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Mãe sofre queimaduras para salvar filho de incêndio

Dona de casa carrega várias marcas no corpo. "Se fosse para dar a minha vida pelos meus filhos, eu tenho certeza que faria isso.”

As marcas pelo corpo ficaram, mas Marilene conseguiu recuperar a saúde e os bens materiais. “Daria minha vida pelo meu filho, se precisasse”, afirma (Fotos: Arquivo pessoal)

Ponta Grossa, PR…[ASN] Era para ser uma segunda-feira como outra qualquer. Entretida nas tarefas domésticas rotineiras, Marilene Daniuk estendeu as roupas limpas no varal e se dirigiu à cozinha para preparar o almoço. Hebertson, seu filho mais novo, estava no quarto, e a porta do cômodo ficava bem próxima ao fogão. Na pequena casa de madeira, na cidade de Ponta Grossa, também moravam as netas de Marilene, mas naquele dia só estavam ela e o filho.

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Portador de deficiência mental, Hebertson sempre dependeu 100% da mãe. Por conta disso, ela nunca trabalhou fora de casa. “Eu faço tudo. Dou banho nele, corto suas unhas, arrumo. Ele tem a estatura de um adulto, mas não fala e se comporta como uma criança. Por isso tenho que cuidar dele”, explica Marilene.

A família perdeu tudo. Para se reerguer, contou com a ajuda dos membros da igreja adventista local

Naquele dia, uma panela estava sob o fogo. Um estalo forte fez com que Marilene correndo até a cozinha. Quando chegou, a situação já estava fora de controle. Os botões do fogão estouraram e uma grande chama tomou conta do eletrodoméstico, se alastrando para o bujão de gás, que veio a estourar. Em questão de segundos, parte da casa estava tomada pelo fogo. Devido à situação, Hebertson ficou encurralado em seu quarto.

Marilene tinha acesso livre para fora da casa pela porta da frente. Fugir do incêndio era uma escolha rápida e fácil. Entretanto, a angústia de ver seu filho precisando de ajuda falou mais alto ao seu coração. A janela do quarto era mais alta do lado de fora, sendo necessário conseguir uma escada para acessar o interior. Não havia escada. Não havia outro meio de entrar no quarto. Não havia opções viáveis. Sem pensar duas vezes, ela atravessou o fogo.

Amor incondicional

“Eu precisava agir rápido. Se eu saísse da casa, eu não iria nem me machucar, mas eu preferia morrer do que deixar ele ali. Tampei minha boca e nariz para não engolir fumaça, virei de costas para o lado mais alto e mais forte do fogo e passei. Nem reparei que já estava queimada”, conta Marilene.

Rapidamente puxou o filho, conduziu-o e, apesar de sua baixa estatura e fragilidade, conseguiu forças no momento para levantar Hebertson até a janela e o empurrar para fora. Logo em seguida, também pulou. Os dois saíram vivos: Hebertson sem nenhum machucado. Já Marilene, com queimaduras de primeiro, segundo e terceiro grau. Os ferimentos estavam por todo o corpo. “Queimei braço, antebraço, pescoço, costas e até cabeça. Fiquei totalmente careca. Fiquei um mês e seis dias no hospital por conta das queimaduras. Perdi tudo, tudo mesmo, nem a roupa do corpo sobrou”, relembra a mãe.

Por conta do incêndio, Marlene ficou um mês e seis dias no hospital

Na época, membros da igreja adventista local e muitos outros voluntários se mobilizaram em uma força-tarefa para reconstruir a vida da dona de casa. Pessoas que nem ao menos a conheciam se uniram para ajudá-la. O resultado deste ato solidário foi a aquisição de móveis, roupas, alimentos e uma nova casa para a família.

Oito anos se passaram desde o ocorrido, mas ainda hoje este episódio está bem vívido na mente de Marilene. Não há como esquecer. As marcas que ficaram por todo o corpo traduzem o amor em sua atitude. “Essas marcas eu tenho pelo meu filho, para salvar ele. Eu poderia ter saído pela frente e chamado alguém para salvá-lo, mas até chegarem lá ele iria morrer queimado, e como eu iria ficar sem ele? Amor de mãe não dá para explicar, é sem limites. Se fosse para dar a minha vida pelos meus filhos, eu tenho certeza que faria isso”, afirma Marilene, que também tem um filho mais velho, chamado Célio.

Ela acrescenta que a fé em Deus foi e é fundamental em todo o processo e no rumo de sua vida. “Agradeço a Deus todos os dias e horas. Agradeço por ter o Hebertson do meu lado, por poder cuidar dele e passar mais um Dia das Mães juntos. Minha fé é muito grande e é ela que me traz aqui, lutando pela vida”, conclui. [Equipe ASN, Jéssica Guidolin]

 

 

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