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Advogada deixa a carreira para ser voluntária

Juristas relatam como têm usado a profissão para beneficiar pessoas com as quais convivem

Ellen (ao centro), famílias da etnia Xerente e colegas voluntários.

Brasília, DF… [ASN]  Há  190 anos, em 11 de agosto de 1827, o Brasil inaugurou os dois primeiros cursos de Direito do País: um em São Paulo (SP) e outro em Olinda (PE). Desde então, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) registra mais de um milhão e quarenta mil profissionais. Segundo o Artigo 133 da Constituição Federal, a categoria é “indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

O exercício do Direito chama a atenção de pessoas de todas as idades que sonham em lutar pela justiça. É o caso da advogada Ellen Sena, de 25 anos, que atua na área jurídica há três anos. “Fiz essa escolha quando eu tinha 15 anos. Um dia estava assistindo [à televisão] e vi uma reportagem contando a história de Ellen Gracie Northfleet, enfatizando tudo o que ela tinha realizado e o fato de ela ter sido a primeira mulher a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal [STF]. Naquele momento decidi que gostaria de ter a mesma garra pela justiça que aquela mulher tinha”, relembra.

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Ellen conta que ser advogada era apenas um degrau para alcançar o sonho de ser Promotora de Justiça do Tribunal do Júri. Por isso, precisava ter todos os compartimentos da vida sob controle: vida familiar, vida social, vida espiritual, vida profissional, sentimental.  “Vivi dessa forma durante a maior parte da minha vida, organizando tudo como se fosse em gavetas. E no ano passado [2016], percebi que havia alcançado tudo que desejava: formatura, ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil, um mundo de possibilidades e confortos. Porém, estava me sentindo infeliz e vazia”, declara.

Ela lembra que após questionar Deus em oração, entendeu que não havia como compartimentalizar a vida e nem como limitar a experiência com Ele apenas a um espaço. “Ele me disse:  “Filha, você me excluiu de todas as partes da sua vida e só me deixou participar de uma: a espiritual. Mas não existe felicidade sem Mim, não posso atuar onde você não permite”. Sendo assim, no fim de 2016 entreguei não apenas minha vida profissional e sim minha vida por completo ao Senhor”, recorda.

Desde então, a brasiliense diz enxergar a profissão como um “disfarce” que Deus usa para alcançar mais pessoas. “Sou cristã e estou advogada”, explica ao usar o significado de permanência do verbo ser e transitoriedade do verbo estar. Atualmente, Ellen faz parte do projeto Um Ano em Missão, que reúne jovens que escolhem dedicar um ano de serviço voluntário em regiões do Brasil e do mundo. “Meu trabalho [na missão] é multifuncional: instrutora bíblica, cozinheira, ajudante em Escola Cristã de Férias, advogada, quando necessário, e muito mais. Mas a cada dia Deus me mostra que isso tudo é só o começo da minha caminhada”, afirma.

A advogada de 25 anos relembra que ao chegar na cidade em que seria voluntária, em Tocantins,  tinha um objetivo claro: fazer a diferença para outras pessoas. “Quando fui para a missão acreditava que ajudaria e mudaria a vida das pessoas e que tinha uma missão a realizar. Depois de um tempo, descobri aos poucos que a missão mudou a minha vida. Tive o privilégio de ajudar pessoas, porém, em todas as circunstâncias eu fui a maior beneficiada”, assegura.

Emocionada, Ellen conta a história de uma mãe que não via os filhos há quase seis meses. A senhora havia se divorciado e, de acordo com a cultura Xerente, não pôde ficar com nada, nem mesmo com as crianças. E ainda estava sendo processada pelo ex-marido, que exigia pensão, todos os bens e a guarda dos menores. “Ao ouvir isso, meu coração ficou apertado e ouvi Deus me dizer: “Filha, foi pra isso que você se formou”. Disse a ela que era advogada e podia ajudar. Com a graça de Deus, tudo deu certo e houve um lindo reencontro entre as crianças, a mãe e a avó. Através disso tudo entendi que Deus pode me usar como instrumento dEle com ou sem a minha formação. Eu só preciso me colocar à disposição dEle e das pessoas”, enfatiza.   

Missão e profissão

O juiz Vanderley Oliveira participa de projetos de cidadania e reuniões de Pequenos Grupos.

Na cidade de Belém (PA) está um juiz que compartilha do mesmo pensamento da jovem missionária. “Deus me fez juiz para promover a justiça libertadora dEle”, acredita  Vanderley Oliveira, 50 anos. Ele exerce o Direito há 25 anos, sendo juíz há 21 e atua na 3ª vara da Infância e da Juventude da comarca de Belém.

Assim como Ellen, Oliveira nasceu em um lar adventista, mas por dez anos se afastou da Igreja e de qualquer religião, até que percebeu a necessidade da comunhão com Deus independente de crença.  “O juiz fica sucumbido porque, por vezes, percebe que não há salvação, chance de restituição. Destes aspectos, unicamente Deus tem a solução. E foi exatamente isso que me fez retornar: contemplar a sociedade afundando nos delitos sociais comprado aos planos divinos. Vi que o plano de resgate de Deus era a única saída”, afirma.

Oliveira fez da profissão a missão diária de pregar o evangelho. “Eu não tenho vergonha do evangelho, assim como disse o apóstolo Paulo. Prego na audiência diante de promotores, defensores, procuradores, à advogados. Prego quando vou proferir  a sentença, nas ações sociais, nas palestras que vou proferir dentro ou fora da igreja. Aqui sou até conhecido como juiz-pastor”, conta.

Para Oliveira, a função de magistrado possibilita que a mensagem de esperança seja oferecida “dentro e fora da cadeia”. O juiz oferece o estilo de vida cristã a crianças e adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas.

Incentivo para mudar

Com grande satisfação, ele menciona que um dos casos que lhe chamou a atenção foi o de um rapaz que estava cumprindo medidas por oito assassinatos, envolvimento com tráfico de drogas e outros crimes. “Depois de conhecer o evangelho ele foi transformado e hoje é estudante de Direito, tem o próprio trabalho. E ainda nos ajuda motivando meninos que cumprem as penas”, conta.

Além da função que cumpre junto ao Estado, Oliveira também encontra tempo para envolver autoridades da cidade, servidores públicos e empresários em um Pequeno Grupo que já “deu frutos” no ano passado. Ele conta que um auditor fiscal do município que frequentava as reuniões do grupo aceitou ser batizado em agosto do ano passado.

“Logo depois [do batismo], ele já abriu um Pequeno Grupo na casa dele com mais auditores, magistrados e empresários. Entre agosto de 2016 e este ano, 12 pessoas já foram batizadas”, destaca. “É a esperança que vai atrair as outras pessoas além do conhecimento universitário e jurídico. É diferente. Ela nos leva a encontrar satisfação, paz de espírito”, completa. [Equipe ASN, Aline do Valle]

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