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Rafael Rossi

Rafael Rossi

Em dia com o nosso tempo

Os fatos diários lidos a partir de um olhar teológico.

De Pastor para Pastor

Amigo, colega de ministério, essas palavras que estou lhe escrevendo é a minha homenagem a todos que um dia ouviram o chamado do Senhor e decidiram mudar completamente as suas rotas para se dedicar e se desgastar integralmente para que o evangelho do reino alcance toda tribo, nação, língua e povo.

Ser pastor não é fácil, porque especificamente temos de lidar com dramas humanos e ser um pilar de sustentação para os que sofrem. Mas há, ainda, um momento mais difícil que todos os pastores enfrentam. Quando o sofrimento alcança o coração do próprio pastor. Pastor, sabemos que definitivamente o céu não é aqui!

Nessa minha reflexão sobre o Dia do Pastor Adventista, quero falar de coração a coração, orando para que cada pastor tenha uma vida cheia de esperança e pleno significado no que significa o ministério pastoral com suas alegrias e lutas.

Paulo foi uma das maiores expressões do cristianismo de todos os tempos. Viveu uma vida superlativa. Homem de oração e jejum. Pregador incomum, teólogo incomparável, plantador de igrejas sem paralelos. Viveu perto do trono, mas, ao mesmo tempo, foi açoitado, preso, algemado e degolado. Tombou como mártir na terra, mas na volta de Jesus será levado como um príncipe para o céu.

Ele foi apedrejado em Listra; açoitado e preso em Filipos; escorraçado em Tessalônica e Bereia; chamado de falador em Atenas e de impostor em Corinto; duramente atacado em Éfeso; preso em Jerusalém; acusado em Cesareia; vítima de naufrágio na viagem para Roma; picado por uma serpente em Malta; preso e degolado na capital do império. Ele disse à igreja da Galácia: “Eu trago no corpo as marcas de Jesus.”

Do exemplo de Paulo entendemos, ainda que com lágrimas nos olhos, que é somente a graça de Deus que nos capacita para enfrentar vitoriosamente os sofrimentos da lida pastoral. Trazemos em nosso corpo as marcas do ministério!

Lembre-se que as pessoas que andaram mais perto de Deus foram também aquelas que mais sofreram. Não há pastorado sem luta. Não há ministério indolor. A carreira é sublime, a vocação é santa, mas as batalhas são cruéis.

Há pastores que estão com a alma enferma, com as emoções confusas, com os nervos à flor da pele por causas enormes pressões enfrentadas. É a graça de Deus nos capacita a viver vitoriosamente apesar das adversidades, é a graça que não nos deixa esquecer que por trás do temporal, o sol ainda continua brilhando.

Das muitas lutas que Paulo teve, uma foi o seu sofrimento com a dor da solidão (2 Timóteo 4:9,11,21).  A solidão é uma das realidades mais dolorosas da vida pastoral. O pastor é um ser solitário. Ele cuida de muitos e, muitas vezes, não é cuidado por ninguém. O pastor precisa de amigos que tenham tempo, preparo, discrição e sensibilidade para ajudá-lo em suas necessidades. O dia do pastor nos ajuda a lembrar dessa necessidade.

Paulo lidou também com as despedidas. Ele escreveu: “O tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6). Depois ele conclui: “Combati o bom combate. Completei a carreira…” (2Timóteo 4:7).

Paulo sempre foi cuidado por Deus. O Senhor não nos livra do vale, mas caminha conosco no vale. Deus não nos livra da fornalha, mas nos livra na fornalha. Deus não nos livra da cova dos leões, mas nos livra na cova dos leões.

Nos altos e baixos da vida ministerial, há momentos que consolamos e em outros momentos somos consolados. Há 10 anos, meu sogro que serviu a Igreja Adventista do Sétimo Dia como pastor por 30 anos, morreu depois de lutar por alguns meses contra um câncer no fígado. Ele tinha apenas 51 anos e o funeral foi um momento muito triste e marcante para a minha família. No sermão fúnebre na Igreja do IACS, pastor Erton Kohler resumiu o sentimento de todos ao dizer: “As nossas orações não chegaram ao fígado do Milton, mas alcançaram o seu coração”.

Colega pastor, Deus não nos livra das provas, mas nos dá poder e forças para cumprirmos o nosso ministério mesmo nas provas. Se Deus não nos livra da morte, ele nos livrará na morte.

Na hora do balanço final, Paulo expressa não um gesto de frustração, mas um tributo de glória ao seu Salvador. O privilégio de servir.

Um pastor foi visitar um dos seus mais antigos líderes que estava no hospital em estado terminal. Perguntou-lhe: Irmão, você está preparado para morrer? Ele respondeu: “Não, eu estou preparado para viver. Estou preparado para ver Jesus quando Ele voltar!”.

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