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Filme cristão retrata jornadas pessoais de fé e sexualidade

Discussão sobre sexualidade e fé é destaque em produção adventista. Filme ainda não está em português e espanhol

Cena do trailer do filme, que trata da situação de quem convive com o dilema da homossexualidade na igreja. Foto: Reprodução Youtube

Silver Spring, EUA … [ASN] Mais de dez milhões de adultos nos Estados Unidos (4,1% da população) identificam-se como parte da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros (LGBT). Isso representa um aumento de 3,5% quando comparado a 2012, de acordo com um relatório da Gallup, de janeiro de 2017.[1] A crescente comunidade LGBT ganhou proeminência social nos últimos anos e os assuntos da comunidade são discutidos amplamente na mídia, nos campi universitários e no local de trabalho.

Em resposta às necessidades de alguns membros e às solicitações das congregações, a Igreja Adventista do Sétimo Dia começa a dar passos para o diálogo sobre essa questão a fim de aconselhar e orientar, com base nos princípios bíblicos, os membros adventistas, especialmente os jovens e jovens adultos.

Um dos últimos movimentos foi o apoio à produção e lançamento do filme Journey Interrupted (algo como Jornada Interrompida), somente em inglês ainda. Não há, por enquanto, previsão de lançamento em português e espanhol. A produção é de Brian e Anne Savinsky, com o cineasta Danny Woods, e apresenta os quatro líderes do Ministério Coming Out (‘Sair’, em inglês, termo usado para se referir ao momento que uma pessoa resolve revelar sua nova identidade sexual), que compartilham sua jornada de viver um estilo de vida gay ativo, que eles descrevem como “caminhar em nova vida com Cristo”. Ele também apresenta a história da Anna, cuja jornada também foi interrompida, mas que ainda continua buscando a direção de Deus em sua vida.

“Reunimos os membros do Ministério Coming Out cinco anos atrás na ASI (Adventist-Laymen’s Services & Industries), equivalente à Federação de Empreendedores Adventistas, e imediatamente soubemos que esse era um ministério que gostaríamos de apoiar”, disse Anne à Adventist Review, por e-mail. “A cultura atual se debate com as questões do homossexualismo e de gênero, e assim sentimos que suas histórias necessitavam ser contadas em um filme. Nosso propósito é simplesmente disponibilizar ao mundo essas histórias que falam do poder transformador de Deus, como testemunhos de Seu amor e graça”.

Discussão crescente

Representantes das 13 Divisões da Igreja (regiões administrativas continentais) participaram de uma conferência na Cidade do Cabo, África do Sul, em março de 2014, para tratar da homossexualidade e sexualidades alternativas e para “obter maior compreensão das questões subjacentes” a elas. Então, em maio desse ano, mais de 400 delegados da igreja, de cerca de 60 países, participaram em uma conferência global histórica, realizada em Budapeste, Hungria, para estudar, explorar e discutir as questões relacionadas aos LGBT, entre outros tópicos.

Foram estabelecidas comissões focadas nas questões LGBT, não apenas a nível da Associação Geral, mas também em todas as Divisões mundiais. Foi votada e emitida uma declaração sobre transgêneros pela igreja mundial, no Concílio de Primavera, em abril de 2017, enfatizando a crença de que “a Bíblia provê princípios orientadores e conselho aos transgêneros e à igreja, transcendendo as convicções e cultura humana”. Também se focou na necessidade de compreensão e de compaixão por todas as pessoas.

As conclusões de um estudo memorável feito por pesquisadores adventistas foram recentemente publicadas no Journal of Social Work and Christianity. O estudo abordou a preocupação de que “chegar a um acordo quanto à identidade sexual é um processo especialmente complexo para cristãos LGBT + jovens, muitos dos quais estão em alto risco de responder negativamente”. Os adventistas do sétimo dia creem, em seu posicionamento oficial, que “a intimidade sexual pertence apenas ao relacionamento conjugal entre um homem e uma mulher”, visto ter sido “o desígnio estabelecido por Deus na criação”. Os pesquisadores descobriram que os jovens adventistas não estão protegidos dos desafios e “muitos têm muita dificuldade para lidar com essas questões, devido às ‘normas comportamentais muito elevadas de nossa igreja’”.

Veja posição adventista sobre a homossexualidade.

O filme

“A mensagem central [do filme] é que não importa quem você é e com quais questões você luta, Deus o ama e pode prover a solução que você necessita”, Brian acrescentou. “Ele demonstra, poderosamente, que Deus ama e respeita a cada um de nós, a tal ponto de nos dar a liberdade de escolher Seu caminho ou o nosso. Journey Interrupted é agradavelmente diferente visto que incorpora cinco histórias muito transparentes e verdadeiras nas verdades bíblicas quanto a vencer o pecado sexual de forma aberta e compreensível”.

O documentário estreou em setembro de 2016 nos Estados Unidos e foi exibido no mês seguinte no Concílio Anual mundial da Igreja, realizado no escritório da Associação Geral, em Silver Spring, Maryland, também nos Estados Unidos. Posteriormente, foi exibido na emissora de TV 3ABN e no programa Amazing Facts, no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia, no campus da Universidade Andrews, e nas igrejas locais nos EUA, e em outras regiões do mundo. Recentemente, foi disponibilizado para compra por meio do site do Ministério Coming Out.

Descrevendo o Ministério Coming Out como um ministério de apoio dinâmico, que auxilia pessoas que lutam com problemas e dilemas críticos, o presidente da Igreja Adventista mundial, Ted Wilson, diz que está veementemente motivando que o filme Journey Interrupted seja mostrado nas igrejas, escolas, hospitais, faculdades e “onde quer que possa ser uma bênção.

Veja o trailer do filme (em inglês)

A missão do Ministério

Os líderes do Ministério Coming Out, uma organização mantida com doações, diz que a crítica mais comum é que eles estão tentando “tornar o gay em heterossexual”, uma acusação que eles negam. Embora concordem que esse possa ser o “fruto da conversão” de algumas pessoas, o alvo é estar de acordo com a vontade de Deus e que pode ou não incluir o casamento.

“Quando o coração de alguém é transformado, o comportamento também muda para uma vida de acordo com Deus”, Blakely explica. “Isso não significa que você irá se apaixonar por alguém do sexo oposto, mas que você irá se apaixonar por Jesus”.

O alvo do grupo, eles dizem, pode ser dividido em três passos: inspirar, instruir e esclarecer, e equipar as pessoas com materiais.

Crescendo em graça

O codiretor Michael Carducci, criado na Igreja Adventista, viveu ativamente um estilo de vida gay por vinte anos, antes de ouvir o chamado de Deus para manter um relacionamento com Ele. A transição do que Carducci descreveu como “servir ao eu para caminhar na vontade de Deus” não foi imediata. Citando experiências bíblicas de Maria Madalena sendo curada dos demônios sete vezes e de Naamã tendo de mergulhar no rio sete vezes, Carducci descreve o crescimento em graça como um processo. [Equipe Adventist Review, Sandra Blackmer]

 

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