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Wellington Barbosa

Wellington Barbosa

Papo de líder

Conceitos de liderança sob uma perspectiva cristã.

Chefe secreto ou líder visível?

Foto: Shutterstock

Há alguns dias, enquanto zapeava os canais de televisão, deparei-me com um episódio do quadro Chefe Secreto, de um programa de notícias e entretenimento da televisão brasileira, que me chamou atenção. Confesso que nunca havia assistido ao programa e achei interessante algumas situações ali apresentadas. Curioso, busquei na internet outros episódios e, nesse processo, acabei refletindo sobre o que significa a presença do líder entre seu grupo de colaboradores. Enquanto pensava, algumas perguntas me vieram à mente: Será que é preciso que o líder tenha de se disfarçar para conhecer a realidade de sua organização e de seus liderados? É possível desenvolver proximidade genuína com eles no cotidiano? É melhor ser um chefe secreto ou um líder visível? Foi a partir de minhas divagações que cheguei à conclusão de que não precisamos participar de um reality show para crescer no entendimento acerca de nossa esfera de atuação ou das pessoas que estão ao nosso redor. Basta que sigamos estes quatro fundamentos básicos.

Aproxime-se. Se alguém pretende maximizar sua liderança a partir de uma atitude de isolamento, deve desistir disso! Ser um líder, sob a perspectiva cristã, tem que ver com a capacidade de estar próximo das pessoas, passando tempo com elas e conhecendo-as verdadeiramente. Se a presença do líder provoca receio em seus colaboradores, se ele não consegue se assentar com os membros das equipes operacionais para uma conversa ou não se dispõe a partilhar de uma refeição com seu grupo, algo está errado. Não existe maior exemplo de aproximação em relação aos “liderados” do que Jesus. João, o discípulo amado, destaca a encarnação real de Cristo e o fato de que Ele “viveu entre nós” (João 1:14, Nova Versão Internacional). O que significa isso? Os evangelhos nos respondem. O Mestre dialogava com as pessoas, comia com as pessoas, sorria com as pessoas, chorava com as pessoas e dedicava tempo às pessoas. Ele conseguia administrar sua agenda de tal maneira que alcançava os diferentes “níveis hierárquicos” de sua organização: as multidões, os seguidores, os discípulos e seu grupo mais próximo de três apóstolos, composto por Pedro, Tiago e João. Diante do exemplo do “Líder dos líderes”, em sua esfera de influência e liderança, quanto tempo você tem dedicado a estar com as pessoas? O que sua presença representa para elas?

Ouça. Nenhum líder consegue desenvolver uma liderança próspera sem aperfeiçoar suas habilidades de comunicação. Embora essa frase pareça clichê, ela esconde uma armadilha. Para muitos, tais palavras representam somente a necessidade de se expressar melhor. Entretanto, um dos aspectos mais negligenciados no processo comunicacional é o ouvir. Às vezes, o líder acha que está ouvindo as necessidades de sua organização, mas, o que ouve na verdade, são os ecos de sua própria consciência, que reverberam nos discursos de colaboradores que temem dizer o que de fato está acontecendo. Salomão, reconhecido por sua sabedoria proverbial, disse: “Ouça conselhos e aceite instruções, e acabará sendo sábio” (Provérbios 19:20, Nova Versão Internacional). Os colaboradores da “linha de frente”, que acompanham o cotidiano da organização, identificam virtudes e defeitos do que está ocorrendo com muito mais facilidade do que os líderes que estão distantes das atividades operacionais, ainda que um dia eles tenham passado por elas. É loucura desprezar o conhecimento que se estabelece pela prática simplesmente porque o colaborador não está em uma posição formal de liderança. Por esse motivo, mantenha o fluxo de comunicação aberto, por meio de uma atitude amistosa e informal e de canais eficientes pelos quais sugestões e críticas possam trafegar para o benefício de sua organização.

Aja. Mais do que ouvir o que os colaboradores têm a dizer, o líder deve estar disposto a atuar. Saber que algo está com problemas e não agir é improdutivo. É importante considerar as soluções apontadas pelos colaboradores. Christoph Roser sugere uma atitude contínua de consulta aos liderados acerca de como resolver as dificuldades que surgem no cotidiano. “Pergunte aos trabalhadores e supervisores. Se houver muitos, pergunte ao trabalhador ou supervisor com maior experiência. […] Peça ao grupo que encontre uma solução, na esperança de que haja menos consequências não intencionais” (http://www.allaboutlean.com/undercover-boss/). Lembre-se de que “os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros” (Provérbios 15:22, Nova Versão Internacional). Tão importante quanto ouvir os liderados e agir a partir de suas observações é reconhecer publicamente suas contribuições. De acordo com Chester Elton e Adrian Gostick, “a principal característica do gerenciamento eficiente – o elemento que se repete em todo grande lugar de trabalho – é a capacidade do chefe de reconhecer o talento e a contribuição dos empregados de maneira decisiva” (O Princípio do Reconhecimento, 2010, página 10). Quanto maior for sua disposição de reconhecer as virtudes de seus colaboradores, maior será a probabilidade de ter sua liderança endossada por eles.

Multiplique-se. Uma das principais virtudes de um líder é sua capacidade de formar novos líderes. Se você desenvolver uma cultura de proximidade com as pessoas, atenção às suas observações, ação e reconhecimento de seus colaboradores, aqueles que estão sob sua influência serão levados a imitar seu exemplo. O modo como Jesus realizou o discipulado entre os apóstolos serviu de paradigma para que eles pudessem expandir as fronteiras do Reino e, ainda hoje, cumpre o mesmo propósito. Como líderes, precisamos nos multiplicar em nossa esfera de influência, a fim de que os valores corporativos e espirituais que temos possam se propagar.

Gosto muito de um texto que menciona a estratégia de Cristo para alcançar as pessoas. “O Salvador se misturava com as pessoas como alguém que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por elas, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me’” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143). Se a liderança é evidenciada pelo fato de se desenvolver seguidores, então esse é o tipo de líder que devemos ser.

 

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