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Recomeço dentro do presídio

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Longe das famílias, mulheres sofrem por causa da solidão

Salvador, BA … [ASN]   Manhã de domingo, 22 de janeiro de 2017. O azul do céu e o brilho do sol contradizem o cenário visto dentro do Conjunto Penal Feminino de Salvador, onde cerca de 100 mulheres estão encarceradas. No local, histórias parecidas, acompanhadas de rostos marcados pela dor e sofrimento por viverem na escuridão. A idade de cada uma não importa. São jovens, adultas e até senhoras que têm a experiência de ficar longe dos entes queridos durante dias, meses e anos.

Henriqueta* chegou ao local há pouco mais de seis meses. Ela foi detida no aeroporto de Salvador quando vinha da Bolívia e tentava desembarcar com drogas. Henriqueta foi presa em flagrante. Aos 24 anos, pela primeira vez, entrou em um presídio, sem data determinada para sair. Aguarda julgamento para que possa voltar para seu país de origem. “Vivo muito triste. No passado, eu conheci a Deus e passei bons momentos ao lado dEle. Acabei mudando minha rota de vida e hoje estou aqui”, relata emocionada.

Já Márcia* é do interior da Bahia. Também foi presa há, mais ou menos, seis meses. Ela não quis contar o crime que cometeu, mas revela que sofre muito por ter que dormir e acordar dentro da prisão. “Estou aqui todo esse tempo, mas ainda nem fui ouvida. Sei que errei e preciso pagar pelo que fiz, só que a solidão já é o pior castigo que eu poderia ter recebido. Como minha família é de longe, não tenho nem a chance de receber visitas”, conta com os olhos cheios de lágrimas e a voz arranhada.

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Edna conduz estudos bíblicos enquanto os outros membros da IASD auxiliam as presas

Apesar de todo sofrimento, o domingo é esperado com alegria pelas detentas, pois é quando membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia vão ao local para realizar um projeto que existe há mais de 15 anos. Edna Aquino é agente prisional e logo quando assumiu a função viu no cárcere uma oportunidade para evangelizar. “Perdi as contas de quantas mulheres já foram alcançadas nesse período. Todos os domingos o grupo vem ao presídio e oferece estudos bíblicos, além dos momentos de louvor e adoração a Deus com as presas, na busca de fazer com que elas tenham um encontro com o criador”, revela Edna. O grupo também oferece materiais de higiene e lençol.

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Pastor Denílson realiza o batismo de uma das presas

Como resultado desse projeto, no último domingo Henriqueta e Márcia, juntamente com mais outras duas detentas, tomaram uma decisão diferente e acertada. Elas solicitaram o batismo, pois entenderam que Deus é capaz de perdoar os pecados e reciclar qualquer ser humano. A cerimônia batismal aconteceu dentro da penitenciária, tendo as amigas de cela como testemunhas. Para o pastor Denílson Ferreira, que realizou os batismos, o momento foi marcante, pois pode ver o passo de fé que as quatro moças deram. “O trabalho que os irmãos da IASD realizam aqui é muito importante para alcançar essas mulheres que já perderam a esperança”, comenta pastor Denílson.

Novos batismos ainda não foram marcados. Enquanto isso, o trabalho evangelístico continua. Afinal, mais histórias precisam ser reconstruídas.

 

 

* Os nomes foram modificados para preservar as fontes

 

[Equipe ASN, Monique dos Anjos]

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