Notícias Adventistas

Em momento de dor, casal abre lar para estudar a Bíblia com amigos

Após a morte do filho, eles encontraram a esperança através da amizade

O pedreiro Delândio Malaquias: em momento de dor, encontrou conforto na Bíblia e na amizade (Fotos: Deivison Pedrê)

Campo Grande, MS …. [ASN] Amizades podem nascer nas mais variadas formas. Às vezes, em momentos de alegria, mas, em outras, de relações sinceras em um momento de dor. É o caso da história do pedreiro Delândio Malaquias, que descobriu o poder da amizade no momento mais triste de sua vida. “Perdi meu filho há poucos dias e começamos a fazer uma reunião da Igreja aqui em casa, para confortar o coração que está meio abalado, triste. Esse encontro ajudou muito. No dia do velório, a gente precisava de alguém para fazer a mensagem fúnebre e foi quando o pastor Jackson, mesmo sem nos conhecer, se colocou à disposição e foi até o funeral do meu filho para realizar a cerimônia”, conta.

Leia também:

Ele e a esposa, a cozinheira Francisca Aparecida, perderam um de seus filhos há menos de um mês em um acidente de trânsito. “Na Igreja Católica é costume fazer a missa do sétimo dia e comentei com uma amiga para fazermos um culto, ao invés da missa, pois já não frequentávamos a Igreja Católica há muitos anos. E a gente precisava de uma mensagem de conforto para tocar a vida pra frente depois do que aconteceu. Foi quando conheci o pastor Jackson e durante uma visita à nossa casa ele olhou a varanda e comentou que era espaçosa e boa para receber os cultos durante a Semana Santa e nos fez o convite”, lembra.

Depois de realizar a cerimônia fúnebre, o pastor Jackson Santos, líder da igreja adventista do Monte Castelo, em Campo Grande, se aproximou da família e ali a amizade foi iniciada. “Eu comecei a visitá-los sem saber direito o que fazer por conta do momento de luto que eles estavam vivendo. Mas pedi que Deus conduzisse tudo e foi nesse momento que reparei a varanda espaçosa deles e já imaginei que ali poderia ser um lar de esperança, até para que isso trouxesse um conforto pra eles naquele momento de dor, de perda. E para minha surpresa, eles prontamente aceitaram o convite”, reforça Santos.

Durante a Semana Santa, vários amigos se reuniram para estudar a Bíblia com o casal

Abrir o lar durante a Semana Santa foi a porta de entrada para uma nova história, sublinha o ministro. “A partir disso, aquele lar que estava triste começou a receber amor, amizade. Os amigos deles foram convidados e compareceram todos os dias. Amigos de longa data, inclusive. Todos unidos estudando a Bíblia, mas principalmente para demonstrar amor por aquela família enlutada”, pontua.

A casa, localizada em um bairro simples da capital, recebeu amigos durante todos os dias da Semana Santa. “Abrimos nossa casa para ser um lar de esperança e não me arrependo de nada, pois o amor de Deus é tudo o que precisamos. Sem Ele não somos nada e hoje não tenho palavras pra explicar como esse amor pode curar nossa dor e transformar nossa vida”, diz Francisca em meio a lágrimas.

Amizade

Para Delândio, a experiência fortaleceu o sentimento de amizade. “Eu acredito que as pessoas têm que ser mais humildes e companheiras umas das outras, assim como o pessoal da igreja fez. Senti muito amor por mim e por minha família e isso ajudou a gente nesse processo de dor”, ressalta.

Cleomar (à esquerda). Ao centro o pastor Jackson abraça Delândio. Uma amizade construída de maneira inesperada gerou grandes frutos

Amigo da família há mais de quatro décadas, foi o funcionário público Cleomar Campos quem idealizou o encontro e abriu caminho para que do luto nascesse a esperança. “Sempre tive essa família como a minha segunda casa, pra onde a gente corre, pede socorro. A esperança que levo é a de que Deus possa ter feito brotar aqui uma nova flor para o Seu jardim. Pedi que Deus me conduzisse para, em um momento de luto, ser luz para pessoas tão amadas por mim. E peço a Deus que essa amizade terrena seja também eterna, ao lado de Cristo”, enfatiza.

Para ele, que há muito procurava compartilhar sua fé com amigos tão próximos, mas tinha receio de incomodar ou invadir, isso aconteceu em um momento inesperado, quando uma porta se abriu para uma experiência que mudaria tudo. “Nos sentimos tão pequenos que achamos que não podemos ajudar ninguém. Mas percebi durante esse processo que até nos mínimos detalhes podemos ajudar as pessoas. Somos capazes de fazer o bem quando entendemos o amor de Deus por nós e é nesse momento que passamos a amar o nosso semelhante verdadeiramente”, conclui. [Equipe ASN, Rebeca Silvestrin]

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox