução / Facebook)

Diagnóstico

“A gente fez uma viagem e, no retorno, a gente teria que decidir se iria fazer a cirurgia ou a biopsia. Nós paramos em um lugar que dava acesso aos dois caminhos, Tupã e Marília. Marília onde eu faria a biopsia e Tupã onde eu faria a cirurgia. Nós oramos naquele lugar e é onde eu chamo de encruzilhada de oração”, esclarece. O casal seguiu caminho por Marília. Após a biopsia, o resultado saiu em 15 dias. “É o momento que ninguém está preparado para receber a notícia de que você está com câncer.”

Os amigos, novamente, intercederam e incentivaram que a professor fizesse novos exames na capital do Estado. “Eu descobri que não só estava com câncer, mas eu tinha um câncer muito raro”, recorda.

A mutação da professora é semelhante a da atriz Angelina Jolie, que descobriu o erro no gene chamado BRCA1 e aos 37 anos decidiu retirar as mamas perante o risco de 87% de contrair um câncer nos seios – a mutação também pode favorecer as chances de câncer nos ovários.

Cura

Na capital, o médico a informou que os estudos e tratamentos para este tipo de câncer eram limitados, mas havia um estudo em fase experimental que mostrava bons resultados nas pacientes. “Eu disse: ‘claro que eu aceito, se essa é a melhor opção que eu tenho’”, enfatiza. Foram vários meses em tratamento com quimioterapia, radioterapia e cirurgia de retiradas das duas mamas e ovários, até que a cura chegasse.

Ezeni ainda foi informada de que se tivesse sofrido qualquer tratamento anteriormente para o câncer não poderia fazer parte do estudo. “Algumas vezes a gente não entende o que estamos passando. A gente quer respostas muito rápido. Eu tive que esperar um pouco. Foram alguns dias orando e Deus foi mostrando a hora certa, o lugar certo e o tratamento certo”, destaca.  [Equipe ASN, Michelle Martins]

Conheça o testemunho no vídeo:

 

 

 

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