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Rafael Rossi

Rafael Rossi

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O uso medicinal da maconha e o evangelho

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Lembre-se que o seu corpo é templo do Espírito Santo

Em alguns países do mundo já é permitido o uso medicinal da maconha, como por exemplo, Canadá, Holanda, França e Reino Unido. Atualmente, há pesquisadores dos mais diversos países estudando a ação terapêutica da cannabis sativa.  Para os defensores do uso medicinal é importante agilizar o processo e a discussão, porque o uso pode aliviar o sofrimento de pessoas, especialmente no combate ao câncer, convulsões e epilepsia.

Em uma pesquisa realizada recentemente, 57% dos brasileiros entrevistados disseram que são favoráveis à legalização da venda da maconha para fins medicinais. O levantamento foi realizado pela empresa Expertise e consultou 1.259 pessoas pela internet no mês de janeiro.

Mas, como qualquer droga, a cannabis tem efeitos tóxicos dependendo da forma e da quantidade em que for administrada e quanto a isso não existem divergências. De seis a dez segundos depois que a fumaça é aspirada, ela cai nos pulmões que a absorvem rapidamente e leva pela circulação seus componentes que ao chegar no cérebro, agem sobre os mecanismos de transmissão do estímulo entre os neurônios, células básicas do sistema nervoso central, causando seus efeitos.

O consumo irrestrito da droga é preocupante porque há indícios de que ela pode afetar transitoriamente a memória e até piorar quadros psicóticos. Também sabe-se que a maconha é a porta de entrada para drogas consideradas mais pesadas, como a cocaína e o crack.

Questões importantes

O assunto não está concluído no que diz respeito aos benefícios à saúde com o uso medicinal da maconha. Uma discussão ética relevante é definir qual é o limite entre o uso medicinal da erva e o uso “recreativo”. Para alguns especialistas, as discussões sobre o uso medicinal, seriam na verdade uma tentativa da legalização da droga.

Outra questão que deve ser debatida é como e quem fará a fiscalização do cultivo? Em uma reportagem recente realizada nos Estados Unidos, onde o uso medicinal é legal em alguns estados, é dito que jovens sem doenças graves conseguem receita médica para uso de maconha terapêutica. Depois de uma consulta de cinco minutos, o repórter conseguiu a receita médica e a carteirinha para a utilização da chamada maconha terapêutica. A maioria dos jovens não tem câncer, não tem nenhuma outra enfermidade grave, mas estão utilizando sob a alegação de dor nas costas.

Em resumo, a maconha é uma droga perigosa que deve ser evitada. Ela causa dependência e afeta a mente, psique, a personalidade e o corpo. O esforço para a legalização da maconha não indica que seu uso seja seguro, nem em baixas porções ou até mesmo no uso medicinal.

Lembre-se que o seu corpo é templo do Espírito Santo e isso significa usar com sabedoria as coisas saudáveis e evitar as prejudiciais. A maconha com seus efeitos torna as pessoas inaptas na adoração e com baixo discernimento. Viver em constante violação das leis naturais levará à destruição final. Portanto qualquer que seja o uso, o cristão deveria se abster da maconha e procurar medidas alternativas para o tratamento das enfermidades e combater o uso recreativo de qualquer substância alucinógena.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem um posicionamento claro com relação ao uso de drogas consideradas ilícitas. Ela incentiva cada indivíduo e cada nação a cooperar na eliminação da epidemia mundial das drogas que prejudica a estrutura social das pessoas, frequentemente matando as suas vítimas ou levando-as para uma vida de crimes.

Complementando o tema

Depois de muitos comentários e questionamentos com relação ao artigo “O Uso Medicinal da Maconha e o Evangelho”, carece esclarecer alguns pontos que entendo não terem ficado claro.

Primeiramente, o artigo não é médico e nem científico. Não estou discutindo quais são os efeitos do CBD (canabidiol). O que detectou-se até aqui é que o elemento possui estrutura química com grande potencial terapêutico neurológico, tendo ação ansiolítica (diminuição da ansiedade), antipsicótica, neuroprotetora, antiinflamatória, antiepilética e age nos distúrbios do sono.

O termo “maconha medicinal” é geralmente usado para se referir a toda a planta da maconha não transformada ou seus extratos brutos, que não são reconhecidos ou aprovados como medicina pelo Food and Drug Administration dos Estados Unidos (FDA).

Mas o estudo científico dos produtos químicos ativos da maconha, chamadas canabinoides, levou ao desenvolvimento de dois medicamentos já aprovados pela FDA, e está conduzindo para o desenvolvimento de novos fármacos que aproveitam os benefícios terapêuticos dos canabinoides, minimizando ou eliminando os efeitos secundários nocivos (incluindo o “alto”), produzido por comer ou fumar folhas de maconha. (Para saber mais sobre o assunto veja: http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/marijuana-medicine)

A “maconha medicinal” não atinge apenas fármacos. A discussão vai ainda mais além quando se defende que “a maconha medicinal está disponível em várias formas diferentes. Ela pode ser fumada, ingerida na forma de pílula ou em versão comestível para ser adicionada a alimentos, tais como bolos, biscoitos e barras de chocolate”. (veja mais sobre isso em: http://www.livescience.com/24554-medical-marijuana.html ou ainda no site da California Society Addiction Medicine http://www.csam-asam.org/adverse-effects-marijuana-healthcare-professionals)

O tema no Brasil ainda está em seu começo e é preciso enxergar os desdobramentos éticos e cristãos que isso implica. Veja mais sobre o tema no site do National Institute on Drug Abuse – http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/marijuana

Em momento algum o artigo propôs a ser conclusivo, mas provocar uma reflexão que vai além do teológico e chega aos limites do social. Estamos preparados para administrar com segurança as questões e ações resultantes disso? Para obter o CBD precisamos cultivar a maconha e uma pergunta importante no texto foi se temos estrutura para fiscalizar o processo sem fortalecer o uso alucinógeno da maconha que não foi levada ao destino farmacológico?

Quanto ao uso recreativo da droga não tenho dúvidas do seu potencial de destruição. E isso não vem de nenhum dado científico ou estatística, mas da minha experiência pastoral e de meu trabalho voluntário em clínicas de recuperação de dependentes químicos há mais de 15 anos.

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