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Professores do RJ acompanham estudantes adventistas no Enem

No Rio de Janeiro cerca de 500 mil candidatos fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio no último final de semana, 26 e 27 de outubro. Aqui na região, quase quatro mil participantes solicitaram o horário especial na inscrição do Enem. Desses candidatos os guardadores do sábado, adventistas do sétimo dia, batistas do sétimo dia e judeus, realizaram o exame após dar o horário do pôr do sol às 19 horas, ou seja ficaram sete horas em salas de aula juntamente com colegas da mesma fé.

Com objetivo de dar apoio e forças aos estudantes três professores do IPAE (Instituto Petropolitano Adventista de Ensino), localizado em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, também fizeram o Enem. Diane Eire, Marcos Vinicius Caetano e Roseli Raiz, eles ficaram também sete horas ao lado dos alunos, aguardando a realização da prova e testemunharam do amor de Deus.

Diane Eire, conta que alguns momentos na trajetória de um professor devem ser eternizados. “Há treze anos, sentei-me pela primeira vez em uma carteira escolar a fim de realizar uma prova do Enem, era domingo. Minhas preocupações, ansiedades e expectativas eram outras. Este ano, foi um sábado atípico para mim e para os 62 alunos adventistas do IPAE que fizeram o exame. O aluno adventista concluinte do Ensino Médio teve que lutar para conquistar seu direito de liberdade religiosa e assim poder participar do exame. A experiência  tornou-se um testemunho inesquecível de jovens fiéis que sabem se portar perante a sociedade não adventista, sem vergonha ou medo de contrariar a maioria,  driblar o cansaço, desafiar a resistência física e testemunhar do Deus do sábado”, relata Eire.

O grupo  do IPAE, chegou ao local da prova pouco antes das 12 horas. Os alunos estavam ansiosos, pois na mesma instituição no ano anterior, os fiscais de sala não permitiram aos alunos lerem a Bíblia, realizar o pôr-do-sol nem conversar um com o outro durante as horas de confinamento. Ao chegar à sala indicada para os sabatistas,  os professores entregaram  a cada fiscal um livro O Sábado na Bíblia e uma revista do IPAE, a fim de esclarecer os motivos de acompanhar os estudantes por mais de  7 horas, os fiscais receberam e agradeceram pelo  material.

As primeiras instruções que o grupo recebeu, ajudou a tranquilizar os candidatos. “Apesar de não nos deixarem abrir a Bíblia, nem fazer um pequeno culto de pôr-do-sol, permitiram-nos conversar baixinho. Seria uma maneira de aliviar a ansiedade”, conta Eire.

Logo após as primeiras instruções de como transcorreria as horas de confinamento, quatro pessoas se manifestaram, pois descobriram que estavam naquela sala “por engano”. Não eram sabatistas e agora teriam que passar as sete horas ali, aguardando para fazerem a prova. Após serem informadas que só havia duas opções para elas: ou aguardavam as sete horas para fazerem a prova junto com os sabatistas ou desistiam do Enem, uma senhora desistiu e foi embora. Uma garota entrou em desespero, chorou, reivindicou mudar de sala, mas foi em vão. Dentre os candidatos três meninas resolveram aguardar o pôr do sol para fazer o exame.

“Os nossos alunos, presenciando a situação, comovidos, imediatamente se prontificaram para dividir o lanche que tinham com as garotas. Algumas alunas sentaram-se próximo às garotas e conversaram com elas, explicando-lhes o motivo por que estavam ali. E assim, as horas se passaram, como cristãos aguardando a recompensa, a vitória em Cristo. Ele aliviou as dores musculares, de cabeça, o cansaço e o enfado”, conta Eire.

Assim, às 19h como previa o edital, as provas foram entregues. O grupo ficou emocionado ao ouvir dos fiscais que estavam admirados com a postura dos estudantes durante aquele dia. “Que a fé de vocês seja recompensada” – disse um dos fiscais.

Mas como pôr-do-sol seria às 19h02. O grupo pediu aos fiscais que informassem quando desse o horário. Eles ficaram sem entender o motivo. Quando o sinal tocou indicando a liberação das provas, nenhum aluno abriu o caderno de questões e nem as três garotas não sabatistas que estavam na sala.

“Parece que elas entenderam o que significa o dia santo do Senhor e decidiram nos acompanhar. Um fiscal olhou para o outro sem resposta. E quando informaram ser 19h02, após oração individual, começamos a prova”, contou emocionada Eire.

Para Caio Kretli, aluno do último ano do ensino médio do IPAE, que fez o Enem, os momentos de comunhão fizeram a diferença. “Com certeza valeu a pena o apoio dos professores com o grupo.  Acredito que o nosso testemunho como estudantes adventistas poderá fazer alguma diferença na vida das três garotas que fizeram a prova conosco”, afirma o estudante.

“Assim, às 23h30 terminou o nosso dia, voltamos ao IPAE, com a consciência descansada por termos sido fiéis ao nosso Deus, à nossa fé. É uma experiência que levarei comigo para a eternidade. Quão gratificante é presenciar jovens tão comprometidos com Deus. Acredito ser esta a verdadeira recompensa dos professores. Saber que a educação transforma,  promove o crescimento, aproxima do Céu”, concluiu Diane Eire. [Equipe ASN, Dina Karla Miranda]

 

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