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Especial semana das mães – Madrugadas de uma mãe

9 de maio de 2014

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Regina ora durante as madrugadas em que o filho fica fora de casa

Sorocaba, SP… [ASN] Aquela manhã de sábado era para ficar marcada como mais uma em que Regina* iria à igreja para fazer a recapitulação da Lição da Escola Sabatina, principal guia de estudo bíblico dos adventistas. Era para ser só mais uma. Porém, a preocupação com o filho caçula, que ela ainda não tinha visto voltar de mais uma madrugada fora de casa, o que se tornara frequente no último ano, acabou por ser aumentada quando viu que um número desconhecido ligara para o seu celular.

Ao retornar a ligação, descobriu que o número era da delegacia. O motivo era que seu filho caçula havia batido o carro após dormir ao volante. No entanto, ele tentou a acalmar falando que não havia se machucado e que o que ele mais queria era o pagamento da fiança para poder ir para casa descansar. Sem reação, Regina continuou acompanhando a programação na Igreja enquanto seu cunhado iria prestar o auxílio necessário para o filho mais novo.

Lar adventista

Nascida em lar adventista, Regina criou os dois filhos conforme as orientações bíblicas. Anos depois de os filhos nascerem, o marido ingressou no seminário teológico e se formou pastor. Em 2000, o próprio pai batizou o filho caçula. Todavia, os momentos de alegria que não duraram mais de uma década. Em 2010, o casal pastoral se divorciou e Regina ganhou a companhia do filho mais novo enquanto o primogênito dava seus passos de forma independente.

Apegado mais à mãe, o filho caçula não reagiu bem ao divórcio. “Ele mudou o comportamento, passou a ser mais revoltado”, conta Regina. Ela relembra que o filho mais novo chegou a discutir com o pai ao ponto de colocar o dedo em riste.

Com o passar do tempo, o filho caçulo da Regina foi deixando de ter participação na Igreja. Depois, nem aos cultos ia. O sábado de manhã, que outrora fora um momento de alegria em família, agora era um dia de angústia ao ver que o filho ainda não chegara de mais uma noite de farra. “O que eu sinto mais falta daquele tempo é de ter todos eles perto de mim”, revela, ao se referir da época em que os filhos ainda eram crianças e participavam das programações oferecidas pela Igreja.

Atrás de uma das fotos do álbum de família, Regina escreveu uma mensagem aos dois filhos.

Atrás de uma das fotos do álbum de família, Regina escreveu uma mensagem aos dois filhos. Ela sente saudade do tempo em que tinha todos por perto.

Madrugadas de oração

Para Regina, a maior tristeza é quando ela acorda de madrugada e vê que o filho não está em casa, pois teme que ele se machuque. Ou, ainda, quando o vê dormindo no sofá de ressaca. “São fases que ele está passando. Ele não gosta de ouvir das pessoas que é para ele voltar a frequentar a Igreja. Mas coloquei minha opinião de forma clara: tem me entristecido muito” ressalta.

O drama vivido por Regina é comum a outras centenas de mães cristãs. O número de jovens que deixam de frequentar a Igreja de manhã para ir a festas à noite aumentou nas últimas décadas.
Segundo Regina, a programação da Igreja não atrai eles como o que o mundo oferece. “Pouco houve convites para jogar bola, ir para praia, para a piscina, embora eu não culpe ninguém. Esses convites acontecem tanto lá fora [do ambiente cristão], mas infelizmente tem outras coisas que fazem mal.”

Ao ver que o filho está fora de casa em mais uma festa noturna, Regina dobra os joelhos e ora. “A oração de mãe é poderosa”, acredita. Durante as orações, ela pede para que não aconteça nenhum desastre com o filho e que ele chegue em casa.

Segundo Regina, se as mães que passam pelo mesmo drama se unissem em pequenos grupos ou em correntes de oração, seria uma forma de juntas, amenizarem o drama de cada uma. “Sentiríamos que não estamos sozinhas”, explica. Nos momentos de oração de madrugada, Regina se apega às promessas bíblicas para ter conforto emocional e espiritual com a esperança que o filho caçula volte a passar as noites em seus braços. [Equipe ASN, Lucas Rocha]

*Regina é um nome fictício, pois a mãe em questão não quis ser identificada para não expor o filho.

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