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Compositor adventista fala da pluralidade da música cristã

Para o musicista, é possível desfrutar da música cristã em todos os momentos do dia.

“Deus é um grande artista”. Foto: Shutterstock

Brasília, DF…[ASN] O mês de outubro já começa com a poesia da primavera, o canto dos pássaros e a chuva que ressalta o colorido da natureza. E em soma a esse cenário, no primeiro dia do mês é comemorado o Dia Internacional da Música – instituído há mais de 40 anos.

Que a música faz parte de tarefas diárias não há dúvida. Mas será que é possível aproveitar a música cristã em qualquer situação? A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com o musicista, Pedro Valença, para entender um pouco mais do assunto.

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Como e por que você decidiu fazer música?

Sempre gostei muito de música. Mas o que me levou ao Unasp [Centro Universitário Adventista de São Paulo – EC] foi a teologia, não a música. Fui fazer teologia e descobri que existia música e, melhor: descobri que poderia estudar e trabalhar com música como ministério. Eu tive sempre vontade de fazer parte do ministério e vi que com a música isso poderia acontecer também.

Em sua opinião, qual papel da música na pregação do evangelho?

Ela uma fermenta como várias outras que existem, mas tem o diferencial de ser bem aceita por qualquer ser humano e em qualquer ambiente. Às vezes as pessoas não querem te ouvir falar, mas ouvem música. Acredito que a arte penetra mais forte no coração, porque apela tanto para o racional quanto para o emocional. Ela tem várias possibilidades de apelo para o ser humano de forma mais integral. A música tem papel fundamental na pregação do evangelho, porque o ser humano gosta de arte mesmo que talvez não goste de igreja. Mas uma música bem-feita faz o ser humano ouvir, refletir… Além de entreter, ela contrapõe o pensamento e leva a pessoa à reflexão.

Pode nos contar um pouco a respeito do seu processo de composição e o motive que te leva a explorar diferentes estilos musicais?

Quando paro pra escrever alguma música, penso muito na ideia. Eu gosto de ornamentar [a música] com aquilo que acho que tem relação com ela. O estilo musical é como se fosse colocar a roupa na ideia. Por exemplo: se vem uma ideia que fala da criação, visto com vários elementos, deixo a música forte, imponente para refletir o evento extremamente grandioso. Faço a mesma coisa com volta de Jesus como na [música] “Por Toda Terra”. Agora, para falar de céu já seria diferente faria de uma forma doce. “Autor da vida” fala de aceitação, contentamento, direcionamento de Deus, então tem que ser alegre, a pessoa tem que ouvir e ter vontade de ser feliz. O estilo tem que vestir a ideia para formar um diálogo entre ele e a poesia, para formar o discurso integral da arte.

Já enfrentou algum preconceito ou bloqueio em relação ao fazer música?

Bloqueio nunca, o que entendo como bênção de Deus. Tudo que a gente faz é muito bem pensado e com o propósito para Deus. Preconceito também até agora, nunca enfrentei. O que existe são comentários como “gostei disso” ou “não gostei daquilo”, o que é super normal. Mas nunca houve nenhum tipo de “não cante”, “não faça”. A gente tem bastante equilíbrio nesse sentido. Porque uma coisa é o disco, a outra é a performance. Então, tenho a sensibilidade de fazer a performance de acordo com o horário, local, tipo de programação…

A gente tem que ter equilíbrio pra saber o que usar e a hora de usar. Se for em uma viagem de carro, não vejo problema em ouvir uma música mais agitada como a “Apressa-te”, por exemplo. Se vou para a academia não escuto algo como “Inevitável”. E por que não podemos ter música cristã para todos os momentos da nossa vida? Por que preciso escolher uma música eletrônica não cristã, para “entrar no clima” para malhar?

Acho que posso ter diversidade de estilos dentro da música cristã. Isso é minha opinião. É uma coisa que acredito e uso. Afinal, a gente consome arte não só para reflexão, mas também para entretenimento. Quando entro no carro nem sempre quero refletir sobre a vida ou me alimentar da palavra. Às vezes, só quero um fundo musical para conversar com os amigos, viajar…

Há possibilidade de fazer música cristã para entretenimento?

É difícil a gente argumentar a respeito dessa questão porque, principalmente em relação à música, existe um preconceito grande. O fotógrafo cristão, por exemplo, não faz apenas fotos cristãs. Ele faz de festa de casamento, aniversários, fotos no parque, do cachorro…Ele registra diversos momentos da vida sem perder a moral cristã. O arquiteto cristão não projeta só ambientes eclesiásticos, mas casas, enfim, outros ambientes e, também, parte do princípio moral que os rege. A mesma coisa com publicitários, designers que fazem o trabalho deles, mas também fazem convite de aniversário, propagandas de produtos…A moral deles não vai deixar que eles enalteçam o que consideram nocivo ou errado, eles agem pelo princípio que eles seguem. Já o músico não. Se ele não colocar a palavra Jesus Cristo, a música não está falando de Deus, não presta.

Acredito, então, que o músico cristão, assim como os outros cristãos que trabalham com arte, deve ter a moral cristã e princípios que norteiam a vida dele para que possa escrever de coisas que falem sobre a vida, amor, diversão…Coisas que alegrem a vida das pessoas e as conecte com as coisas boas da vida. Em minha opinião, podemos produzir todo o tipo de conteúdo para nós cristãos. Tem músicas mais leves, com letras menos profundas, que cumprem, também, papel de entretenimento sem perder o foco da moral cristã. Precisamos lembrar que músicas não cristãs têm uma intenção, mensagens intrínsecas que, de alguma forma, influenciam a mente. O artista cristão tem, sim, de produzir conteúdo para os mais diversos momentos da vida. Momentos de diversão, reflexão, relaxamento (pra pegar no sono, por exemplo). E claro, com equilíbrio, e preservando os princípios, a moral cristã.

Deus é um grande artista. Ele não manifestou a arte apenas em ambientes eclesiásticos, mas de diversas formas na natureza. Na alimentação, por exemplo, ele poderia ter feito apenas um tipo de comida. Mas não foi assim. Ele criou milhares de tipos de frutas, legumes e possibilidades de combinações entre eles. Deus é muito diversificado. Tudo isso para o bem-estar do ser humano. E por que não ter acesso à diversidade e pluralidade? Também acredito que o músico cristão também pode usar a diversidade e pluralidade para isso. [Equipe ASN, Aline do Valle].

*Pedro estudou dois anos de teologia antes de trocar de curso. E, em 2015, graduou-se em música no Unasp-EC – onde trabalha como regente do coral de adolescentes

 

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