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Paulo Rabello

Paulo Rabello

Missão II

Até onde vão pessoas que se colocam nas mãos de Deus para servir na missão de pregar o evangelho.

Quando as pedras falam – Parte 1

quando-as-pedras-falam-parte-1Entre tantas experiências, histórias e desafios que enfrentamos nesse primeiro ano de serviço fora do Brasil, houve um momento que marcou tremendamente a nossa vida aqui no Oriente Médio. Eu diria que, de certa forma, foi um grande divisor de águas e, ao mesmo tempo, um fator motivador para o nosso ministério. Usando nomes fictícios e fazendo as adaptações necessárias por questões de segurança, relato o ocorrido nas linhas abaixo. Antes, quero te convidar a ler com espírito de oração e depois refletir como Deus pode fazer o mesmo por você e por meio de você para abreviar a volta de Jesus.

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A maneira como nos encontramos foi por mero acaso (ao menos assim eu pensava). Contudo, para Deus não existem acidentes ou coincidências então logo percebi que o nosso encontro já havia sido antes marcado na agenda de Deus. Com traços fortes, bastante característicos dos árabes, mas espírito manso, eu conheci Omar na Universidade da Jordânia. Nunca havíamos sentado de fato para conversar, mas ainda assim trocávamos algumas poucas palavras com certa frequência. Todas as semanas, ao chegar para as minhas aulas de árabe, eu o encontrava com um sorriso amigável. Ele me cumprimentava e então me perguntava como estava sendo a adaptação à nova cultura.

Certa vez, em uma conversa em grupo sobre a guerra no Oriente ele fez uma declaração que me deixou intrigado. Ele disse que os árabes estavam pagando um alto preço por terem inventado uma falsa religião, com um falso profeta, ensinando o que é contrário à vontade de Deus. Éramos um grupo de quase 12 homens conversando a céu aberto no pátio da universidade e ele, sem hesitar, diante de todos (muçulmanos) soltou essa afirmação perigosa. Alguns ficaram chocados com tal declaração, outros ofendidos reagiram de imediato e poucos permaneceram em silêncio, como que refletindo no duro ataque contra sua religião.

Na Jordânia (e acredito na maioria dos países do Oriente Médio também), a religião é passada de pai para filho. Isso significa que, se você é de uma família muçulmana, automaticamente na sua identidade constará essa informação, ou seja, não existe opção de escolha. Mudar de lado então, nem pensar, pois é proibido por lei um muçulmano se tornar cristão. O contrário também é verdade, já que, em teoria, os cristãos não podem mudar, mas se acaba dando um jeito para fazer com que o indivíduo faça parte da grande família do Islã, maioria esmagadora no país. No dia seguinte à conversa, enviei ao Omar uma mensagem questionando o que de fato ele queria dizer com uma “falsa religião” e um “falso profeta”, uma vez que todos do grupo assim como ele, eram também seguidores de Maomé. “Não tenho tempo para conversarmos agora, mas podemos nos encontrar na quinta pela manhã, em um outro lugar mais reservado para eu te explicar” disse ele. Com certo receio respondi que tudo bem.

Saí cedo naquele dia para o nosso encontro. Havíamos combinado de tomar café da manhã juntos em um restaurante. Logo na chegada, após nos cumprimentarmos, ele abriu o jogo. “Eu era muçulmano, mas fui alcançado pelo amor de Jesus. Hoje sou um dos Seus seguidores.” Então pude entender a razão pela qual o Omar havia dito tudo aquilo. Sem saber como reagir, fiquei parado apenas olhando para ele, como que se não acreditasse no que estava ouvindo. Eu estava diante de uma situação que só havia encontrado nas páginas dos livros até então, visto que esse tipo de informação é altamente sigilosa em qualquer país muçulmano. Oriundo de uma família tradicional como a dele, abandonar o Islamismo com certeza significava muitos problemas e até risco de morte. Nas duas horas seguintes, apenas ouvi o relato de como tudo havia acontecido, todo o sofrimento a que tinha sido submetido com sua família, privações e perseguições. Ainda assim, contra tudo e contra todos ele decidiu permanecer ao lado de Cristo.

Chocado, perguntei se ele não tinha medo de ser morto ou preso, ao que ele me respondeu: “já fui levado pelo menos quinze vezes para ser interrogado sobre a minha decisão de mudar de religião. Destas, em três ocasiões acreditei que não sairia vivo daquele encontro. Mas, pela força da fé, ele havia conseguido manter-se fiel a Jesus. Esse ainda não é o final da história. Nosso encontro foi ainda de outra forma mais poderoso e sobrenatural. O melhor ainda está por vir, acredite em mim.

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