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Rafael Rossi

Rafael Rossi

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O tempo de angústia

Foto: Shutterstock

A expressão “tempo de angústia” ocorre várias vezes na Bíblia. O povo de Deus, em diferentes épocas, passou por momentos difíceis com perseguições, escravidão, guerras e fome. Vale ressaltar nas primeiras palavras desse artigo que Deus não é o causador da angústia, no sentido de que Ele não cria situações de sofrimento para os seres humanos. Isso é consequência do pecado.

Nos últimos dias, fomos bombardeados com notícias estarrecedoras que evidenciam a incapacidade que temos diante da fúria da natureza. Furacões, terremotos, enchentes, destruição e mortes. Não temos nada a fazer diante da força dos eventos naturais, senão apenas fugir. Somos reféns dessa situação.

Nesse artigo, vou explorar quatro tempos específicos de angústia que estão relacionados com a Igreja de Deus nos últimos dias. Esses momentos nos ajudam a entender para onde estamos indo e como Deus tem cuidado de cada detalhe da história para que os Seus propósitos sejam cumpridos.

Os 4 tempos são: os 1260 anos, o pequeno tempo de angústia, a grande angústia e por fim a angústia de Jacó.

A angústia dos 1.260 anos – Apocalipse 12:6

Cristo foi para o céu e a mulher, que representa a igreja, encontrou proteção divina no deserto durante o período de tempo profético de 1.260 dias. Neste tempo, ela aguarda o retorno de Cristo e o estabelecimento do reino eterno de Deus, mas não pode se manifestar publicamente por causa da intensa perseguição.

Esse período é o da supremacia papal, que começa no ano de 538 d.C., quando os ostrogodos são vencidos por Belizário, general de Justiniano, e expulsos de Roma. Nesse ano, cai o terceiro dos três chifres descritos no livro de Daniel 7:8, 20. O imperador Justiniano faz um decreto onde reconhece a supremacia do bispo de Roma e a partir daí começa a perseguição a quem não obedecer às doutrinas humanas que passam a fazer parte da igreja cristã.

As perseguições sobre os seguidores de Cristo são intensas. A Bíblia descreve essa angústia sendo “grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais.” (Mateus 24:21).

Tempo de angústia depois do deserto – Apocalipse 10:10

O propósito de Apocalipse 10 não é apenas dar uma descrição da experiência de João comendo o livro. Lembre-se que o Apocalipse é um livro de profecia e o seu objetivo é dizer ao povo de Deus o que acontecerá no futuro (1: 1; 22: 6). Assim, a experiência visionária de João tem um propósito muito mais profundo. Ele representa a igreja, comissionada para proclamar o evangelho por toda parte do mundo durante o tempo entre o período profético especificado em Daniel e a Segunda Vinda. Isto é, durante este período que, por meio da igreja, Deus advertirá os habitantes da Terra do Seu julgamento (14: 6-12).

A experiência de João aponta para outro evento que ocorreu no final da profecia de Daniel sobre os 1260 dias. Os adventistas do sétimo dia viram um paralelo entre a experiência de João e o Grande Desapontamento experimentada pelos mileritas em 1844.

Sob a liderança do revivalista Guilherme Miller, eles erroneamente concluíram que a segunda vinda de Jesus ocorreria no outono de 1844. A mensagem sobre a vinda de Cristo foi muito doce no começo. No entanto, quando a data passou sem o retorno, os mileritas ficaram desapontados experimentaram a amargura da mensagem que eles haviam crido e pregado.

Os adventistas viram na comissão de Cristo a João para “profetizar novamente sobre muitos povos e nações e línguas e reis”, o comissionamento da igreja de Deus para proclamar a mensagem da Segunda Vinda “para aqueles que vivem na terra e para todas as nações e tribos e línguas e povos” (Apocalipse 14: 6). Quando a mensagem do evangelho for ouvida no mundo inteiro, então o fim virá e a história da Terra irá terminar (Mateus 24:14).

O grande tempo de angústia

O grande tempo de angústia é mencionado nos escritos proféticos de Daniel. “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro” (Daniel 12:1).

O texto de Daniel esclarece que o tempo da grande angústia ocorrerá quando Miguel Se levantará no Céu. Miguel é uma figura de Cristo, e na Sua ascensão ao Céu depois de Sua ressurreição Ele “assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hebreus 1:3).

Como o assentar-se indica o início de Sua obra no Céu, assim o levantar-se anuncia o fim. Então o levantar-se é simultâneo ao fim da graça e o início das sete últimas pragas. Esse tempo de angústia vai do momento em que se pronuncia no Céu o decreto de Apocalipse 22:12 – é o momento em que termina a graça ou a oportunidade de salvação – até o dia da segunda vinda de Cristo.

Será uma oportunidade para Satanás demonstrar suas intenções sobre a Terra. Após o fim da graça, ele terá domínio completo sobre os habitantes e elementos da Terra. Para esse momento ele planejou todo tempo. Agora lhe é permitido ser o pretenso Cristo e ele imagina que pode governar o mundo.

Antes desses dias, vivemos a intensificação dos sinais preditos por Jesus em Mateus 24 – guerras, rumores de guerras, furacões, enchentes, aumento da indiferença, tragédias, fome entre tantas coisas mais. O aumento desses sinais em quantidade e intensidade são evidências que nos aproximamos do fim de todas as coisas.

Angústia de Jacó

A expressão “angústia de Jacó” ocorre apenas uma vez na Bíblia, em Jeremias 30:7.

Esse tempo da angústia inicia com o decreto de morte promulgado no fim da segunda praga e antes do início da terceira. A primeira praga será uma chaga maligna, e, na segunda, o mar se transformará em sangue. Daí o apóstolo João declara: “Então, ouvi o anjo das águas dizendo: Tu és justo, tu és e que eras, o Santo, pois julgaste estas coisas; porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tem dado a beber: são dignos disso” (Apocalipse 16:5, 6).

Por condenar à morte os filhos de Deus, os incrédulos se tornarão verdadeiramente culpados pelo seu sangue como se eles já o tivessem derramado com suas mãos. Assim Deus envia a terceira praga porque os ímpios promulgarão um decreto de morte contra os filhos de Deus. No auge da perseguição, os fiéis viveram essa angústia que tem suas razões:

  1. Medo de serem mortos.
  2. Medo de que seus pecados não foram perdoados. Assim como Satanás acusou Jacó, acusará o povo de Deus.
  3. Estarão perfeitamente conscientes de sua fraqueza e indignidade. Satanás se esforçará por aterrorizá-los com o pensamento de que seus casos não dão margem à esperança.
  4. Medo de não terem se arrependido de todos os pecados.
  5. Medo de desonrar o nome de Deus.

O final de todo o período de angústia será por ocasião da Volta de Jesus. E o povo de Deus O receberá com uma grande aclamação de vitória. Rapidamente os fiéis são atendidos pelos anjos e todo o Céu estará brilhante com a glória de Deus. A angústia terminou para sempre. O prêmio final será para todos os que permanecerem até o final ao lado do Senhor (Mateus 24:13). Por isso, não desista, falta somente um pouco mais.

 

“Crede no Senhor vosso Deus e estareis seguros”, diz 2 Crônicas 20:20.

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