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Rafael Rossi

Rafael Rossi

Em dia com o nosso tempo

Os fatos diários lidos a partir de um olhar teológico.

Quem somos quando ninguém vê

Foto: Shutterstock

A greve das mulheres que paralisou a Polícia Militar do Espírito Santo mostrou ao país uma série de imagens que me deixaram perplexo. Foram alguns dias de pânico e pessoas assustadas. Os índices de criminalidade subiram rapidamente, revelando que, se não há um sistema de vigilância e punição vigente, as pessoas são capazes de agir de maneira totalmente egoísta e inconsequente.

Os que estão envolvidos na criminalidade sentiram-se livres para as contravenções sem se preocupar com a punição. Por outro lado, essas mesmas circunstâncias revelaram um outro lado, tão triste quanto; pessoas que não eram envolvidas com a criminalidade viram nos saques em massa uma oportunidade para furtar e levar vantagem da situação.

Eu já escrevi sobre essa ideia de sempre buscar tirar vantagens em situações, que você pode ler aqui:

Nesse artigo, vou me concentrar em outros argumentos que estão relacionados à ética cristã.

Esse caso me faz voltar a memória para os meus tempos de estudante. Um dia, no meio do jantar na instituição onde eu estudava, a luz acabou. Depois dos gritos, alguém atirou um pedaço de pão para qualquer lado. O que foi atingido jogou em outro e assim, em poucos segundos armou-se uma pequena guerra no refeitório. Não demorou muito e a luz voltou. O chão estava sujo, o pessoal ria do acontecido. O preceptor aproveitou a oportunidade, ligou o microfone e os alto-falantes e disse uma simples e direta frase: “Lembrem-se sempre que o verdadeiro caráter de uma pessoa se revela no escuro”.

O que você faz quando ninguém vê? Como reage depois que faz algo errado? Arrepende-se quando descobre que foi descoberto? Sente remorso, mas procura justificativas para explicar o que fez?

No auge dos saques no estado do Espírito Santo, algumas matérias chamavam a atenção para esse aspecto. Objetos foram devolvidos à polícia antes mesmo de qualquer investigação. O confronto consigo mesmo, ou até mesmo por pessoas do círculo familiar, fez alguns refletirem no que haviam feito e, na tentativa de reparar, foram espontaneamente corrigir o desvio de rota.

Prontamente, alguns usaram a seguinte frase para explicar: “A ocasião faz o ladrão”. Será que podemos tomar essa frase por base e dizer que, no fundo, todos faríamos a mesma coisa se tivéssemos as mesmas oportunidades? Quando somos confrontados com casos de corrupção, vale a mesma reflexão: se você lá estivesse, com as mesmas oportunidades e privilégios, faria igual aos acusados de corrupção?

Por outro lado, alguns argumentam que a ocasião não faz o ladrão, ela apenas o revela. O que sabemos é que, sem os limites impostos pela organização da sociedade, as coisas seriam e estariam muito piores do que estão. E o problema vai além do que vemos.

Gosto da seguinte definição: Ética são normas de comportamento que adotamos para lidar com pessoas e situações que não amamos. Quando há amor envolvido, não é necessária a ética, porque ela flui naturalmente. Quando não há amor envolvido, a ética estabelece os padrões comportamentais esperados.

E isso faz sentido. Entre aquelas pessoas que entraram nas lojas para saquear o que vissem pela frente, não havia amor. Se a loja fosse do seu respectivo pai, mãe, filho, esposa, etc., provavelmente tal pessoa não estaria lá para roubar. E nessa perspectiva não precisamos falar de ética porque, quem ama de verdade é, consequentemente, ético.

Mas, quando não há ética e/ou amor, o comportamento de manada explica porque pessoas que nunca se envolveram em ações semelhantes estavam lá tentando se dar bem às custas de alguém com cujo ressarcimento do prejuízo elas não haviam se preocupado.

Não sou desiludido com a humanidade, pois creio em ideias sublimes e profundas ensinadas por Jesus, que são como um antídoto, estando na base ética do cristianismo: amor. João escreveu: “Aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 João 4:8). O amor é a consequência natural do cristão que está em conexão com Deus e, consequentemente, podemos dizer que todo cristão genuíno será ético, porque ama.

O contraponto disso é o estado dos seres humanos nos últimos dias da história. Paulo descreve a situação em 2 Timóteo 3:1-5, com vários adjetivos negativos como: caluniadores, blasfemos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, e por aí vai.

É verdade que a presença do mal não é uma característica única dos últimos dias. No entanto, a progressiva depravação moral da humanidade atesta a total incapacidade humana de se salvar, e as imagens dos saques são mais uma clara evidência disso.

Em contradição às afirmações amenas que declaram que o ser humano está ficando cada vez melhor, a Bíblia deixa bem claro que os homens “irão de mal a pior”. Sem Deus não há ética que se sustente por muito tempo. Essa é a ética que os cristãos precisam demonstrar em todas as esferas da vida, porque o verdadeiro caráter se revela quando ninguém vê, ou melhor, quando nenhum ser humano vê, porque Deus sempre, a tudo, está vendo.

“Crede no Senhor vosso Deus e estareis seguros” 2 Crônicas 20:20.

 

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