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Doar medula óssea precisa ser um ato consciente

Depois de feito o cadastro, o doador não deve desistir da doação para não decepcionar o receptor.Marília, SP… [ASN] Quando uma pessoa vai até o banco de cadastro para doação de medula óssea existem dúvidas frequentes. Rafael Silva é responsável pelo cadastro dessas pessoas no Hemocentro Regional de Marília, São Paulo, e conta que lá as pessoas geralmente chegam bem informadas, mas ainda assim existem algumas que têm medo do principal objetivo, o de passar a ser um doador. “A grande dificuldade é abordar a pessoa para ir até o banco de cadastro, mas quem vai até ao Hemocentro, já chega mais consciente”, explica.
Silva ainda conta que, mesmo que a pessoa já saiba tudo sobre doação, a equipe do hemocentro explica o procedimento novamente para que ela tenha segurança no que está fazendo. Geralmente, a maior dúvida sobre a doação é se dói ou não. A secretária do Hemocentro Regional de São Mateus, no Espírito Santo, Cleusa Fernandes fez seu cadastro para ser uma doadora de medula óssea e diz que na mesma hora em que doou sangue foram retirados 5mls a mais para fazer os testes necessários para o banco de dados de doação de medula. “Isso não dói. Agora estou só aguardando me chamarem quando encontrarem alguém compatível que precise da minha doação”, relata.

Quem vai ao banco de cadastro primeiramente só se cadastra, depois, quando aparece alguém precisando de medula é feita a localização do voluntário compatível com o paciente e, só depois, a doação acontece. Silva expõe que as mudanças de endereço dificultam a localização das pessoas.

Márcia Morandi é assistente social do mesmo hemocentro de Cleusa. Ela cuida diretamente das palestras explicativas sobre a doação de medula óssea e lembra que quem decide a forma que o doador fará a doação é o médico responsável, pois existem duas maneiras. “Uma das formas de doar é pelo osso da bacia, o que exige uma anestesia geral. A outra maneira é através de uma filtragem na veia do braço, como se fosse uma hemodiálise”, ilustra.

O hematologista, Luis Bouzas, é diretor do Centro de Transplante do INCA (Instituto Nacional de Câncer) e Coordenador do REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), ele esclarece que o procedimento de doação é cercado de todo o cuidado com o doador e tem boa tolerância e segurança. O risco de complicações graves é praticamente nulo e em geral está associado à necessidade de anestesia geral. “Não há sequelas decorrentes da doação em si”, complementa.

Mesmo sendo um cadastro voluntário, ainda há pessoas que desistem na hora em que são solicitadas para que a doação seja efetuada e isso é frustrante para o paciente. Silva fala que é trabalhoso encontrar algum voluntário compatível, quando o paciente fica sabendo que encontraram essa é sua maior felicidade, só que quando acontece o caso daquele que está cadastrado desistir é como se sua última esperança acabasse. “É muito importante ter a consciência de que não se deve voltar atrás depois que o cadastro é feito para não acabar com a esperança daquele que está lutando para viver”, apela.

A doação de medula óssea é um ato de solidariedade e hoje com a existência dos registros de doadores é possível salvar vidas mesmo além das fronteiras, pois doadores brasileiros podem doar para pacientes no exterior e pacientes brasileiros podem ser beneficiados por doadores estrangeiros. “Isto só acontece pela conexão dos registros nacionais e os de outros países, que somam quase 20mil doadores em todo o mundo”, finaliza Bouzas. [Equipe ASN – Salisa Macedo]

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