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Rafael Rossi

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Ciência, evolução e inferioridade feminina: combinação perigosa

Foto: Shutterstock

A Revista Veja de 16 de agosto de 2017 traz uma entrevista com a jornalista britânica Ângela Saini, especialista em ciência. O tema da entrevista trata sobre o sexismo da ciência que contribuiu para uma visão equivocada de inferioridade feminina.

Primeiramente, é importante esclarecer e reafirmar que na Bíblia está evidente que homem e mulher possuem papeis distintos, mas não há menor capacidade de qualquer um dos gêneros. Esse conceito não é bíblico.

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Homem e mulher foram criados por Deus e se completam na formação da família e da sociedade. Na criação da mulher, a partir do homem Gênesis 2:18 traz a palavra “auxiliadora” (kenegdo) para o papel da mulher, que denota igualdade e suficiência.

Ou seja, ninguém está em nível de superioridade por causa do seu gênero, embora, como já tenha afirmado, com funções específicas e que não podem e nem devem ser comparadas por qualidades biológicas como sendo melhores ou piores.

Mas imagino alguém lendo o texto e se perguntando: mas no Novo Testamento não diz que a esposa deve ser submissa ao marido? (Efésios 5:22). A resposta está na continuação dos versos, quando Paulo diz que os maridos devem amar as suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, ou seja, Cristo submeteu-se a morte para salvação. Isso significa uma via de mão dupla da submissão.

Qualquer pensamento que rebaixe a mulher é um desvirtuamento científico na tentativa de explicar a origem da vida. Uma das respostas da jornalista na entrevista foi que acabou me motivando a escrever esse artigo.

A pergunta tratava sobre a existência de alguma teoria moderna que dissemine a ideia da inferioridade biológica feminina. Ângela apresenta um estudo que a Universidade McMaster publicou sobre a menopausa. A tese propõe que a mulher deixa de ovular porque os homens deixam de sentir atração por mulheres mais velhas. Uma característica adquirida pela evolução.

A jornalista rebate a teoria apresentando um estudo do biólogo evolucionista George Williams. Essa pesquisa revela que a menopausa surgiu em nossa espécie como um mecanismo para proteger as mulheres mais velhas dos riscos do parto, “fazendo-as viver mais e garantir a segurança da espécie, tendo em vista que os humanos dependem por mais tempo da família do que outras espécies”.

Dentro dessa perspectiva, tudo é fruto da casualidade e de uma evolução inteligente, seja qual explicação racional se aceitar. Nessa imersão científica, acaba se entra no meio de uma neblina de conjecturas para, ao final, parecer profundidade acadêmica. O resultado são os pensamentos sexistas, machistas ou qualquer outra ideia que siga nessa linha.

Entender a origem da vida é a base para a formação dos pressupostos acerca da vida, família, sociedade e futuro. Teorias sempre surgem e que constituem de certa maneira o pensamento corrente de hoje sobre como tudo começou. Por exemplo, a abiogênese ou também conhecida como Teoria da Geração Espontânea. Foi formulada por Aristóteles (384-322 a.C.), na Grécia antiga, e dizia que os seres vivos surgem da matéria bruta, espontaneamente. De acordo com essa teoria, existiriam dois princípios, um passivo, que é a matéria, e outro ativo, que é a forma. No momento em que as condições fossem favoráveis, esses princípios se conjugariam, originando vida.

Aristóteles chegou a afirmar que os crocodilos do Rio Nilo surgiam da lama. Outros cientistas, seguindo o raciocínio de Aristóteles, descreveram processos de Geração Espontânea: Paracelso explicou como gerar sapos, tartarugas e ratos a partir do ar, água, palha, madeira em decomposição, entre outros materiais; Van Helmont explicou como gerar camundongos a partir de uma camisa suada em contato com gérmen de trigo (nesse caso, o suor humano seria o ‘princípio ativo’).

Por volta de 1860, Louis Pasteur (1822-1895) afirmou que conseguiu provar definitivamente que os seres vivos se originam de outros seres vivos. Nessa mesma época (1859), Charles Darwin publicou o livro On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (“Da Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida”). Somente na sexta edição (1872), o título foi abreviado para The Origin of Species (A Origem das Espécies), como é popularmente conhecido.

As ideias de Darwin são aceitas pelas comunidades acadêmicas e científicas como a resposta para o enigma do início da vida. “Sem Darwin, muito pouco no mundo natural faz sentido”, disse David Attenborough à Reuters. “Darwin converteu a história natural em ciência.”

Martin Rees, presidente da Royal Society entre 2005 e 2010, a academia científica mais antiga do mundo, disse que a influência de Darwin “é onipresente na cultura contemporânea, mais que a de qualquer outra figura científica”.Não tenho dúvidas de que é por isso que lidamos com teorias absurdas que geram aberrações como a inferioridade da mulher entre outras.

Paralelo a tudo isso, o ser humano luta contra ele mesmo quando nega a existência de um ser superior. A incapacidade humana de compreender Deus em sua essência desprovido de fé foi registrado nos jornais numa frase dita por Richard Dawkins quando esteve de passagem pelo Brasil: “Acabo de retornar do Pantanal e fiquei deslumbrado com tanta beleza, se não conhecesse Darwin, ajoelharia e diria que isso é obra de Deus”. O Estado de São Paulo, 02 de julho de 2009.

Por isso, diante de todas as vertentes e suposições, meu conselho é “crede no Senhor vosso Deus e estareis seguros, crede nos seus profetas e prosperareis”. (2 Crônicas 20:20).

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